quinta-feira, março 16, 2006

A TRUPE DO PALHACINHO

Não se deixe enganar, caro concidadão carioca. A trupe do palhacinho está acabando com o Rio de Janeiro. Foi uma tragédia anunciada aos quatro ventos, ninguém se amotinou, não havia insurgentes à espreita comunicando-se por mensagens em código. Nenhum levante-surpresa, pas de blitzkrieg. A revolução que está transformando o Rio em Santa Teresa entrou pela porta da frente, escancarada, fez barulho e ninguém percebeu, entrou no quarto e comeu a vadia já de pernas abertas na cama. Sem camisinha.

Pode espernear à vontade, roqueiro fluminense, os barbados vieram pra ficar. Culpa de quem? Loser Manos, claro. Tinham que vir com a babaquice "sou-autêntico-me-respeite", não? O primeiro álbum é bom, vá lá, mas não, o negócio é desencavar o samba de raiz, a velha guarda dos morros, a malemolência e o espírito da velha Lapa boêmia, do Carnaval do Rio antigo. Ah, e por falar em arlequim e pierrô, por que não enfiar no meio uns palhaços também? Aquela temática de circo, do galhofeiro triste por trás da máscara, da fanfarra e o som do trompete desafinado morrendo no fim do baile. Bem aprazível, não é? E se o público não comprar, pelo menos mantivemos a integridade artística. E forma-se aí a trupe do palhacinho.

Ah, faça-me o favor!! Carnaval tem só 4 dias!! Cartola é acessório de mágico!! Madame Satã é uma boate gótica de Sampa!! Seu Jorge é o açougueiro da esquina!! E samba de raiz é o caralho!! Pega um aipim, enfia no rabo e rebola, então!!!

Palhaço bom é o do Poltergeist!! E o John Wayne "Pogo" Gacy!!

O que fizeram foi cimentar toda uma geração de neo-hippies maconheiros, de barba grande, cabelo desgrenhado, camisa florida e sandália de couro, ou macacão e chinelo de dedo, e pavimentar a estrada pra uma fauna de artistas (???) e bandas da mais alta insuportabilidade sonora: Monobloco, Zeca Baleiro, Farofa Carioca (e o impronunciável por mais de uma vez - Candyman-style - artista-solo que destruiu Bowie), Orquestra Imperial e tantos outros. E o pior de tudo, ainda incentivou essa ondinha de festas de "samba-rock", algo só menos desprezível do que "forró universitário".

E é por isso que o rock está morrendo nessa cidade, nas festas vazias, nos shows sem público, nos festivais fracassados, nas apresentações canceladas.

Pena que o piloto dos Mamonas também tenha morrido no acidente. Precisamos de mais uns vôos milagrosos.

Recomendações: Evitar ambientes onde essa espécie acasala, como Santa Teresa (fora do Carnaval e sem um turista ao seu lado), faculdades de Comunicação e Cinema, qualquer Centro Acadêmico e botecos na redondeza.

"A trupe do palhacinho" é um nome livremente inspirado em frase de Clarisse De La Cerda, all rights reserved.
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