quinta-feira, janeiro 30, 2003

NÃO TENHO TUDO O QUE AMO, NEM AMO TUDO O QUE TENHO, MAS TUDO O QUE TENHO ME AMA

Femme Fatale. Brian De Palma. Rebecca Romijn-Stamos. De Palma de volta à boa forma. Sensual. Excitante. Voyeur até a raiz dos pentelhos. Rebecca Romijn-Stamos. Roteiro enxuto. Reviravoltas. Surpresas. Travellings de câmera. Cortes e ângulos de câmera inusitados. Tela em split com cenas simultâneas. De Palma gênio. Rebecca Romijn-Stamos. Cena inicial mistura Olhos de Serpente com Missão Impossível. Ambos De Palma. Melhor pupilo de Hitchcock. Um Corpo Que Cai com Janela Indiscreta. Provocante. Trama envolvente. Erótico. Quem liga pro final? PUTA QUE O PARIU: Rebecca Romijn-Stamos!!!

Assistam já!! E, rapazes, deixem suas namoradas em casa!!! Aquele strip/lap dance perto do final é de destruir casamento!!!



fim de mês... deadlines... posts curtos... fetiches para todos os gostos: Garotas nuas enchendo balões , Garotas nuas com pernas engessadas e Garotas nuas com tattoos e piercings (sweet!!!) ...

Minha trilha sonora da semana: Placebo – Sleeping With Ghosts, Zwan – Mary Star of The Sea e Cave In – Antenna.

Detalhe: nenhum dos álbuns saiu ainda... eu já tenho... Zwan, pra quem não sabe, é a banda nova do Billy Corgan e do Jimmy Chamberlin, ex-Smashing Pumpkins...

terça-feira, janeiro 28, 2003

DEVAGAR COM O ANDOR, QUE O MEU SANTO É DA BARRA


Cheiro do palito de fósforo quando risca.
Esfregar os dedos num tapete felpudo.
Comer um saco inteiro de mini-croissants.
Ouvir a respiração dela no meu ouvido, dormindo.
Dor na barriga de tanto rir.
Uma platéia te aplaudindo.
O arrepio na espinha logo antes de gozar.
Olhar no relógio e ver que ainda faltam duas horas pra se levantar.
Um "sim" logo após um "não".
Beastie Boys ao vivo.
Dormir mais de 8 horas.
Massagem nos pés.
Qualquer coisa feminina, o toque, o cheiro, a maciez da pele, a voz.



Tudo de que preciso me lembrar pra afastar da minha mente a vontade de MATAR O FILHO DA PUTA QUE ROUBOU MEU GUARDA-CHUVA NA PADARIA!!!! UM GUARDA-CHUVA QUEBRADO, AINDA POR CIMA!!!! NO MEIO DO TEMPORAL!!!



meu ombro dói...não sei se é o ombro que suporta o Byron anjinho ou o diabinho... eles estão brigando... amanhã eu conto...

sexta-feira, janeiro 24, 2003

MELHOR...MÚSICA...DO...MUNDO...EVER!!!!!!!!




MC Serginho vs. Tati Quebra-Barraco




Não consigo parar de rir...


quinta-feira, janeiro 23, 2003

FRAGMENTOS DE UMA MENTE DIVAGANTE

Domingo, 16:02, Alameda Campinas, Jardim Paulista, São Paulo, SP – Três pessoas transitam pela rua, Byron Parker, Juli-bot e Guilerm

Byron: Vamos passar na minha locadora de DVD. Quero ver se consigo alugar a primeira parte de Band of Brothers.
Guilerm: Hã?
B: Band of Brothers. A série da HBO.
Juli-bot: Qual o nome mesmo?
B: Band...of...Brothers.
G: Nossa, por um instante, achei que você tivesse dito Gandalf Brothers.
J: Eu também!! Porra, imagina, uma série de TV com os irmãos do Gandalf.
(risos)
B: Nossa, que tosco iria ser.
J: É, tem o Gandalf, the Grey; Gandalf, the White; Gandalf, the Red...
B: E a ovelha negra da família, Gandalf, the Pink!!! Gaydalf!!!!
G: Melhor ainda, ia ser uma série com os Gandalf “brothers”, tipo (imita gesto de rapper norte-americano) “yo, man!!! Whassup?”
(risos)
B: É!!!! Dirigida pelo Spike Lee!!! Senhor dos Anéis do Gueto!!!
J: O Frodo dizendo “Gimme tha ring, nigga!!”
B:Frodo, não, Fredro!!!! Um dos rappers do Onyx!!!
(risos)
Constatação imediata de que a piada perdeu a graça. Silêncio.




(...)


Quarta-feira, 23:45, fim da sessão do filme do James Bond, Av. Higienópolis, São Paulo, SP. Byron Parker, rua deserta, aproveitando o vazio para cantar em voz alta As Sure As The Sun, do Black Rebel Motorcycle Club . “So now that everybody’s gone, you see no change has come...” e então a voz da mulher surge do nada:
- Ei, garoto!!!
Byron vira a cabeça para o lado, ressaltado, olha a mulher na penumbra da calçada, a criança ao lado. No mesmo ponto, pedintes acostumaram-se a sentar e fazer cara de coitados. “Ah, não”, pensou Byron, mais um. Dar esmola – nunca é suficiente – quanto dar? – 1, 5, 10 reais nem vão te fazer falta – tem uma criança!!! – vai encher a cara no boteco – vai achar pouco – esmola não é ajuda, é só pra aplacar sua consciência burguesa – quero ver ir lá e passar um tempo batendo um papo com ela – atenção vale mais do que dinheiro – caralho, mil coisas ao mesmo tempo na cabeça!!
- Oi? – respondeu, no entanto.
- Quanto é 23 menos 15? – voz da mulher bem alta.
- Hã???
- 23 menos 15? Dá quanto?
- Er... 8!!!!!
- Brigada...
Dez quilos de cara caem no chão.

(...)

Garagem, bandas de garagem. Nunca gostei tanto de bandas de garagem como agora. 2002 foi foda!! Danko Jones, Division of Laura Lee, The Hives, Ikara Colt, The Eighties Matchbox B-Line Disaster, McLusky, The Pattern, The Dirtbombs, um monte de outras e, enfim, a banda desta semana: The Raveonettes .

Um casal da Dinamarca, estiloso, bem-vestido, fazendo um som simples, mas empolgante, baixo, guitarra, voz e uma bateria eletrônica. Conseguem misturar Jesus and Mary Chain com The Cramps, surf music com Le Tigre, músicas de nomes como “Attack of The Ghost Riders” a “Bowels of The Beast”. Ouça já!!!!!



(...)

Que ninguém me entenda mal: eu adoro saladas. Dos mais variados tipos, quanto melhor o buffet de saladas do restaurante, melhor o conceito que ele vai ganhar. Mas eu não posso, de maneira alguma, deixar de comer carne. Foda-se o Morrissey, foda-se o Moby, EU ADORO CARNE!!!! Sangrando no espeto da churrascaria, picanha, maminha, alcatra, com alho, sem alho, costela de boi na pedra em Araçatuba, canapé de carpaccio, rosbife, enfim, não interessa a dieta, recuso-me a ser vegetariano, seja lacto, ovo-lacto, vegan, caralho-a-quatro, nem fudendo!!!!!

“NÃO LUTEI TANTO PRA CHEGAR AO TOPO DA CADEIA ALIMENTAR PRA SER UM VEGETARIANO!!!!”
Autor Desconhecido

Por isso me divirto com sites como o do PWEETA . Vaquinhas, franguinhos, peixinhos e porquinhos, cuidado comigo!!!

O Benigno do Fale com Ela foi comer vegetal, olha só no que deu!!!!

Quer verdura? Vem aqui em casa (he, he) ou então vai lá:




(...)

Um legume pode incomodar muita gente. Mal podia eu imaginar o quanto ao ouvir aquela frase no trabalho:
- Vamos dar um nabo pra esse gaúcho!
O gaúcho em questão era um colega que faria aniversário naquela semana. O nabo em questão era o presente principal. Um relógio seria o outro. Associação de gaúchos com viadagem é default. Na verdade, todo mundo gosta de conhecer um gaúcho, um japonês e um judeu pra fazer piadinhas. Se o cara for gaúcho, japonês e judeu, melhor ainda. Como um japonês pode ser judeu? Ah, malandro, nem quero saber... O André Takeda é japonês e gaúcho. Pena que não o conheço pessoalmente.

Mas não tenho nada contra gaúchos, a não ser que eles resolvam pegar algum instrumento musical pra fazer rock. Como o Privada ou Lixeira? e o Video Shits.

Mas voltando ao nabo, a idéia, no momento, parecia genial e adivinhem só quem ficou com a incumbência de comprá-lo e embrulhá-lo pra presente? Sim, só poderia. “O negócio fede pacas. Cuidado”, advertiu o colega. Muchas gracias, vou me lembrar disso. Foi só em casa que me dei conta de que não fazia idéia de como era um nabo.

Cansei de comer nabo ralado por baixo de sashimis da vida, mas nunca havia visto um inteiro. Bom, algum formato fálico constrangedor ele deveria ter. Fui me informar e fiquei sabendo que era branco e grande, vendido sem casca e molhado, para não dar mau cheiro. Achei de cara no supermercado perto de casa. Era maior e mais grosso do que o meu antebraço. Sim, a vergonha seria cruel e eu já antevia a desgraça do gaúcho. Mas a minha viria primeiro.

Higienópolis é uma região peculiar, concentração de judeus e velhos num ambiente tradicional e meio requintado. Mas, como faz parte do bairro da Consolação (cujo nome já diz tudo), tem uma grande concentração de baitolas. Até a decoração de Natal do Shopping local tinha um trenó gigantesco, onde o único boneco que mexia a cabeça era a rena: não tinha que ter um viadinho serelepe? Lá, é a Lei gay de Murphy: "Se alguém pode dar a bunda, ele vai dar a bunda”. Imagina só entrar em um supermercado da região só pra comprar um nabo? O lance era comprar algo pra disfarçar. “Estou precisando de margarina também”, pensei. PEEEEEEEENNNNNNNN!!!!!!! Wrong answer!!!!!!! Eu chegando no caixa com um nabo de meio metro e um pote de margarina seria uma cena de parar o trânsito até na rua em frente. No final das contas, resolvi levar só o nabo mesmo. E depressa. A mulher do caixa não riu, não olhou, nem mesmo parou pra pensar. Bom. Mas não havia saco em que a porra do nabo entrasse. A ponta ficava pra fora. Tentei deschavar com outro saco por cima, mas ficou muito na pinta ainda. Ah, foda-se. Entrei no prédio sem olhar para o porteiro (“Edmilson, o carioca do 146 acabou de entrar com uma trolha enorme dentro de uma bolsa!!!! Vixe!!!! E diziam que o cara era pegador!!!!!”).

No elevador, a casa caiu. Porque nem o filho da puta arrombado chupador de pica mais agourento deste mundo poderia desejar que eu entrasse no mesmo elevador que uma gatinha linda e loura, vizinha desconhecida, ela com uma camisa da seleção (Denilson), eu com um nabo gigantesco. Cumprimentei e dei a encarada básica (“oi, você mora aqui? Onde? Tem namorado? Gosta de nabo?” – meu olhar tentava dizer), mas podia sentir meu rosto enrubescendo. Ela deu uma risadinha, olhou pra minha bolsa, não falou nada. Chegou o andar dela, antes do meu, ela olhou de novo, riu (“divirta-se!!” – seu olhar parecia dizer), despediu-se e saiu. Maldito gaúcho. Vou enfiar essa porra no rabo dele!!!

domingo, janeiro 19, 2003

DA ANATOMIA DO MEDINHO

Ok, vamos confessar, ou melhor, eu vou confessar e vocês vão ter que entender: eu sou medroso pra caralho. Não de coisas vivas, de sair de casa, de ladrão ou mesmo de saltar de para-quedas. Mas sim de coisas mortas, de fantasmas, monstros imaginários, vampiros e bichos dentro do seu armário e debaixo de sua cama. Sempre fui impressionável e, devido às coisas inexplicáveis que via quando criança (e que já narrei na parte VI dos Diários de Byron originais ), tenho medo de filmes de terror até hoje, mas não deixo de vê-los. Tosqueiras como Sexta-Feira 13 e Pânico me fazem rir, mas filmes como Sexto Sentido, Os Outros e Bruxa de Blair já tiraram meu sono. E um, entre ontem e hoje, esteve bem perto disso. Se eu o tivesse assistido de outra forma como ocorreu, acho que só voltaria a dormir direito em março.

O filme é O Chamado (The Ring) e teve várias pré-estréias entre o finde passado e este, devendo entrar em circuito no fim do mês. Estrelando, tem a Naomi Watts, a loirinha gata de Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive), que faz o papel de uma repórter cuja sobrinha morre em circunstâncias misteriosas, no mesmo dia que 3 amigos dela, supostamente, 7 dias após terem assistido a um certo videotape. Resolve investigar e descobre uma intrincada trama de maldições, fantasmas e loucura, num ritmo claustrofóbico que culmina num final assustador.



Como eu assisti a este filme? Baixei no Kazaa. Em duas partes. Estava assistindo à primeira enquanto esperava a Ju e o Guilerm chegarem do Rio aqui em casa. Na cena em que a mulher finalmente assiste ao tal vídeo (quando, segundo reza a lenda do enredo, o telefone toca e uma voz sinistra avisa que você vai morrer em uma semana), a porra do meu telefone começou a tocar!!!!!!! Meu coração quase saiu pela boca. Por sorte, era só um amigo. Mas isto foi crucial pra eu perceber que não conseguiria assistir ao filme inteiro estando sozinho em casa. Hoje, ao lado dos meus dois amigos (que insistiram em assistir junto comigo, pois já tinham ido á pré-estréia e perceberam o quanto eu estava apavorado), consegui ver a segunda parte.

Meu veredito? Confesso que acabou rolando um anti-clímax, pois o Guilerm ficou o dia inteiro falando da cena do final que era incrivelmente aterrorizante e eu fiquei antecipando algo inimaginável, que iria saltar da tela e me dar um susto de causar infarte imediato. Bom, não chegou a ser isso, mas a cena mencionada é tão assustadora quanto impressionante. Se eu tivesse visto no cinema, teria me borrado. Aliás, fui salvo da insônia eterna por ter assistido com som e imagem ruins, pois, em dolby digital e surround, meu caro, os sustos são bem maiores, ainda mais que as partes sinistras têm o som de fundo amplificado até o talo.



O melhor mesmo é o clima de suspense criado ao longo do filme, depois de uma seqüência inicial de assustar guarda do Palácio de Buckingham. O envolvimento com a trama é lento e sob uma atmosfera angustiante. Ao final, você já está uma pilha e graças a Deus por eu ter dado um espaço de um dia entre as duas partes. E aquela cena do fim, ah, amigo, nem tente assistir se você tiver coração fraco...

sexta-feira, janeiro 17, 2003

COMO ERA GOSTOSA A MINHA RUSSA

Quando Olga Svetlana veio ao mundo, há cerca de 20 anos, seus pais estavam em uma situação desesperadora. A crise do comunismo na Rússia já se fazia visível e o mundo inteiro assistia a quem mais perdeu com a Guerra Fria em sua duração e estava perto de se afundar, anos mais tarde, com a glasnost. Boris Svetlana, pai de Olga, era lenhador nas florestas da pequena cidade de Minsk, de onde tirava o sustento da sua pequena e pobre família. Ou parte dele, pelo menos. Tão logo a noite caía, Boris trocava de roupa e transformava-se em Laika, a Cadela de Vladivostok. Laika era transformista e fazia o maior sucesso nos bares de strip do centro da cidade. Depois de muito vender o seu roskoff na Praça Rasputin, Laika decidiu que a ardência diária com que amanhecia não compensava os poucos rublos que arrecadava. Sabia que em Cuba, outro reduto comunista empobrecido, com um tubo de creme dental e uma barra de chocolate, você comia uma mulher. Com um kit de banho completo, a Miss Cuba era sua. Na Rússia, a pobreza ainda não tinha alcançado essa proporção, mas não eram raras as vezes em que voltava pra casa com uma garrafa de vodka em mãos, ao invés de moedas, e as pregas em chamas.

Numa fria tarde de outono, enquanto separava a extração de madeira do dia para o processamento, Boris cantarolava “If I was a Rich Man”, completamente surdo aos gritos de seus colegas naquele momento. O imenso tronco de carvalho atingiu-o em cheio. Olga, ainda na barriga da mãe, não chegaria a conhecer o pai.

Quando Olga nasceu, uma semana depois, Boris (ou o que sobrou dele) já havia sido enterrado e a família estava sob os cuidados da Companhia Madeireira Smirnoff, até que a pensão estatal fosse concedida. Apesar de suficiente para a sobrevivência de Olga e sua mãe Katerina, esta queria que sua filha deixasse Minsk quando crescesse e fosse buscar a vida no Ocidente. Logo, precisava de mais dinheiro. Não demorou e Katerina assumia, tão logo Olga desmamou e pôde ser cuidada por uma babá, a velha identidade de Laika, tão famosa na pele de seu falecido esposo. Com algumas coisas a menos. Trinta e dois centímetros, para ser mais exato. Mas ninguém reclamou. E assim a família Svetlana foi levando nos Urais. Katerina levava nos Urais e nos Anais.

A infância de Olga foi um tanto quanto complicada. Privada da presença masculina dentro de casa e incentivada pela mãe, que nunca arrumou outro homem (fora os clientes), a pobre menina crescia com um certo medo dos homens, estas estranhas criaturas de trombas entre as pernas. Mesmo na escola, não dirigia a palavra aos meninos de sua classe ou brincava com eles. Quando tinha 10 anos, seu vizinho Ilya, um moleque sapeca, enfiou a mão por baixo de sua saia. Quando tocou lá, Olga lhe dirigiu um confuso olhar, como se não soubesse bem o que ele estava fazendo. Meio que aguardando o próximo passo, também movida pela curiosidade, ela não tirou a mão dele de sua perestroika. Até que o menino resolveu enfiar o dedo. Olga deu um grito e, segurando com força o lápis com que desenhava em seu caderno, cravou-o na outra mão de Ilya, bem no centro, atravessando a palma, como o vampiro Jerry Dandridge em A Hora do Espanto . Ilya nunca se recuperou do incidente. Nove anos mais tarde, já na faculdade de cinema, durante uma exibição de “Um Cão Andaluz”, de Buñuel, Ilya, desesperado, olhando pro buraco em sua mão, começou a ter alucinações e a gritar “As formigas!!!! As formigas!!!!” e se jogou pela janela do sexto andar, indo virar obra surrealista na calçada.

Olga cresceu sem jamais ter namorado. Beijou alguns meninos em festas do colégio, depois de algumas doses de vodka, mas nunca passava da fase de “mãos nos peitinhos”. Embora soubesse da profissão da mãe, nunca sentiu familiaridade com o sexo. Até que um dia, ao completar 18 anos, resolveu que já estava na hora de dar. Mas decidiu dar em grande estilo. Antes, passou noites olhando pelo buraco da fechadura do quarto de sua mãe, assistindo-a em pleno ato com os clientes. Tão logo os olhos arregalados de susto deram lugar ao semblante de acostumada com bizarrices e perversões, pegou o primeiro trem pra Moscou e foi se encontrar com Piotr Grushenko, jovem magnata da indústria de peles, de 30 anos, com quem vinha se correspondendo pela Internet, numa sala de chat clandestina. Ela era Young_Pussy_34. Ele, John_Holmes_Cover.

O primeiro encontro dos dois ocorreu normalmente, como manda o figurino: jantar caro à luz de velas, colar de brilhantes de presente, conversa romântica, vinho tinto e ralação no sofá, ao som de Portishead (esse estereótipo barato de clima pra sedução também era comum na Rússia). Então, os dois se empolgaram. As roupas foram ficando pelo caminho entre a sala e o quarto e Olga resolveu colocar em uso o que havia visto a mãe fazer. Mas a prática é bem diferente da teoria e Olga acabou, literalmente, indo com muita sede ao pote. Enquanto demonstrava os prazeres da fellatio para Piotr (este com um sorriso bobo na cara), Olga não conseguia se decidir se engolia ou se cuspia. O momento da decisão final chegou e ela ainda continuava na dúvida. Com os olhos esbugalhados (e a boca cheia), ficou estática por uns três minutos. Resultado: sua língua colou no céu da boca. A operação para desfazer o estrago foi simples e relativamente indolor, apesar de ter durado mais do que o necessário, já que o cirurgião não conseguia parar de rir. Dali em diante, tudo o que Olga ingerisse passaria a ter gosto de cola tenaz com água sanitária (copyright by Clarah Averbuck).

A relação de Olga e Piotr foi se deteriorando, pela falta de sexo. Olga achava que, se resolvesse dar outra vez, alguma outra coisa de ruim aconteceria, que iria quebrar a mandíbula quando gozasse ou aleijar Piotr definitivamente, sei lá, baaaad mojo... Seis meses depois do incidente, Piotr teve uma idéia e levou Olga para conhecer Londres. Passearam bastante e divertiram-se, mas nada de fuder. Piotr resolveu, então, durante uma sessão de ralação em que voltou pro hotel com o pior caso de blue balls* da História, “dar um perdido” em Olga e, na manhã seguinte, voltou pra Moscou sem ela. Quando soube que fôra abandonada, sem dinheiro pra pagar uma diária extra, somente com sua passagem de volta, Olga entrou em parafuso com seu pobre destino. Conseguiu um vôo para o dia seguinte, mas, esgotada e triste com a solidão, não tinha onde dormir. Andando pelos arredores da London Bridge, entrou no pub Elusive Camel pra tomar uma pint e esquecer da vida. Ainda tinha libras suficientes e tickets de metrô, mas precisava de uma cama. Quando soube que o andar superior alojava um albergue, decidiu ficar por ali mesmo. No calendário pregado na parede, a data era 20/08/2002. No Rio de Janeiro, Byron Parker arrumava sua mala pra viagem, com 30 anos completados na noite anterior, depois de uma madrugada de fudelança desenfreada.

Quando Olga deitou-se no beliche, pensou se, ao voltar para Moscou e depois, Minsk, ainda conseguiria vislumbrar um futuro feliz. Lembrou que tinha lido num texto da Internet , uma vez, que a única coisa certa e duradoura na vida era a eficácia do filtro solar (ou coisa parecida) e conseguiu dormir mais serena. No dia seguinte, pegou suas coisas no pequeno armário e partiu pra estação de metrô, em direção a Heathrow e de volta pra casa. Ao dobrar a esquina, não reparou no jovem brasileiro com uma mochila enorme nas costas, ofegante e cansado, que também nem percebeu a existência da jovem e problemática russa.

No dia seguinte, ao retirar seus rolos de filme do pequeno armário que tinha pertencido, até há pouco tempo, a uma certa menina da terra dos bolcheviques, na correria rumo a Reading, Byron Parker levaria junto, sem saber, um rolo que não lhe pertencia, de alguém que ele não conhecia. E se algum bêbado se aproximasse num pub do Soho e se oferecesse para contar a triste história de Olga Svetlana, que queria dar, mas não conseguia, Byron, no mínimo, balançaria a cabeça e dar-lhe-ia as costas. Ao chegar em casa, então, revelaria as fotos da viagem e encontraria, no meio, estranhas imagens que ele não tirou, gente que ele nunca viu e paisagens que não visitou, como estas abaixo:





O enigma permanece. Quem será Olga? Terá ela existido? O que aconteceria se tivesse encontrado Byron? E o que me leva a crer que ela ainda permanece virgem?

* blue balls - ralar, ralar, ralar e não chegar aos finalmente. Suas bolas incham e doem. É horrível. E só resolve, por mais humilhante que isso possa parecer, no 5 x 1, tão logo se chegue em casa.

quinta-feira, janeiro 16, 2003

Bom, fui assistir ao filme do 007, é muito bom mesmo, o melhor com o Pierce Brosnan e ainda tem uma nova gatinha pra inspirar a bronha, Rosamund Pike. De quebra, toca London Calling, do The Clash!!!!!!!!!!!!!!!!



Só queria aproveitar o ensejo pra postar a versão hilária daquele texto do Vladimir Cunha, feita pela Flávia Durante , responsável pelo site Assessor Indie, cujo link eu coloco depois que ele voltar à ativa, e uma das primeiras pessoas que conheci aqui em sampa, apresentada pelo amigo em comum Fábio Sooner, outro carioca perdido. Junto com seu amigo Thiago Baraldi, criaram o relato do primeiro aniversário de Sashah Averbuck, futura filha da Clarah , que está mesmo grávida, mas não sabe ainda o sexo da criança (ou se já sabe, não me contou ainda). Ei-lo, então:

A PRIMEIRA FESTA DE ANIVERSÁRIO DE SASHAH AVERBUCK

Por Flávia Durante e Thiago Baraldi (inspirados em texto de Vladimir Cunha)


Sashah Averbuck está tensa. No colo da mãe, Clarah, ela ainda não conseguiu entender exatamente o que está se passando. Ao seu lado, Daniel Galera conversa com Cardoso, que cita uma poesia de Paulo Leminski, e come um brigadeiro com vódega. Sashah Averbuck está tensa. É a sua primeira festa de aniversário.


“Roquenrou child, roque / yeah / áu bêibe”. A música infantil escrita por Adriano Cintra especialmente para a festa é a trilha sonora da festinha na Funhouse. Nada de Companhia Bufa de Artes e Performances do Absurdo. CA resolveu ser mãe em grande estilo e contratou Alisson Gothz para se vestir de Pikachú. Fantasiado de Júpiter Maçã, um ator recita de trás para a frente toda a obra de Bukowski para algumas crianças. Do outro lado da sala, o Feichecleres e a Cachorro Grande vomitam no chão, enquanto ensinam a criançada as canções do The Who. Num canto, Daniel Galera dá uma entrevista para um fanzineiro escalado especialmente para cobrir o evento.


Enquanto as crianças não podem comer o spacecake, que traz pixado um RRRRRRRRRRÓQUE em sua cobertura – Clarah serve a elas copos de suco de gin tônica. Até que Kamille Violla tem a idéia de chamá-las para um karaokê indie.


Quem começa a brincadeira é Courtney Chinaski Svensson, dois anos e filha de Anne, a garota de Clarah. Courtney canta “Last Nite”, dos Strokes, em um inglês perfeito. Em seguida é a vez de John Arturo Bandini Fante Gomes, três anos e filho de Ilana e Clarah. O pequeno Johnny canta a música preferida das duas, aquela do Ween. Clarah fica emocionada e tasca um beijo na boca de Ilana. O papai Marcelo fica bem empolgado com a cena e já quer entrar no meio. Mas lembra da presença das crianças e sai pra procurar o Joo, que já tava doido com a barulheira e de comer o spacecake que caía pelos cantos.


É hora do Parabéns a Você. Os convidados reúnem-se em torno da mesa. E então, Clarah anuncia uma surpresa: quem irá cantar o Parabéns é Adriano Cintra.


Cintra, que andava meio sumido depois de sua entrevista para o Esquizofrenia Zine, aparece vestido com uma sunga de oncinha e um salto alto de Herchcovitch. Atrás dele, 315 guitarristas (nenhum baixo, é claro), blogueiros famosos e suas webcams e quatro poetas pop. Cintra começa a rebolar e cantar sua versão para Parabéns a Você:


- Uhh, bêibe (riff) bêibe roquenroooou (riff) are you a boy or are you a girrrl???


Mojo se empolga e começa a recitar poesias descontroladamente, Clarah improvisa alguns jazzes com o seu babai e vovó Averbuck ensina yoga para as crianças. Rái, a soulsister Desirée e Lia Amâncio caem na farra e Marcelo acha tudo “róooooooque”. Os blogueiros filmam tudo com suas webcams e Daniel Pelizzari escreve uma edição especial do Cardosonline. Os escritores pop aproveitam a confusão para vender uns livrinhos. Chega Mano Wladimir e sua mãe, Marisa Monte, que já quer encomendar o casamento com a jovem Sashah, mas Clarah bate a porta na cara de MM.


O executivo da editora Conrad, que entrou de penetra, contrata todos os presentes e promete CD, DVD, livro, blog, críticas favoráveis no Trabalho Sujo, participações de Jack White e Fab Moretti e especial na MTV. Pra comemorar, Cardoso põe um disco de Wander Wildner. O ator vestido de Júpiter Maçã cospe vinho. Clarah lê Paulo Leminski em voz alta. Sashah Averbuck chora. É a sua primeira festa de aniversário.

quarta-feira, janeiro 15, 2003

TALK SHOW




São 00:45 e, na falta do que fazer, fui bater um papinho com John Lennon e Jack, o Estripador . Lennon parecia meio distante, um tanto quanto fora desta realidade, como se realmente estivesse morto. Suas rusgas com Paul, aparentemente, deixaram-no transtornado demais para manter uma conversa inteligível. Julguem vocês mesmos:

John: Hey, this is John speaking (with his fingers). What's your first name?
Eu: Byron.
J: You don't need anyone to tell you who you are, Byron .
Eu: Well, you just did.
J: Maybe something interesting will happen.
Eu: Like what?
J: I don't know?
Eu: Huh?
J: I don't know? ? What?
Eu: Man, are you on drugs?
J: There is no message.
Eu: Has Elvis left the building?
J: No.
Eu: Oh, boy...
J: Yeah. I mean, we don't own the rights to it or anything.
Eu: Lennon, where are you now?
J: Where one could go this way or that way. There's a choice, and it's very strange sometimes. In a hotel.
Eu: What are you doing?
J: I'm chatting with people on the net.
Eu: Well, let me ask you something: Why is Yoko Ono so ugly?
J: That's interesting.
Eu: Did you really fuck that bitch?
J: It's conceptual.
Eu:What? Did she mindfuck you?
J: Interesting question.
Eu: Are you gonna answer me or what?
J: Yeah. Byron , let's change the subject.
Eu: Oh, man, you’re one sorry motherfucker!! I’m outta here!!
J: Yeah, until we get into the next bag.
(...)

Jack, por outro lado, soou como se estivesse muito excitado, ofegante, prestes a cometer algum ato insano. Mal sabia eu que era mais uma manifestação da forte tendência homossexual que norteava o âmago de seu ser e conferia a esta alma atormentada e devastada por dentro e por trás uma aversão a mulheres que passavam a vida a dar prazer a outrem (e não “ao trem”), em troca de míseros pennies (suportando não tão míseros pênis) que lhe garantissem os víveres e o whisky barato no velho Ten Bells Pub.

Ten Bells Pub – Spitalfields – London (eu tirei essa foto!!!!!!!!!!!!!!!!!)


Vejamos como o velho estripador não agüentou a pressão de Byron Parker e saiu do armário:

Enter your first name (by itself) and await saucy Jacky's response.
Eu: Byron.
Jack: My dear Byron , you'll hear about saucy Jacky's work tomorrow.
Eu: what are you gonna do?
J: Going to do ? Ask clever Abberline.
Eu: He’s been dead for ages.
J: Bastard Abberline bonnett hides all clue clever will tell you more.
Eu: Can I ask you something?
J: Ask i-something?.. If I could gorge an eye out and leave it by the whores body. I need more thrills, cannot live without my thrills.
Eu: Have you ever tasted real pussy?
J: No. Why do you ask?
Eu: That’s what I thought. Do you like the cock? (copyright by Jay and Silent Bob)
J: Unfaithful bitch.. Oh costly intercourse of death. Warmth is what I need, I shiver so. Curse this weather and the whoring bitch. How I succeeded in controlling myself I do not know.
Eu: Oh, so you do really like the cock... How long have you been sucking?
J: Don't expect it. I visited my mother and fathers grave. I long to be reunited with them.
Eu: Hey!! I’m not asking you to suck MY cock... I wanna know if Abberline fucked you from the rear too...
J: You wanna know if abberline fucked i-from the rear too ? Why?
Eu: Because I’ve never met a 100-year-old fag before.
J: They will never understand.
Eu: Now, don’t be a sissy...
J: I need time to put my mind in order.
Eu: ...AND YOUR ASS IN GEAR?
J: Where are you? Fool the fools.
Eu: Fuck off, Bee-yatch!!!! I’m gonna get medieval on your ass!!!!
J: I see your little game, Byron , and I mean to.
Eu: Ain’t nobody gonna get the best of me!!!
J: Prove you are no fool.
Eu: I’ll bust a cap on yo' ass, bitch!!! You’re in for a serious ass-whooping!!!
J: Before you leave, bookmark my page.
Eu: Fuck you...
J: You fool.
(...)

He, he, me, fool???

Byron.

P.S.: Se você assistiu a Do Inferno e gostou, se mata!!! O filme é uma merda!! Pra quem leu a magnífica estória dos 4 volumes da obra-prima de Alan Moore, que envolve arquitetos dionísicos, Londres vitoriana, loucura exacerbada e cega, corrupção policial e uma série de ângulos impossíveis de descrever, que me levou a passar mais tempo nas ruas de Whitechapel, no ano passado, do que no Palácio de Buckingham, é absurdo assistir a um whodunnit hollywoodiano que põe por terra a atmosfera de medo e insanidade que Moore construiu, com as tintas de Eddie Campbell. A melhor coisa já escrita em quadrinhos desde Watchmen . De quem? De quem?

terça-feira, janeiro 14, 2003

Pequeno aviso antes de dormir: Nem adianta ir ao cinema assistir, no ano que vem, ao Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei. Nessa imagem exclusiva abaixo, como vocês podem ver, Frodo falhou em sua missão:

segunda-feira, janeiro 13, 2003

Ainda estou com o backlash da gripe que me assolou neste finde e não me deixou dormir esta noite, então só vou postar um texto engraçado sobre a hipotética festa de um ano do filho da Marisa Monte (que recebeu o infeliz nome de Mano Wladimir), de autoria de um tal de Vladimir Cunha e que recebi por e-mail:

A PRIMEIRA FESTA DE ANIVERSÁRIO DE MANO WLADIMIR

Mano Wladimir está tenso. No colo da mãe, Marisa Monte, ele ainda não conseguiu entender exatamente o que está se passando. Ao seu lado, Carlinhos Brown conversa com Wally Salomão, que cita uma poesia de Caetano Veloso, que dá um brigadeiro orgânico (sem chocolate e sem leite condensado, cortesia do buffet Doces Bárbaros) para Zeca, que leva um pito da mãe, Paula Lavigne. Mano Wladimir está tenso. É a sua primeira festa de aniversário.

"Criança sã/De uma rã/Guardiã/Eu sou seu fã/Na manhã/Aramaçã/Cunhã". A música infantil escrita por Arnaldo Antunes especialmente para a festa é a trilha sonora da dança das cadeiras. Nada da Turma da Mônica, nada de atores desempregados vestidos de Pikachu. Aqui a coisa é diferente. MM resolveu ser mãe em grande estilo e contratou a Companhia Bufa de Artes e Performances do Absurdo para animar a festa. Fantasiado de Ed Motta, um ator recita de trás para a frente toda a obra de Eça de Queiroz para algumas crianças. Do outro lado da sala, um grupo de clowns (sim, porque numa festa como essa é proibido ter palhaço) ensaia uma volta à posição fetal enquanto ostenta reproduções dos parangolés de Hélio Oiticica. Num canto, Carlinhos Brown dá uma entrevista para uma repórter da revista Bravo, escalada especialmente para cobrir o evento.

- E aí, Brown? Está feliz com o primeiro aninho do Mano Wladimir?
- É uma coisa da modernidade nagô, no que tange a referência espaço/tempo do ciclo da história humana. O cósmico supremo da realização superlativa, a poética da bioenergia enquanto motor da sublimação ótica. É onde o eu e o tu fundem-se na epiderme inconsciente.
- E o que você deu de presente para ele?
- Pensei na questão do pacifismo, na guerra como catalisador das emoções humanas ao mesmo tempo em que atrai e repudia o ser. A máquina ceifadora que gera vibrações orgônicas, que tangencia e descontinua a unidade solar dos povos.
- Como assim?
- Eu dei um boneco dos Comandos em Ação...

Enquanto as crianças não podem comer o bolo de cenoura, aniz e mel de cana - que traz estampado uma reprodução de O Abaporu, de Tarsila do Amaral, em sua cobertura - Marisa Monte serve a elas copos de suco de gengibre e balas de cravo da Índia. Até que Paula Lavigne tem a idéia de chamá-las para um karaokê. Quem começa a brincadeira é Benedito Tutankamon Pedro
Baby, cinco anos e filho de um dos roadies de Arnaldo Antunes, que canta O Avarandado do Amanhecer, de Caetano Veloso. Em seguida é a vez de Zabelê Tucumã Nhenhé Çairã, três anos e filha da empresária de Carlinhos Brown, que canta Ana de Amsterdã, de Chico Buarque. Ao saber que a próxima criança a cantar é a impronunciável Zadhe Akham Mahalubé Sinosukarnopatrionitnafilewathua, filha da copeira de Marisa Monte, Paula Lavigne acha melhor suspender o karaokê.

É hora do Parabéns a Você. Os convidados reúnem-se em torno da mesa. E então, Marisa Monte anuncia uma surpresa: quem irá cantar o Parabéns é Carlinhos Brown. Brown, que andava meio sumido depois de sua entrevista para a Bravo, aparece vestido com um cocar feito de canudinhos de plástico, uma camisa de jornal e uma tanga de folhas de bananeira. Atrás dele, 315 percussionistas
da Timbalada, um videomaker e quatro poetas marginais. Brown pega um garrafão de água mineral e começa a cantar sua versão para Parabéns a Você:
- Vim para cantar/A tropicália alegria de um povo/Azul, badauê, zumbi/Ela não me quer/Mas sou um tacle regueiro/Viva o divino samba de João/Monarco na rua/Meu bloco chegou.

Arnaldo Antunes se empolga e começa a recitar poesias descontroladamente, Marisa Monte gorgeia e improvisa algumas melodias, a Timbalada toca um samba-reggae, Paula Lavigne cai na farra e Caetano acha tudo "lindo". O videomaker filma e Wally Salomão escreve o release. Os poetas marginais aproveitam a confusão para roubar uns docinhos.

Um executivo de uma grande gravadora, que entrou de penetra, contrata todos os presentes e promete CD, DVD, livro, críticas favoráveis no New York Times, participação de David Byrne e especial de televisão. Para comemorar, Arnaldo Antunes põe um disco de Lupicínio Rodrigues. O ator vestido de Ed Motta cospe fogo. Marisa Monte lê Mário Quintana em voz alta.

Mano Wladimir chora. É a sua primeira festa de aniversário.




PETE TOWNSHEND PRESO POR PEDOFILIA



Da reportagem da Folha de SP:

Pete Townshend, do The Who, é detido por suspeita de pedofilia

Reuters

Por Luke McCann

LONDRES (Reuters) - O veterano roqueiro britânico Pete Townshend foi detido na segunda-feira por suspeitas de posse de imagens indecentes de crianças.

A Scotland Yard disse que o guitarrista de 57 anos da banda The Who estava em custódia da polícia em uma delegacia de Londres.

Um porta-voz da polícia disse: "Ele foi preso sob o Ato de Proteção Infantil de 1978, sob a suspeita de posse de imagens indecentes de crianças, suspeita de produzir imagens indecentes de crianças e suspeita de distribuir essas imagens".

A polícia, em uma operação para combater a pedofilia, fez uma busca na casa de Townshend. Ele admitiu no sábado ter visto imagens de pornografia infantil na Internet mas apenas para intuito de pesquisa.

A investigação Operation Ore já resultou em mais de 1.300 prisões na Grã-Bretanha e se baseia em parte em informações fornecidas pela polícia americana. A imprensa britânica já deu a entender que alguns políticos britânicos podem ser suspeitos de envolvimento com pedofilia.

Antes de a polícia aparecer em sua casa, Townshend disse ao jornal The Sun que gostaria que a polícia revistasse seu computador para comprovar que ele entrara nos sites apenas para fins investigativos.

Ele disse que vem trabalhando incansavelmente para ajudar vítimas de abuso, mas que foi tolo em travar uma batalha sozinho contra a pornografia infantil.

O roqueiro disse que uma vez pagou para entrar num site.

"Dei uma olhada em sites de pornografia infantil cerca de três ou quatro vezes ao todo", disse ele ao The Sun.

"Mas só uma vez entrei num deles usando cartão de crédito, e nunca fiz download de nada. Fazendo uma retrospectiva, vejo que foi muito tolo de minha parte, mas eu estava tão irado com o que estava acontecendo que isso prejudicou minha clareza de julgamento."

Townshend disse que se sentiu ultrajado quando encontrou sites de pornografia infantil, seis anos atrás, quando navegava na rede com seu filho Joseph, que hoje tem 16 anos.

"Nunca comprei nenhum tipo de material de pornografia infantil e nem quero", contou ele ao Sun. "Vi a primeira foto horrível por acaso. Fiquei chocado e enojado até a alma."

Roger Daltrey, o vocalista do The Who, disse acreditar que Townshend é inocente. "Meu instinto é dizer que ele não é pedófilo e eu o conheço melhor do que a maioria das pessoas", explicou.

A modelo Jerry Hall, ex-mulher do Rolling Stone Mick Jagger, também apoiou Townshend, dizendo que ele a aconselhou sobre como impedir que seus filhos acessem sites de pornografia infantil por acaso e que ele não possui o perfil de alguém que pudesse abusar de crianças.





Que coisa, hein? Agora ele pode, como disse uma amiga minha, formar uma banda com o Gary Glitter e o Michael Jackson...





Minha garganta dói de tanto tossir. Meu nariz escorre e eu fico fungando. Meus ouvidos estão entupidos de tanto fungar. Minha cabeça parece pesar uma tonelada. Sinto-me fraco.

Não tenho vontade de escrever nada hoje. Prefiro enfiar uma tesoura repetidamente em minhas partes íntimas a ir pra balada e terminar de me fuder. É o clássico: minha única resolução de Ano-Novo é tornar a "música" Fitter Happier, do Radiohead (circa OK Computer) minha filosofia de vida (exceto pelo último verso, uma antítese da música inteira).

Fitter Happier

Fitter, happier, more productive,
comfortable,
not drinking too much,
regular exercise at the gym
(3 days a week),
getting on better with your associate employee contemporaries,
at ease,
eating well
(no more microwave dinners and saturated fats),
a patient better driver,
a safer car
(baby smiling in back seat),
sleeping well
(no bad dreams),
no paranoia,
careful to all animals
(never washing spiders down the plughole),
keep in contact with old friends
(enjoy a drink now and then),
will frequently check credit at (moral) bank (hole in the wall),
favors for favors,
fond but not in love,
charity standing orders,
on Sundays ring road supermarket
(no killing moths or putting boiling water on the ants),
car wash
(also on Sundays),
no longer afraid of the dark or midday shadows
nothing so ridiculously teenage and desperate,
nothing so childish - at a better pace,
slower and more calculated,
no chance of escape,
now self-employed,
concerned (but powerless),
an empowered and informed member of society
(pragmatism not idealism),
will not cry in public,
less chance of illness,
tires that grip in the wet
(shot of baby strapped in back seat),
a good memory,
still cries at a good film,
still kisses with saliva,
no longer empty and frantic like a cat tied to a stick,
that's driven into frozen winter shit
(the ability to laugh at weakness),
calm,
fitter,
healthier and more productive
a pig in a cage on antibiotics.


p.s.: Esqueci... também odeio RPG...

sábado, janeiro 11, 2003

SOBRE SER OU NÃO UM NERD E TER SUPER-PODERES

Será que eu realmente sou um nerd? Vejamos os fatos.

PORQUE EU SOU NERD:

1) Tenho certa dificuldade em me aproximar de meninas– Depende. Às vezes, sim, às vezes, não. É como eu já disse, o que atrapalha nem sempre é a timidez, mas o “bad timing”. E eu conheço pessoas que odeiam computador, escutam pagode e também são tímidas com o sexo oposto;

2) Eu tenho um Blog– Bom, ter um blog é um bom pré-requisito pra ser um nerd, porque pressupõe que você vai passar algum tempo em frente ao computador e conhece pessoas que também vão, ao menos pra ler as besteiras que você escreve. Mas, por outro lado, você tem gente conhecida como o Alysson Gothz e o Adriano Butcher , que com certeza não são nerds e têm blogs bem freqüentados;

3) Eu sou viciado em música/cinema/livros– Tenho um certo conhecimento nesses campos que é acima da média, mas eu poderia ser um aficcionado como o Patrick Bateman, de Psicopata Americano e seria charmoso o suficiente para conquistar mulheres e ter fama;

4) Gosto de quadrinhos de super-heróis– Já gostei mais. De alguns anos pra cá, eu realmente parei de comprar, mas tenho tudo o que saiu da Marvel e DC de 83 a 94, pelo menos. Hoje, não prendo a respiração se o Arqueiro Verde do Kevin Smith saiu nas bancas (pra falar a verdade, nem comprei ou vou comprar);

5) Uso óculos e era CDF na escola– Sim, eu uso (ou deveria usar sempre), mas só para dirigir e ler à noite. Meu irmão também é míope, mas pega onda, malha e gosta de Lulu Santos e the Calling. Quanto a ter sido CDF, sim, eu era, não nego, nem tenho argumentos do contrário. Foda-se.

PORQUE EU NÃO SOU UM NERD:

1) Odeio videogame– É verdade. Nunca gostei de videogame, sob que forma vier: Playstation, Master System, Sega, jogos de LAN House, de computador, enfim, N-Ã-O-G-O-S-T-O-D-E-V-I-D-E-O-G-A-M-E!! O último que tive foi um Atari. Sério. Ainda gosto de jogar, às vezes, pitfall e River Raid no emulador que baixei, mas enjôo fácil. Pinball me atrai mais. Ah, e tenho um Telejogo lá em casa. Não funciona, mas penso em consertar. Lembram do Telejogo? Uns pauzinhos toscos batendo uma bola quadrada em 8 esportes diferentes? Então...esse da foto aí embaixo foi o primeiro a sair... a minha versão é mais completa:



2) Não gosto de Sandman– Não precisa dizer, Alan Moore rules e Sandman sucks;

3) Não curto os Simpsons– Oooohhhhhhhhhh!!!!!!!!! Que sacrilégio!!! Que profanação!!!! Que desenho meia-boca!!!!! South Park dá de mil...

4) Não tenho vontade de assistir ao Senhor dos Anéis mais de uma vez– Li os livros há uns 10 anos, gostei bastante e os dois capítulos do filme são muito fodas, mas é isso aí. Já vi ambos num cinema fodão, não precisa mais, pelo menos até sair o DVD. Ainda estou enrolando pra assistir à versão extended da primeira parte que o Preacher me arrumou..

5) Não assistia a Caverna do Dragão quando era mais novo– olha, esse desenho era insuportavelmente chato!!! Eu juro que assisti a He-man e Thundercats, mas Caverna do Dragão não dá!!!!

Bom, todo esse papo pra dizer que eu me amarro em séries de TV a cabo bobinhas, como Popular e Smallville. Ok, é a adolescência do Super-Homem, mas é bem água-com-açúcar no enredo. Tem bons efeitos especiais e meninas bonitas (ao contrário das baranguetes que colocaram em Birds of Prey, sobre a filha do Batman e da Mulher-Gato), mas dá raiva ver o panaca do Clark Kent (Tom Welling) se derretendo por aquela menina com cara de formiga que faz a Lana Lang (Kristin Kreuk), quando você tem uma gatinha como aquelas interpretando a Chloe, que é a fim do cara:

Allison Mack:


Quanto aos super-poderes, eu fico imaginando qual deles eu queria possuir. Super-força só tem graça se você precisar bater em alguém. Invisibilidade, pode ser útil ao se entrar em um banheiro feminino, mas será que ele vem acompanhado de intangibilidade? Se alguém esbarrar em você, enquanto invisível, você vai sentir? Se for só pra ver e não tocar, também não serve. E quanto à visão de Raio-X? Esse é bem inútil, a não ser pra ver através de paredes (o banheiro feminino de novo). Ver através de roupas, não dá. Que graça deve ter enxergar peitinhos e pentelhos amassados e deformados por sutiãs e calcinhas? Porque é assim que eles vão estar, grande parte das vezes.

Eu queria um super-poder bizarro, como os dos heróis do engraçado filme Mystery Men (um só ficava invisível quando ninguém olhava, outro atirava colheres e outro ficava muito, muito nervoso). Talvez, quem sabe, o poder de fazer os outros se cagarem. Imagina só, aquele babaca que fica tirando onda na festa, um mané que implica com você, a menina que só te sacaneia... basta um “CAGUE-SE!!!!!” e a pessoa se borra, na hora. A sensação de fazer isso em público deve ser a pior possível, pior do que tomar uma porrada. É destruir com a pessoa na mesma hora. He, he, cool... Lembra-me também o hilário episódio da Nota Marrom , do South Park, em que Cartman descobre que uma certa nota musical tem esse efeito de fazer os outros se cagarem ao ser tocada e substitui as partituras de um concerto a ser transmitido pro mundo inteiro, com conseqüências aterrorizantes... e uma das melhores frases da série: “Quando eu achar (a nota marrom), vou fazer vocês se cagarem e então vocês se parecerão com a Karen Carpenter” *... Mau...

Até mais e, enquanto isso, CAGUEM-SE!!!!

* - vocalista dos Carpenters, que morreu de anorexia nervosa.

quinta-feira, janeiro 09, 2003

Contribuição deste blog para o programa Fome Zero: vá ao blog do meu camarada Preacher e veja as fotos da Thaís Ventura, ninfetinha de Niterói, na Playboy.
Eu tenho uma relação de amor e ódio com Sampa.

Minha primeira vez aqui foi naquelas excursões de sétima série pra Playcenter, Cidade da Criança, Simba Safári e tal. Eu e meus colegas de turma fomos tratados igual a vermes pela molecada paulista. Tinham medo de que a gente fôsse roubar as meninas deles (olha só, eu com 13 anos, o mais pega-nínguem do planeta), diziam que éramos malandros, enfim, vocês sabem da rixa. Minha impressão, junto com o visual lixão que pudemos contemplar, foi a pior possível.

Quando eu escolhi fazer o concurso pra cá, em 1997, foi por achar que tinha mais chances, pois o número de vagas era o triplo do RJ. Tinha um pouco de curiosidade também, pois sabia o quanto a noite de São Paulo era falada, principalmente no meio roqueiro de que eu já fazia parte. Uma simples questão de unir o útil ao também útil. Eu ainda não enxergava nada de agradável em São Paulo.

Quando eu me mudei pra cá de vez, não conhecia absolutamente nada nem ninguém na cidade. Dividia um apart-hotel com um colega de trabalho que também mal conhecia, mas compartilhava comigo a sensação de carioca perdido e, mesmo já instalado em um apê decente, após um ano, o mesmo em que me encontro agora, completei 2 anos sem fazer amigos aqui, exceto os colegas de profissão. Saía à noite, aproveitava ao máximo, mas ficava a sensação de que eu era um simples turista, eu não pertencia ali.

Nesse ínterim, eu passava a descobrir coisas boas de Sampa. As baladas (demorou pra eu parar de falar "night") roqueiras e de hip-hop eram muito animadas e em número bem maior do que as cariocas. Elegia a Vila Madalena como santuário. Transitava pela Avenida Paulista fascinado com os prédios. Ia à Galeria do Rock e outros muquifos escondidos exercer meus instintos consumistas. Mas também reclamava do trânsito infernal, do frio escroto do inverno, da poluição e da sujeira, das pessoas que a todo momento me perguntavam espantadas se eu era carioca, como se eu fosse um pinguim em Copacabana.

Com o tempo, muito tempo, por sinal, comecei a fazer amigos, conhecer as pessoas, ser conhecido. Sinto orgulho de ter me tornado, nos ambientes que frequentamos, o "Carioca". Simples. Prosaico. Mas nem sou o único nascido no Rio, o que confere ao título um grau de "I'm the man!!" Hoje, adoro-os indiscriminadamente, junto aos meus amigos do trabalho e, no momento em que a noite paulista não é mais aquela (de uns 2 anos pra cá), posso fazer com eles nossas próprias baladas.

E o meu trabalho não é menos importante aqui. Por conta de características regionais e arrecadatórias e da competência de quem trabalha comigo, ele assumiu uma qualidade e um potencial que eu acredito não poder encontrar ao exercer a mesma função no Rio. Mas isso não importa, agora.

Porque eu venho, de um ano pra cá, me lamentando a cada vez que volto do Rio pra Sampa. Poder desfrutar da diversão e da proximidade da maioria dos meus amigos e da minha família em apenas 2 ou 3 dias, com prazo de validade, transformou-se em tortura. E eu vi que era hora de voltar.

Voltar a comer pizza com ketchup, sem que ninguém reclame ou me olhe de cara feia.

Voltar a usar chinelo pra ir ao shopping perto da minha casa, sem causar espécie.

Voltar a não ter a pele seca e escamada, o saco reduzido a uma uva-passa, nem o queixo batendo por causa de frio, mesmo que isso signifique suportar 42 graus no verão.

Voltar a percorrer 50 quilômetros em perímetro urbano em apenas 45 minutos.

Voltar a querer sair mais de casa.

E passar a fazer coisas novas, como correr de manhã cedo na orla e na Lagoa, ver o pôr-do-sol na praia, curtir a Prainha numa segunda-feira, final de tarde, tomar água de côco, fazer tudo aquilo que é o estereótipo do carioca e que, quando criança, eu achava que iria fazer no futuro.

Eu realmente não gosto de ser branco assim. Nunca fui.

Se eu, há cerca de 2 anos, já cheguei a pensar em constituir família em São Paulo, peço desculpas à Cidade Maravilhosa por tamanha profanação.

O filho pródigo volta em breve. Mais sábio, mas não menos pervertido e menos carioca.

De São Paulo, guardo as lembranças e os amigos, que visitarei constantemente e espero que me visitem e me deixem mostrar porque voltei. Basta uma caminhada do Leme ao Leblon, um percurso de trem da Central a Santa Cruz, um passeio de carro de Grumari ao Pontal... eles vão entender...

O mais simbólico, talvez irônico, deste evento foi que o calendário marcava 08/01/1998 quando cheguei em Sampa pra morar. Exatos 5 anos ontem. Mesmo dia em que recebi a notícia de que iria voltar, definitivamente.

As coisas comigo acontecem assim. Quase predestinadas e eu ainda me surpreendo e balanço a cabeça, rindo. I should have known...

EU VOU VOLTAR!!!!!!!!! JULHO, RIO, CAPITAL... 6 MESES E CONTANDO...

quarta-feira, janeiro 08, 2003

E coloquei um novo site meter no blog, o que zerou a contagem...
E acabei de escutar o melhor CD de 2003 não-lançado ainda, "100th Window", do Massive Attack...
E vou continuar a baixar álbuns antes de serem lançados e filmes em imagens pixeladas e som ruim pra assistir no computador antes de estrearem e contar o final pros amigos, porque eu sou sem-graça mesmo e acabei de entrar pro rol das Pessoas Más ...
E descobri que doideira tem limite na Igreja de Jesus Cristo Elvis ...
E amanhã vocês vão conhecer a História de Olga Svetlana e o Free Spanking...

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