sábado, abril 26, 2003

QUANDO O ÓDIO É MAL-DIRECIONADO

Vou ser sincero com vocês. Eu sou anti-guerra, pacífico por natureza. Mas eu nunca vou dizer que sou anti-americano. Sim, sou colonizado, ouço música americana, minhas bandas preferidas são americanas (e pros indies que me respondem: "as minhas são inglesas!!" com cara de orgulho, lembrem-se que a Inglaterra está ali ao ladinho do Bush) e eu sou completamente contrário a essas passeatas que congregam estudantes e politiqueiros pra fazer bucha de canhão anti-EUA e depredar McDonald's. Continuo achando o Bush um grande filho-da-puta, ladrão e ganancioso, não tendo sido eleito de verdade e um retrato vivo do quão tacanhos são milhares de americanos que não aprendem com os erros do passado e confundem primazia mundial com responsabilidade paternal sem fundamento. Também acho o Saddam um assassino miserável, que merece morrer mil vezes, como todos os déspotas. O que não me impede de encarar essa guerra (e qualquer outra que a sana de poder Bushista pode vir a armar) injusta e desnecessária.

Mas o que a mídia conservadora americana não quer deixar que seja levado a público é que a maioria dos americanos (maioria, sim!!!!!!!) é contra a guerra de Bush. Esses 70% que se levou aos noticiários, de suposta aprovação do povo, são números manipulados. Mas quem é mais informado, sabe muito bem disso. Eu nem discuto mais com essa gentinha que já chega dizendo "Abaixo os EUA!!!! Morte aos ianques!!" ou coisa parecida. E quem está lendo isso aqui e se sentindo ultrajado, pronto pra me chamar de vendido ou qualquer outro adjetivo, até um ridículo "prostituto americano" (sério, eu já ouvi isso), então saia daqui e formate o seu HD, meu caro, porque eu duvido que você esteja acessando essa página pelo Linux.

Vou colar aqui um texto do Michael Moore, o diretor de Tiros em Columbine, que deu aquele discurso anti-Bush na entrega do Oscar, que retirei do Fórum da Alien Nation , tradução da carta colocada no site do próprio Michael :


Caros amigos,
Parece que o governo Bush terá sucesso em colonizar o Iraque em algum momento dos próximos dias. Esta é uma tolice de grande magnitude -- e pagaremos por isso pelos próximos anos. Não valeu a vida de um único garoto americano de uniforme, sem falar dos milhares de iraquianos que morreram, e a eles dedico minhas condolências e orações.

Mas, onde estão todas aquelas armas de destruição em massa que foram a desculpa para essa guerra? Ah! Há muito a se dizer sobre tudo isso, mas vou guardar isso para outra oportunidade.

O que mais me preocupa nesse momento é que todos vocês -- a maioria dos americanos que não apóia essa guerra -- não fiquem calados ou sejam intimidados pelo que será saudado como uma grande vitória militar. Agora, mais do que nunca, as vozes da paz e da verdade têm de ser ouvidas. Recebi muita correspondência de pessoas que estão com um profundo sentimento de desespero e acham que suas vozes foram afogadas pelos tambores e bombas do falso patriotismo. Alguns estão com medo de retaliações no trabalho ou na escola ou na vizinhança porque eles advogaram publicamente a paz. Eles ouviram diversas vezes que não é "apropriado" protestar uma vez que o país está em guerra, e que sua única obrigação é "apoiar os soldados".

Posso dividir com vocês o que tem acontecido comigo desde que usei meu tempo no palco do Oscar semanas atrás para falar contra Bush e essa guerra? Espero que, ao lerem o que estou prestes a contar, vocês se sintam um pouco mais encorajados a fazer com que suas vozes sejam ouvidas em qualquer oportunidade que lhes seja concedida.

Quando Tiros em Columbine foi anunciado como o vencedor do Oscar de melhor documentário na cerimônia da academia, a platéia se levantou. Foi um grande momento, algo que sempre irei guardar no coração. Eles estavam de pé e celebrando um filme que diz que nós, americanos, somos um povo singularmente violento, que usa nosso maciço acúmulo de armas para nos matar uns aos outros e para apontar para muitos países em todo o mundo. Eles estavam aplaudindo um filme que mostra George W. Bush usando temores fictícios para aterrorizar público para que este concedesse a ele qualquer coisa que pedisse. E eles estavam honrando um filme que declara o seguinte: a primeira Guerra do Golfo foi uma tentativa de reinstalar o ditador do Kuwait; Saddam Hussein foi equipado com armas dos Estados Unidos; e o governo americano é responsável pelas mortes de meio milhão de crianças no Iraque na última década devido a sanções e bombardeios. Este era o filme que eles estavam festejando, este era o filme em que eles tinham votado, e, então, decidi que era isso que eu deveria lembrar no meu discurso.

E, assim, disse o seguinte no palco do Oscar:
"Em nome dos nossos produtores, Kathleen Glynn e Michael Donovan (do Canadá), gostaria de agradecer à Academia por este prêmio. Convidei os outros indicados para a categoria de melhor documentário para subirem ao palco comigo. Eles estão aqui em solidariedade porque gostamos de não-ficção. Gostamos de não-ficção porque vivemos em tempos fictícios. Vivemos num tempo no qual os resultados fictícios de uma eleição nos deram um presidente fictício. Estamos agora fazendo uma guerra por motivos fictícios. Mesmo que seja a ficção das fitas adesivas (para selar janelas) ou os 'alertas laranjas' fictícios, somos contra essa guerra, senhor Bush. Tenha vergonha, senhor Bush, tenha vergonha. E, sempre que se tem o Papa e as Dixie Chicks contra você, seu tempo está acabando".

Enquanto falava, algumas pessoas na platéia começaram a aplaudir. Isto imediatamente fez com que um grupo de pessoas no balcão começasse a vaiar. Então aqueles que estavam apoiando as declarações começaram a gritar com quem estava vaiando. O Los Angeles Times relatou que o diretor do show começou a gritar para a orquestra 'música! música!' para me cortar, então o conjunto obedientemente iniciou uma canção e meu tempo estava acabado. (Para mais informações sobre o por quê de eu ter dito o que disse, pode-seler o artigo que escrevi para o Los Angeles Times, mais outras reações de outros lugares do país no meu site: www.michaelmoore.com).

No dia seguinte -- e nas semanas subseqüentes -- os especialistas de direita e os garotões dos programas de rádio pediram a minha cabeça. Então, todo esse tumulto me causou danos? Eles tiveram sucesso em me "silenciar"?

Bem, dêem uma olhada nos "efeitos colaterais" do meu Oscar: No dia seguinte ao que critiquei Bush e a guerra na festa do Oscar, o público de Tiros em Columbine nos cinemas em todo o país aumentou 110% (fonte: Daily Variety/BoxOfficeMojo.com). Na semana que se seguiu, o faturamento da bilheteria subiu incríveis 73% (Variety). É, no momento, o lançamento comercial em cartaz há mais tempo nos EUA. São 26 semanas seguidas e continua prosperando. O número de salas que está exibindo o filme desde o Oscar AUMENTOU, e já superou o recorde anterior de bilheteria de um documentário em quase 300%.

No dia 6 de abril, Homens Brancos Estúpidos [último livro de Moore] voltou ao primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times. Aquela foi a 50a semana em que o livro estava na lista, oito delas no primeiro lugar, e marca sua quarta volta para a primeira posição, algo que praticamente nunca aconteceu.

Na semana seguinte ao Oscar, meu site teve de 10 a 20 milhões de acessos POR DIA (num dia ele teve mais acessos do que o da Casa Branca!). A caixa de correio tem sido esmagadoramente positiva e encorajadora (e as mensagens de ódio têm sido hilárias!).

Nos dois dias seguintes ao Oscar, mais pessoas fizeram a pré-compra do vídeo Tiros em Columbine na Amazon.com do que do vídeo que recebeu o Oscar de melhor filme, Chicago.

Na primeira semana de abril, consegui o financiamento para meu próximo documentário, e me ofereceram um espaço na televisão para fazer uma versão atualizada de TV Nation/The awful truth (TV Nação/A terrível verdade).

Digo tudo isso para vocês porque quero contra-atacar uma mensagem que é dita para nós todo o tempo -- que, se você aproveita uma chance para falar publicamente de política, você se arrependerá para sempre. Isso irá causar danos de alguma forma, normalmente em termos financeiros. Você pode perder seu emprego. Outros podem não contratá-lo. Você perderá amigos. E mais e mais e mais.

Pegue como exemplo as Dixie Chicks. Tenho certeza de que vocês todos já escutaram que, porque a cantora da banda mencionou o fato de estar envergonhada por Bush ser de seu estado natal, o Texas, as vendas de seu CD "despencaram" e estações de rádio do país estão boicotando as músicas do grupo. A verdade é que suas vendas NÃO caíram. Na primeira semana de abril, depois de todos esses ataques, o CD continua na posição número um da Billboard e, de acordo com a Entertainment Weekly, nas paradas pop durante toda essa confusão, as Dixie Chicks SUBIRAM da sexta para a quarta posição. No New York Times, Frank Rich relata que tentou conseguir um ingresso para QUALQUER das próximas apresentações das Dixie Chicks mas não conseguiu porque eles estavam completamente esgotados. Sua canção Travelin' soldier (uma bonita balada antiguerra) foi a música mais pedida na internet semana passada. Elas não sofreram qualquer dano -- mas isso não é o que a mídia quer que vocês acreditem. Por que isso? Porque não há nada mais importante agora do que manter as vozes divergentes -- e aquelas que ousassem fazer perguntas -- QUIETAS. E que forma melhor do que tentar e tirar da praça alguns artistas com um pacote de mentiras para que o José e a Maria normais captem a mensagem de modo alto e claro: "Uau, se eles podem fazer isso com as Dixie Chicks ou com o Michael Moore, o que fariam com euzinho aqui?" Em outras palavras, cale a maldita boca.

E isso, meus amigos, é o propósito desse filme que acabou de ganhar o Oscar -- como aqueles que estão no poder usam o MEDO para manipular o público e fazê-lo agir da forma como devem agir.

Bem, as boas notícias -- se pode haver quaisquer boas notícias esta semana -- são que não apenas eu e outros não fomos silenciados, como nos reunimos a milhões de americanos que pensam do mesmo modo que nós. Não deixem que os falsos patriotas os intimidem a acertarem a pauta e os termos do debate. Não seja derrotado pelas pesquisas de opinião que mostram que 70% das pessoas estão a favor da guerra. Lembrem-se que aqueles americanos que foram pesquisados são os mesmos americanos cujos filhos (ou os filhos dos vizinhos) foram enviados para o Iraque. Eles temem pelos soldados e são intimidados a apoiar uma guerra que eles não querem -- e querem ainda menos ver seus amigos, família e vizinhos voltarem mortos. Todos querem que os soldados voltem para casa vivos e todos nós precisamos estender as mãos e fazer com que suas famílias saibam disso.

Infelizmente, Bush e companhia ainda não estão satisfeitos. Essa invasão e conquista irão encorajá-los a fazer isso de novo em outro lugar. O motivo verdadeiro para essa guerra é dizer ao resto do mundo: "Não se meta com o Texas -- se você tem o que queremos, vamos aí pegar!" Esse não é um tempo para que a maioria de nós que acredita numa América pacífica fique calada. Façam com que suas vozes sejam ouvidas. Apesar do que eles conseguiram fazer, este ainda é o nosso país.

Sinceramente,
Michael Moore.



Tiros em Columbine estréia no Brasil em 16 de maio próximo.

sexta-feira, abril 25, 2003

LOOK, MOM, NO BRAINS!!

Eu estive prestes a escrever. Eu juro que estive. A invasão dos homens-rato. Uma piada sem graça, pelo menos após 10 segundos de leitura. Um devaneio imbecil sobre como os ratos estão tomando forma humana e montando bandas de rock para se infiltrar no nosso meio, dominar nossas mentes e, por conseqüência, o mundo. O desejo do Cérebro do desenho animado do Cartoon Network. Colocaria fotos como essas aí abaixo, frisando o quanto gente como o Thom Yorke (Radiohead), o Matt Bellamy (Muse) e o Chris Martin (Coldplay) têm cara de rato. Faria versões toscas e infames dos sucessos, como em Bliss, do Muse:

"Give me that cheeeeeeeese and joy in my mind!!"





Colocaria nariz e orelhas do Mickey nas fotos. Nesse processo, eu perderia, talvez, 4 dos meus 6 leitores. Não dá. Eu não funciono dessa forma. Se não tenho o que escrever, se não rola a inspiração, fico dois meses sem atualizar mesmo e que se dane. Leiam meus arquivos antigos, leiam os Diários originais , vão conferir os links bizarros da Lia , vão catar coquinho.

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O HOMEM-GAG

Dentro do meu carro:

Byron: Te contei a história da gaúcha que passou 3 semanas na minha casa?
Homem-Gag: Não. Como assim?
B: Pois é, foi um favor a um amigo, acabei montando aí o Instituto de Caridade Carlos André, que funciona até hoje.
HG: Ha, ha, ha... É o ICCA?
B: Se ela é wiccan? Não, era meio esotérica, mas não se metia com essa coisa de bruxaria não.
(10 segundos de silêncio)
HG: Do que você ta falando?
B: Você perguntou se ela era Wiccan, eu respondi que não.
HG: Com tanta coisa pra perguntar, se ela era bonita, se ela era chata, se ela era, sei lá, amarela, verde, até alienígena, por que eu ia perguntar se ela era wiccan? Eu falei das iniciais do seu Instituto.
(5 minutos de risadas)
HG: Puta que pariu!! Só você mesmo. Isso é muito disléxico, a sua naturalidade ao responder a pergunta...
B: Que tosco...

(...)

No restaurante:

Homem-Gag: Eu tomei Amoxil ontem.
Byron: Eu não posso, sou alérgico a penicilina. Se eu tomar, pipoco todo. A minha garganta pode até fechar numa dessas. Fui tomar Keflex uma vez e fiquei cheio de bolinhas na cara. Também sou alérgico a picada de abelha.
HG: Eu sou alérgico a sulfa.
B: Eu também!!! Pelo menos é o que consta da minha ficha médica. Mas não sei realmente se é a algum composto do enxofre ou qualquer coisa que tenha sulfa no nome. Bebi água com enxofre uma vez, quando era pequeno, e vomitei horrores.
HG: Comigo, foi diferente. Eu descasquei todas as mucosas do meu corpo. Foi uma merda!
B: Todas?
HG: É, todas. Da boca, principalmente. E lá de baixo também (aponta pro pau).
B: Nooossa, que péssimo.
HG: É um processo horrível, uma dor insuportável, que eu não quero passar de novo, nem aconselho a ninguém, mas tem uma coisa muito boa no final.
B: O quê?
HG: Suas mucosas ficam novinhas em folha depois que descascam. O pau fica lisinho, renovado.
(risos)
HG: Sério, acho que eu fui uma das poucas pessoas que podem dizer que fizeram um peeling na cabeça do pau.
(a casa vem abaixo)

(...)

Assistindo a Placebo, duas da manhã. Acaba a fita, Homem-Gag dá um salto do sofá e aterrissa no tapete da sala.
Byron: Cara, olha o barulho! São duas da manhã. Você deve ter acordado a galera aí embaixo.
Homem-Gag (sabendo da concentração judaica do meu bairro): Ih, acordei um judeu!!
(risos)
B: Com certeza!
HG: Vai ser o novo programa do Faustão. (Imitando) Estamos aqui com nosso mais novo quadro: Acorde Um Judeu. (dá outro salto) Direto de Higienópolis.
B: Ha, ha, ha...Com o peso dele, o Faustão vai acordar o prédio inteiro.
HG: Pior, vai despertar todos os mortos do Holocausto...
(risos)

Cara, isso tudo foi pronunciado, entre outras tosqueiras, pela mesma pessoa, na mesma noite. Por isso eu gosto de ter amigos figuras. Ainda tiveram as seguintes frases/pérolas:

- "Eu odeio malabares!! Vou levar um estilingue pras raves e ficar acertando nas coisas que eles jogam pro alto!"

- "Vou formar um grupo tipo a Ku Klux Klan para enfiar a porrada em malabares!!"

- "Malabares, pra mim, é como um cara desmaiado de bêbado ou injetando heroína num canto: fundo do poço!"

- "No Rio não tem cybermano, tem cyberparaíba!"

Enfim, como costuma dizer meu camarada Fabinho (outro figura), em situações as mais inusitadas possíveis, "É a festa do caqui!!!!" De onde ele tirou isso, não sei...

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E eu sabia que, se algum dia fosse ter uma influência em qualquer coisa que saísse na mídia, seria com conotação negativa. Há duas semanas, gravei dois Cd's de Funk, só com os clássicos, as proibidas e engraçadas, pro Lima, segurança da Fun House. Comentei com o Lúcio Ribeiro, da Folha, que logo me pediu umas cópias pra ele também, fã assumido do funk carioca. Foi gravar na semana passada e ele já escreveu na coluna desta semana , em especial a Montagem Dermite, que utiliza sampler dos Smiths. Geral já ta me zoando e tem gente querendo uma cópia dos pancadões também. Se for pra distribuir pancadão, vou ter que chamar o Wallid Ismail pra ajudar... Só espero que, daqui a uns 2 anos, não se entre em uma boate indie paulistana e esteja tocando "Jack está de volta novamente" ou coisa parecida. Toma, to-toma, to-toma, toma, to-toma, to-toma!!!!!l

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Exercendo um de meus passatempos prediletos no finde em Sampa, fui à Fnac ler as revistas importadas que estão muito caras e acabei dando uma geral nos pocket books à venda. É impressionante o quanto livros de Neil Gaiman, Peter Straub, Clive Barker ou qualquer outro romancista de suspense / horror tenham que vir com um comentário idiota do Stephen King no verso ou na contracapa, como "Impossível de se largar da primeira página até o fim!!", por exemplo. Ele poderia comentar algum outro gênero ou autor. Sugestões:

Paulo Coelho: "Depois das primeiras 10 páginas de O Diário de Sméagol, não consegui colocar o livro de lado!! Derrubei Super-Bonder na capa e colei os dedos..."

Fernanda Young: "Fantástico!! Não entendi uma palavra, mesmo porque não sei ler Português, mas a textura do papel, a impressão das letras, tudo me deixou com os pentelhos eriçados!!"

Bradley Trevor Greive: "Uau!!! Bichinhos, animais em poses engraçadas, frases bonitinhas... Nunca senti tanto medo com um livro antes!! Apavorante!!"

Elio Gaspari: "Incrível! Sensacional!! Um dos melhores livros que já pararam em minhas mãos!! Se eu tivesse lido, teria gostado mais ainda!!"

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Descobriram que eu sou Googlável. Um amigo do Rio, procurando baladas em Sampa onde tocasse nu-metal, digitou no Google os seguintes termos para busca: "festa; SP; noite; nu-metal". Duas das 10 primeiras páginas de resultado eram dos meus Diários originais!!! Hoje fui conferir, já estão na segunda página, mas mesmo assim...

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When it rains, it pours... É verdade...

quarta-feira, abril 23, 2003

ANTHONY GAROTINHO, SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO RIO????????

NÃO!!!!!!! MINHA CIDADE NÃO!!!!!!!!!!!
ARCHIVES OF PAIN

Uma idéia amplamente divulgada na mídia em geral é a de que as melhores obras são criadas pelos artistas em momentos de sofrimento ou dor. Pode ser que uma maior sensibilidade ou fragilidade do indivíduo realmente permita que seu talento seja exposto mais espontânea e sinceramente, mas eu duvido que o resultado prime, na maioria dos casos, pela clareza ou objetividade. Como o que escrevo não tem a mínima pretensão de ser enquadrado como uma obra-de-arte, não me preocupo em associar o produto que vocês lerão a partir destas linhas com qualquer estado de espírito meu neste momento. Mas a grande verdade é que, por uma simples coincidência (ou não, vai saber se o que acredito é mesmo o mais sensato), eu estou num momento de dor.

A dor é física e não, eu não estou prestes a cortar os pulsos, desesperado, ou escutando repetidamente o The Holy Bible , dos Manic Street Preachers (que tem no título desse texto uma de suas músicas). Meu feriado teria sido melhor aproveitado se eu estivesse acompanhado de uma UTI móvel, já que fui acometido, gradualmente, de gripe e uma dor nas costas excruciante, que demonstra a minha atual ferrugem lombar (não tem nada a ver com "ferro no lombo", não sejam maldosos) e me permite continuar repetindo o bordão "Estou velho!!" para quem duvidar disso. Não contente em me fazer andar tal qual um C-3PO menos chato e tagarela, porém tossindo bastante, o acaso ainda me trouxe uma surpresa de Tiradentes: dor de barriga e disenteria, uma ironia cruel pra quem não ingeriu um grama de chocolate sequer nesta Páscoa. Se eu pegar esse maldito coelhinho, vai ter sopa hoje!!!!!!!! E que vocês tenham tido uma Feliz Páscoa:



Minha distância desse brógui abandonado também se deveu a tarefas extracurriculares, como apurar os votos, organizar a confecção e entrega do Mothafucka Awards 2003 do Fórum da Alien Nation , de onde participo. O esforço hercúleo acabou sendo bem recompensado, já que foi uma cerimônia gratificante, realizada no dia 12/04, na Cobal do Humaitá (RJ), bem divertida e que a grande maioria dos participantes apreciou, com inúmeras e constrangedoras fotos e um saldo de três prêmios para este que vos fala: Boarder Mais Sarcástico , Boarder Que Mais Faz Piadas/Citações/Comentários de Duplo Sentido e Boarder Com Maior Complexo de Aurélio. Olha os troféus aí:





Após veementes protestos dos meus 6 leitores sobre a freqüência de atualização desta joça, não posso me poupar de reprimendas, nem deixar de reconhecer o desleixo. Desculpem-me, mas não sou tão criativo ou bobo a ponto de inventar uma estória por dia, a não ser que eu comece a escrever coisas sem pé nem cabeça. Não que o que esteja registrado em meus arquivos neste site seja exatamente um retrato de sanidade, mas pelo menos condiz com uma realidade aceitável. Mas, já que vocês insistem, vou chutar o balde. Nos próximos 4 dias, nesta mesma URL: A INVASÃO DOS HOMENS-RATO.


GROSS

A palavra acima serve, na Língua Inglesa, para designar tanto o verbo que denota crescimento de arrecadação na bilheteria de um filme quanto o adjetivo de algo que é, pura e simplesmente, nojento. Em matéria de escatologia e outros comportamentos variados e completamente sem-noção, os americanos se mostram aficcionados e incapazes de resistir a filmes ou piadas desse gênero. Por isso o sucesso da série de TV, produzida pela MTV, que agora vira longa-metragem, Jackass (aqui no Brasil, Cara-de-Pau).

Composta por uma turma de dublês, skatistas e gente muito louca (não necessariamente nessa ordem), liderados por Johnny Knoxville (que interpretou o assistente bicéfalo e idiota da vilã de Homens de Preto II), a galera que participa dos seriados, aqui com um orçamento de 5 milhões de dólares nas mãos, o que é perigosíssimo para quem só tem idéia de jerico, comete, constantemente, atos arriscados, como se meter com jacarés, ser alvejado por balas de borracha ou testar apetrechos de segurança como tasers e spray de pimenta, escatológicos, como urinar no copo e beber, ingerir ingredientes para uma omelete, vomitá-los na frigideira e depois comer de novo, ou simplesmente idiotas, como se arremessar em arbustos e fazer corrida de carrinhos de supermercado. De vez em quando, uma idéia mais inteligente, ao estilo "pegadinha", aparece, como fingir que esqueceu o bebê em cima do carro ou fazer piadas constrangedoras com uma cidade real dos EUA chamada "Mianus".



Temos então o Bam Margera, skatista profissional, que vive atormentando seus pais com brincadeiras de mau-gosto e acordando-os de diversas formas no meio da noite; o Ryan Dunn, que é o mais propenso a se expor a cenas vexaminosas e degradantes; o Wee-Man, um anãozinho, que anda de skate pra cacete e protagoniza cenas que necessitam de anões, claro; o Steve-O, o mais insano de todos, que não tem amor à própria integridade física e é capaz de grampear coisas no seu corpo e enfiar buscapés no seu rabo; e outros participantes e colaboradores ocasionais (o Brad Pitt já participou de um episódio em que fingia ser seqüestrado).

Não me levem a mal, está longe de ser uma crítica ferrenha a tanta dedicação ao nada, mesmo porque eu sou fã assumido da série. Tudo bem, até o meu estômago se revolta com cenas como o campeonato de ingestão de ovos e os mergulhos constantes em esgotos e rios sujos, mas, de vez em quando, há cenas bem engraçadas. Este filme não foge disso, apenas dá mais recursos para que eles pratiquem suas sandices em lugares exóticos (no Japão, por exemplo) ou destruam completamente um campo de mini-golfe e tenham como pagar os prejuízos.

A quantidade de cenas engraçadas é a mesma da série, proporcionalmente ao tempo de duração. Tem umas realmente nojentas, até me recuso a contar aqui. Outras são tão idiotas, que nem dá pra rir. De qualquer forma, acho que vale a pena, pra quem já curte a série (que passa no Multishow e na MTV). Cenas como a Off-Road Tattoo, com participação do Henry Rollins e as peripécias dos caras maquiados como velhinhos (incluindo o genial Spike Jonze) são bem legais e divertidas. No total, uma hora e vinte de besteira.

Mas é melhor não levar pipoca ou comer nada antes. Depois não digam que eu não avisei.


MY NAME IS MUD (4º EPISÓDIO)

Recapitulando: Se eu conseguisse imaginar como seria o barulho do ar saindo por completo dos meus pulmões, teria feito naquele momento. Senti-me como no clipe de "Even Better Than The Real Thing", do U2, rodando, rodando, rodando...


... e o meu eu que não era o Byron saiu de dentro dele e passou a contemplar, de um plano superior, a cena que se desenrolava logo abaixo. Ao seu lado, meu terceiro eu, que também não poderia se confundir com nenhum dos outros dois. Carioca, Chacal, Byron, partes de um mesmo, mas diferentes entre si. Pronto, era só o que me (nos) faltava: esquizofrenia. Poderíamos formar uma banda com Mike Patton e Dan The Automator.

Mr. Michael Allen Patton foi mais conhecido por suas estripulias à frente do Faith No More, em sua fase mais showbiz. Tendo conferido os três shows do FNM no Brasil, do antológico Rock in Rio II até o vergonhoso Monsters of Rock (em que foram praticamente expulsos do palco), por muito tempo eles foram uma de minhas bandas preferidas. Ainda acredito que o álbum Angel Dust é o precursor do que se entende hoje por nu-metal. Mas Mike não parou por aí. Deixou os holofotes, mas continuou fazendo barulho nos bastidores, com seus 3.567 projetos paralelos.

Sua sanidade já era questionada bem antes do teatro vaudeville que ele encenava nos shows do Faith da época, uma vez que sua banda original, o Mr. Bungle, sempre co-existiu. Desta, confesso gostar de poucas músicas. O álbum Disco Volante me causa arrepios, não exatamente no bom sentido. Patton ainda se juntou a gente perturbada como ele para produzir dois álbuns solo (um com o não menos lelé John Zorn), que são simplesmente inaudíveis. Quem dera não se pudesse ouvi-los literalmente.



Mas foi com o Fantômas que ele começou a tomar gosto pela fama novamente, ainda que sob o título de cult. A idéia era boa, o visual idem, os colegas de empreitada mais ainda (Dave Lombardo do Slayer, Buzz Osbourne dos Melvins), mas o som só tem algo de palatável no álbum mais recente, Director's Cut , em que recriam temas conhecidos do cinema, como Godfather e The Omen, de uma maneira tão bizarra quanto alegórica. O álbum conjunto com os Melvins (Fantômas Melvins Big Band) também é muito louco. Após a fundação de sua gravadora, Ipecac, Mike começou a se envolver com outro indivíduo tão multifacetado quanto ele: Mr. Dan Nakamura, mais conhecido como Dan The Automator . Produtor de artistas como Kool Keith, com quem formou o Dr. Octagon, Del Tha Funkee Homosapien (no Deltron 3030) e Jon Spencer, Dan tornou-se mundialmente famoso como o responsável pelos beats contagiantes do Gorillaz (Damon Albarn e James Hewitt, my ass!!! The Automator é o verdadeiro gênio por trás da banda fictícia!!).

A primeira incursão de ambos na música foi o Lovage, uma continuação do projeto Handsome Boy Modeling School , do Dan com o rapper/produtor Prince Paul, ou melhor, Nathaniel Merriweather e Chest Rockwell (he he), um álbum fantástico, com várias participações especiais (Mike D, Miho Hatori, DJ Shadow, Kid Koala, etc.). O Lovage juntou a vocalista Jennifer Charles, do Elysian Fields, a Mike e Dan, Kid Koala, Damon e mais uma galera, com o álbum Music To Make Love To Your Old Lady By , lounge puro, com vocais reconfortantes e batidas calminhas, saindo no Brasil em edição nacional. Os dois ainda preparam uma nova banda, o Peeping Tom , cujas demos eu pude ouvir já na época do Audiogalaxy e que prometem bastante, música dançante com vocais soul. Que bons ventos o tragam logo!!

Mas, descontando a boa influência do Automator, demorou pro Mike cometer algo tão bom quanto o Tomahawk.



Com John Stanier (Helmet), na batera, Duane Denison (Jesus Lizard) na guitarra e Kevin Rutmanis (Melvins) no baixo, é o mais próximo que você vai ouvir do finado FNM. Meio progressivo, meio metal, meio punk, diversão desenfreada. O álbum de 2001 é puro deleite, desde a introdução contida de Flashback até o rockão à la Marilyn Manson de Jockstrap. E eles acabam de completar um novo petardo, intitulado Mit Gas, a ser lançado no dia 06/05, mas já disponível na rede. Preparem-se, crianças, porque este promete fazer todos se esquecerem por um tempo de que já houve um Faith No More. E é tão parecido com este último que chega a ser assustador. Pegue uma música como Digging the Grave, do álbum King For a Day... e junte o tom surreal de qualquer canção do Angel Dust. É mais ou menos o som que eles fazem aqui. Um álbum que abre com um canto de passarinhos, seguido de uma porrada tão boa quanto Birdsong não pode mesmo falhar. E aí vem Rape This Day, incrível. E Mike Patton começa a mostrar porque é o vocalista mais subestimado de todos os tempos. Músicas como Captain Midnight e Desastre Natural ainda lembram Mr. Bungle, mas, no geral, este é um álbum mais acessível e comercial para quem não curte as estranhezas de Mr. Patton.

"Jockstrap. You rap. G-string. I sing. Jockstrap. You rap. G-string. I sing. Jock..."

- Byron, você tá bem? - pergunta Letícia, como se assoprando depois de bater com força. Percebi que estava, mais uma vez, falando sozinho. So much for not making a scene. Pessoas já se afastavam de mim.

- Sim, por um instante, perdi a respiração - respondi. - Mas eu compreendo o que você quer dizer. A gente deveria dar um tempo mesmo. Ficar sem se ver.

Minha boca deixava escapar essas palavras, mas quando eu me colocava em pé de igualdade com ela, descia aos seus 20 anos, o garotinho de 10 que faltava pra completar a nossa idade ficava dentro de mim, me esmurrando e repetindo: "Eu quero!! Eu quero!!"

- Isso, meu lindo, não se afobe não, que nada é pra já...

- Não sabia que você fazia parte do elenco de alguma refilmagem de Tieta do Agreste.

- É uma música, deixa pra lá.

Ela não ria mais. Não cheguei a notar quando o seu senso de humor tinha regredido do mordaz para o grosseiro, o insensível. Na minha ânsia de querer sempre o amanhã hoje, eu me via como o garotinho CDF do fundo da sala-de-aula, que vivia levantando o dedo pra responder às perguntas feitas pela professora, que, por sua vez, o ignorava de propósito. Era assim que eu via Letícia, uma constante afronta a tudo que eu entendia como justo, como merecimento por ser um cara legal. E tão desejável, que dava nojo ela não ser minha. Ódio!! Ódio!!! Ó... Foi, nesse momento, naqueles instantes em que parece que você viu um fantasma, que eu senti, eu realmente senti, mãos tocando o meu rosto, fazendo um caminho com as pontas dos dedos, depois a boca, desenhando os lábios...e eu enxerguei um horizonte. Num átimo de segundo, como quem recobra a consciência após anos de letargia, eu percebi toda a verdade sobre Letícia Frost.

Letícia não existe. Não a personagem em si, mas o conceito dela. Ela era um amálgama de todos os fracassos e sucessos amorosos que eu tive, a consolidação de uma utopia mais palpável, uma expectativa de alguém que, mesmo se fosse real, seria perfeita demais pra mim. Não seria o cúmulo da ironia? Eu a criei e ela não quer nada comigo. Alguém que fosse capaz de me deixar apaixonado até poderia querer arrancar a minha cabeça, mas saberia exatamente o que estava levando junto.

Elegendo constantemente a minha mais nova musa como o prato do dia num restaurante pé-sujo, eu nunca visualizei além da idéia inicial, do invólucro. Seria, teoricamente, razoável imaginar que a aparência exterior é inversamente proporcional ao conteúdo, mas eu preciso tanto dessa filosofia pessimista quanto preciso de uma prótese peniana. É possível se conseguir ambos, sempre foi, mas a ilusão criada na figura de Letícia me cegava. E agora eu sabia que, para dar continuidade à perspectiva de algo diferente que surgiu nesta epifânia fantasmagórica por que tinha acabado de passar num bar lotado, onde algum cabeludo tatuado e com um alargador de orelha quase babava no meu ombro, eu teria que fazer a Lê sumir. Porque tudo tem uma data de vencimento. Mas se ela desaparecesse por completo, eu, além de me expor ao ridículo perante mim mesmo, por estar conversando esse tempo todo com um lugar vazio, ainda teria que admitir que vinha vivendo no mundo dos sonhos.

Encarei com placidez seu lindo rosto, que eu sabia agora não estar realmente lá, mas que continuava a me encarar, como um arquivo que já sabe que vai ser deletado, um HAL-9000 que decide não se rebelar contra a própria sorte. Foi mais fácil do que eu pensava:

- Acho que é hora de você ir.

- Sim, respondeu. Só isso. Levantou-se, beijou a palma da mão e encostou-a no meu rosto. Não me virei pra vê-la sair. Sabia que, ao fugir do meu campo de visão, ela já não mais existia. Bebi mais um gole da minha Skol, já quente. De um ar resignado, mas satisfeito, rumei em direção à pista, fui dançar ao som do Devo. "It's a beautiful world we live in..."

THE END?

quinta-feira, abril 03, 2003

Só eu mesmo pra cair em piada de primeiro de Abril...

Alan Moore, thanks God, continua vivo e são... quer dizer, são ele nunca foi...

É isso que dá voltar a assistir Gato Félix...

quarta-feira, abril 02, 2003

R.I.P. ALAN MOORE!!!!

Na falta de uma expressão melhor, "que merda"!!!!!

Era o único cara que ainda me fazia comprar quadrinhos...
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