quinta-feira, setembro 25, 2003

SE ESSE BLOG, SE ESSE BLOG FOSSE MEU...

Se esse blog fosse meu realmente, não de um personagem pretensioso e raramente brilhante que criei num devaneio balzaquiano, talvez fosse da seguinte forma que vocês o leriam:

BOTAFOGO, RJ, 24/09/2003

08:00 - Acordo de um sono pesado. Minha barriga dói. Muito. Os resquícios do sono ainda me deixam no efeito "só-mais-dois-minutinhos" do qual, inevitavelmente, demoro bem mais do que dois minutos para sair.

08:10 - Eu sei que preciso trabalhar hoje. Continuo deitado.

08:25 - Levanto, tomo um Buscopan pra tentar aliviar a dor e deito com a cabeça na mesa da cozinha. Volto pra cama.

09:05 - Decido despertar de vez. Dor ou não, empurro meu café goela abaixo. Como minhas roupas sujas se acumularam à espera da minha máquina nova de lavar (mais à espera da minha decisão de comprar uma do que da sua entrega física, na verdade), sou obrigado a lavar algumas cuecas, ou vou ficar sem roupa de baixo.

09:20 - Coloco água no vasinho de margaridas e deixo-o pegar um pouco de sol na beira da janela.

09:35 - Primeiro sinal de que algo deu errado com meu café-da-manhã e a dor não é á toa. Corro pro banheiro e passo mal. Maldita SII ou seja lá o que for!!

INTERLÚDIO EXPLICATIVO: Síndrome do Intestino Irritável (SII) ou O Mal Que Me Assola (não indicado para estômagos fracos)

Sempre tive problemas intestinais. Sempre. Desde quando descobri que sou uma pessoa considerada Ansiosa sofro a influência do stress no meu corpo. Na pele, às vezes. Mas meu intestino é quem recebe quase toda a minha tensão. Tudo bem, sou um cara azarado e já comi muita porcaria na minha vida, por conta das viagens que fazia em época de faculdade para Cultura Inglesa e Aliança Francesa e do meu tempo passado fora de casa. Assim, já contraí três infecções intestinais sérias, duas delas dando seguimento a contaminação por protozoários (giárdias e amebas). Conheço bem o coquetel de remédios que sempre fui obrigado a tomar nestes casos e já sei me prevenir quando surge uma nova ameaça. Secnidazol, Floratil, Buscopan, Cipro, Pedialyte pra hidratar, foda-se meu organismo.

Não preciso explicar o quão desagradável é você sentir tanto a urgência de passar o dia inteiro no banheiro quanto a dor e as cólicas que isso acarreta mais tarde. É uma das piores sensações ever. Em lugares públicos, é um horror. A dieta que sou obrigado a seguir, então, é sofrível. Nada de leite e derivados (qualquer tipo de queijo, exceto ricota), nada de verduras, nada de carne vermelha, nada de frituras, nada de alimentos gordurosos... Basicamente, proteínas de carne branca, carboidratos e fibras solúveis... ou seja, conserta de um lado, piora do outro: meu estômago. É nessas horas de alimentação rica em farinhas e massas que minha gastrite ferve. Sim, porque TODO MUNDO tem gastrite, por que eu não teria? Segundo a endoscopia, Gastrite Discreta Crônica.

Havia tido uma dessas infecções em julho do ano passado. Na época do Reading Festival e de minha viagem, já estava bem, mas ainda tinha que manter a dieta. Quem leu meus posts iniciais lembra-se disso. Demorei pra poder comer uma pizza de novo. De lá pra cá, uma vez ou outra, algo mais pesado me afetava e me deixava mal. Até que, frente ao caos estressante de minha remoção / mudança SP-RJ, mais especificamente no dia 15 de agosto, 4 dias antes do meu aniversário, juntamente com uma dor de dente abismal que me levou a fazer tratamento de canal dias depois, ELA voltou. With a vengeance. Mandei a primeira série de remédios pra dentro. Uma semana depois, ELA continuava a me assolar. Fui ao médico, relembrei com ele meus males passados, contei minha história intestinal e ele deduziu que, uma vez eliminada a hipótese de contaminação, eu tinha algo que se chamava Síndrome do Intestino Irritável. E me deu um remédio caríssimo. Se eu não melhorasse em duas semanas, que retornasse lá.

SII, em resumo, é algo que muita gente tem ou já teve e não sabe. Uma forte irritação do intestino, seguida de prisão de ventre ou diarréia intensa, causada, principalmente, por stress ou situações de extrema ansiedade, podendo ser esporádica ou recorrente. Para pessoas ansiosas como eu, é recorrente. Pode vir e ir embora rapidamente ou ficar por um bom tempo. Isso me cheirou, de cara, a algo que não deveria se dar nome, já que é mais psicossomático do que patológico, mas serve para o médico se safar e não ter que dizer: "Não faço a menor idéia do que você tem".

Eu poderia rir da minha triste sina. Como disse o Gustavo, "Gastrite Discreta? Intestino Irritável? Que interessante... seus órgãos têm personalidade!!" Mas não agüento mais a dor que vem e vai e a insegurança de passar mal na rua ou não.
Retomando...

09:45 - Incrivelmente inseguro com esse backlash, ligo o computador e aguardo pra ver o que mais vai acontecer. Não me atrevo a sair de casa nesse momento.

10:40 - Após quase uma hora de navegação, continuo com a dor, mais branda. Acho que poderei, enfim, trabalhar. O interfone toca. Minha máquina de lavar chegou.

10:55 - Desembrulhada a Brastemp, minha euforia com o brinquedo novo acaba quando percebo que a tomada na parede é diferente do plug da máquina. Droga. Nada de lavar agora. Ligo o ferro de passar.

11:00 - Passo a calça que usarei no trabalho e começo a passar a camisa. Percebo que falta um botão nela.

11:20 - Após um tempão procurando agulha e linha, desisto. Pego outra camisa pra passar.

11:30 - Tomo um banho, me arrumo e vou escrever cartas de desfiliação e mudança de endereço para minhas Associações, em SP e em Brasília, respectivamente.

11:45 - Sento ao computador novamente e elaboro planilhas para meu trabalho de hoje. Esta frase soou mais importante e pomposa do que o trabalho realmente é.

12:30 - Saio de casa, finalmente. Desisto de passar na Voluntários e checar a compra de ingressos para o Festival do Rio. Foda-se, não vou poder ir na maioria dos filmes mesmo, um monte deles já está para aluguel na Cavídeo e outras locadoras de DVD importado em Ipanema e já havia comprado ontem o ingresso para a sessão bombante de Rocky Horror Picture Show no Odeon, sábado à meia-noite.

12:40 - Inseguro, sem saber se vou passar mal ou não, me sentindo fraco e mole, pego o metrô. Dez minutos depois, desço na Cinelândia da mesma forma.

13:05 - Após sacar dinheiro no banco, desço a México em direção ao Aterro. Paro numa lojinha de produtos naturais e, pelo avançado da hora e situação delicada do meu intestino, resolvo não almoçar. Como dois salgados integrais e um guaraná natural. A cada mordida, já imagino a comida batendo no estômago e causando uma reação em cadeia que vai resultar em uma das seguintes ações:

(a) Vou me cagar ali mesmo;
(b) Uma dor excruciante vai se espalhar pelo corpo inteiro e eu vou gritar;
(c) Vou vomitar tudo em cima do balcão e outras pessoas, presenciando a cena, vomitarão em uníssono;
(d) Vou morrer;
(e) Vou me cagar 100 metros mais pra frente.

13:30 - Tendo mastigado tudo beeem devagar, pago minha conta e, com medo de encarar o dia ensolarado que se mostrava à minha frente, respiro fundo, dou um passo da loja pra calçada e... de repente, me sinto bem. Muito bem. Não, a dor ainda existe, mas é um fantasma pouco incômodo. Mas a fraqueza sumiu, a sensação ruim evanesceu e eu percebo naquela hora que a comida iria permanecer no meu estômago por um bom tempo.

13:35 - Posto as cartinhas, tiro xerox das planilhas e rumo em direção ao viaduto que atravessa o Aterro, desembocando no MAM. Dirijo-me calma e serenamente ao prédio da Varig, atrás do Santos Dumont, onde farei serviços até o mês que vem.

13:50 - Saio de frente à orla, por trás do MAM e do Boqueirão, e me encanto com a vista esplendorosa da Baía de Guanabara, plena e sem cortes. Juro que na semana passada, quando peguei aquele caminho pela primeira vez, quase tive um infarto ao me deparar com esta vista, de cuja existência eu permanecia ignorante, em 31 anos de vida. Nunca a Baía esteve tão perto, as ondas batendo nas rochas, os pescadores descalços nas pedras, a ciclovia e uns quiosques beirando o mar. Qualquer um deveria, pelo menos uma vez, fazer este percurso. Sim, definitivamente, eu me sinto bem agora.

14:02 - Entro no prédio da Varig. Trabalho. Não vou dar detalhes, é confidencial mesmo. Mas meu instinto sádico se regojiza a cada segundo decorrido.

17:15 - Termino o que tenho pra fazer hoje e saio. Faço o mesmo caminho pra voltar ao metrô.

17:42 - Resolvo fazer compras. Quero estrear minha máquina de lavar logo. Vou comer algo no Rei do Mate. Mate com cupuaçu. Adoro.

18:05 - Jogo na Mega-Sena. Não vai ter concurso hoje, só no sábado. Número 500, é especial, parece. Não adianta, sou viciado em jogos lotéricos. Jogo na Sena há quase 10 anos. Já fiz 4 quadras, somente, até hoje.

18:15 - O cara da loja de material elétrico me aconselha a trocar o miolo de minha tomada e não usar adaptador. Colocar também um fio-terra, porque a máquina de lavar puxa muita energia. Droga. Estréia mais uma vez adiada.

18:20 - Compras no supermercado. Derrubo um pouco de água sanitária na minha calça. pego correndo uma garrafa de água mineral, abro e jogo em cima. No meio do supermercado. Um funcionário olha de longe. Obviamente, tenho que comprar a água mineral.

18:45 - Chego em casa, vou ler a Rock Press deste mês (Raveonettes na capa).

20:10 - Volto à maldição da Internet. Coluna do Lúcio não saiu, posto no fórum do volume One, converso no icq, leio blogs das pessoas, leio o jornal online. Nesse meio-termo, faço comida de doente (pelo menos dá pra comer batata assada, viciei nessa porra) e tento ler a Veja enquanto baixo uns vídeos. Merda de E-Mule. Passo mais de uma hora pesquisando filmes em Divx pra baixar. Esqueço que os inéditos que tenho aqui (American Pie 3, Counter-Strike, Tomb Raider 2) ainda não foram assistidos. Preciso parar de adquirir as coisas só pra tê-las. Por isso há mais de 200 revistas não lidas e embrulhadas na minha sala, mais de 15 livros pra ler e vídeos pra ver. Ansioso é isso aí...

23:40 - Tomo outro banho e permaneço de cueca sentado ao computador, terminando de escrever este post gigantesco.


BOTAFOGO, RJ, 25/09/2003.


00:35 - Chega, vou dormir. A privação de cafeína durante o dia (só tomei um pouco de manhã) está me derrubando. Preciso capotar. Tchau.



maldito blogger...

terça-feira, setembro 09, 2003

A LIGA EXTRAORDINÁRIA



Ok, antes de dar minha opinião sobre esse filme, é preciso saber a quem ela será dirigida. Vão assisti-lo, basicamente, 3 grupos de pessoas:

- Os que leram a magnífica obra em quadrinhos do mestre Alan Moore e Kevin O'Neill (lançada no Brasil em 3 volumes) e aguardavam ansiosos por esta adaptação para a telona;

- Os que não leram a obra, mas gostam de quadrinhos e acham o Alan Moore (Watchmen, Do Inferno, A Piada Mortal, V de Vingança) um cara que sabe das coisas.

- Os que não fazem a mínima idéia do que eu estou falando.

Se você faz parte deste último grupo, pare de ler agora e pode ir ao cinema sem problema. Você vai, pelo menos, se divertir com um filmeco típico de Sessão da Tarde.

Se você pertence ao segundo grupo, assista ao filme com cautelas. Também pode parar de ler por aqui, mas leia os quadrinhos depois e vai perceber o que aconteceu. Você pode até se divertir, mas só antes de ler.

Agora, se você, assim como eu e uma porrada de gente que conheço, faz parte do primeiro grupo, leve 2 dúzias de ovos pro cinema, quebre a porra toda e peça o ingresso de volta. Ou nem vá. Porque este filme, diante das minhas expectativas, é uma grande merda!!!! E leia a seguir pra não dizer que não avisei.

A obra de Alan Moore é completamente esquecida em quase a sua totalidade. Dos fantásticos quadrinhos, só sobraram os heróis principais, o vilão e a idéia de reunir personagens da literatura mundial num super-grupo para combater um inimigo misterioso da Coroa Inglesa. Nada de cavorita, nada de armas aéreas infalíveis, nada de chineses invocados ou batalhas navais. A envolvente estória criada por Moore, que já possuía tudo para ser diretamente adaptada para o cinema, tal a agilidade cenográfica que ela possuía, deu lugar a uma trama ridícula sobre armas avançadas, alemães e clonagem das particularidades dos integrantes da Liga para criar um exército.

O Allan Quartermain (As Minas do Rei Salomão) nada mais é do que Sean Connery fazendo o mesmo papel de sempre, sem a decadência e o vício em láudano que o degradavam nos quadrinhos. Mina Harker (Drácula), que só dava pistas nos quadrinhos de sua condição de vítima do Vampiro-mor (condição esta que não chegou a ser revelada), no filme, é uma vampirona explícita e sanguinolenta e mal-interpretada pela caricata Peta Wilson (a Nikita da TV). Hawley Griffin, o Homem Invisível de H.G. Wells, não aparece aqui. Provavelmente, faltou dinheiro para os direitos autorais. No seu lugar transparente, um tal de Rodney Skinner, que é bonzinho, enquanto, na revista, o personagem era um pedófilo, assassino e estuprador. Dr.Jekyll ( O Médico e o Monstro) não é, no filme, metade do indivíduo esquálido e medroso que vemos na obra, enquanto Mr. Hyde também não é metade do selvagem ali presente. O único corretamente transposto é o Capitão Nemo (20.000 Léguas Submarinas), tão soturno quanto nos quadrinhos (porém, não tão amigo da Rainha como se mostra). O Nautillus, seu barco, entretanto, está completamente irreconhecível!! Ainda inserem, de quebra, mais dois "nada-a-ver" nessa Liga, o Dorian Gray do retrato que envelhece e o Tom Sawyer (o primeiro nome nem é mencionado..oops, faltou grana de novo), que mais parece um surfista com sotaque caipira.

Os quadrinhos vinham com tudo pronto e, apesar do grande apuro visual que continham, o que demandaria zilhões hollywoodianos para adaptá-los com fidelidade e redução da carnificina ali desenhada, possibilitavam pequenas adaptações, plenamente aceitáveis. E o pior, enquanto Moore não subestimava a inteligência de seus leitores, que já deviam conhecer previamente os personagens, aqui, neste filme, a origem de cada um deles é, ao longo de sua duração, minuciosamente explicada, o que dá a entender que este é um filme pra burros (League For Dummies).

Foda-se mil vezes quem realizou esta bosta!!!!! E parem de adaptar Alan Moore!! Do Inferno já foi um lixo, não quero nem ver o que será dos Watchmen!!!

FREDDY VS. JASON



Ao contrário da Liga..., não acredito que exista alguém que não conheça os Srs. Freddy Krueger e Jason Vorhees. Ícones do cinema slasher, são trash desde o nascimento, desde quando tentavam ser sérios até quando começaram a se ironizar, nos filmes mais recentes. Obviamente, quando você sabe que um filme desses vai ser colocado em prática, não se pode mesmo esperar nada mais do que podreira pura.

E, surpresa, surpresa, o resultado final se mostra mais divertido do que se tinha idéia!!

O enredo, por mais clichê que pareça, tratando-se deste gênero, não é tão absurdo assim e funciona bem. Basicamente, Freddy está fraco demais e não pode retornar aos sonhos dos habitantes de sua cidade natal porque a polícia apagou qualquer traço de sua existência, fazendo com que ninguém mais tenha medo dele. Para isso, ele encontra com Jason no inferno (hahaha) e ilude o mesmo em seus sonhos eternos, ordenando, na pele de sua mãe, que ele volte ao plano mortal para liqüidar uns adolescentes cheios de hormônios na boa e velha Elm Street, espalhando o medo, que dará força para o retorno de Krueger. Mas Jason não se mostra tão fácil assim de se manipular.

O que se segue é uma série de boas risadas, sangue esguichando, mortes absurdas e até uma revelação (ou lembrança, não me lembro se já foi contada em algum dos Sexta-Feira 13) lá pro final do motivo do seu ódio por teenagers trepando.

Já que o filme não dá medo mesmo, o negócio é pegar o baldão de pipoca e se deleitar!!!




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