domingo, julho 30, 2006

GIVE ME ALL THAT PEACE AND JOY IN YOUR MIND

Alguém lembra do post de 23/12/2002, o último sobre o Reading Festival?

Pois é, na preguiça suprema que acomete blogueiros (os não-inveterados) quando passa a breve ilusão de que era essencial ao conhecimento de todos aquilo que eles iriam postar, acabei nem falando da maioria dos shows a que assisti. Nem mesmo do melhor deles, que, por circunstâncias agravantes, acabou sendo o mais memorável de minha existência, mesmo tendo sido de uma banda que adoro, mas que nem sequer entra no meu Top 10.

Tô falando do Muse, claro, um típico caso de amor ou ódio.

É assim: concordo com o fato de que é um Radiohead circa The Bends, com um toque de metal melódico e uma boa dose de prog. Em qualquer música, a fórmula salta aos ouvidos (Maestro, uma nota!). E mesmo quando sai um novo álbum em que dizem "o Muse sabe se reinventar a cada lançamento", pra mim continua sendo a mesma coisa, com uma ou outra exceção (Stockholm Syndrome ou Supermassive Black Hole, por exemplo). Mas eu não consigo não achar foda. E basta assisti-los ao vivo, mesmo em DVD, pra constatar a competência, energia e presença de palco dos três. Até 2002, eu jamais os tinha visto, sequer em vídeo.

Já disse aqui também, lá nos primeiros posts, que em Reading fazia sol de manhã, chovia horrores no final da tarde e reinava o frio cruel de madrugada. Pois bem, nesse dia fatídico (sempre quis usar esta expressão) estava eu vestido com o manto sagrado...

INTERLÚDIO: Em todos os festivais a que vou, é tradição vestir a camisa do Mengão pelo menos um dia e bater foto de costas pro palco.

... após ter passado boa parte do dia assistindo a outros shows (até a um Libertines insosso, perdoe-me a redundância), com o Speedy, inclusive, que me encontrou por acaso na tenda. Tá, quantas pessoas passeam no site de um festival no interior da Inglaterra com a camisa do Flamengo? Foi fácil achar.

O Muse estava programado para entrar no palco principal logo depois do Ash, outra banda que adoro e de que também já assisti a dois shows. Assim, aproveitei que também queria vê-los para chegar mais à frente do público. No meio do show, as nuvens negras já cobriam o horizonte. Mal a banda saiu do palco, os primeiros pingos começaram a cair. Gigantescos. Pesados. E pior, gelados. Saquei a capa de chuva transparente da mochila e vesti. Aí despencou o temporal. O público já se amassava pra esperar a Musa chegar e os gritinhos das meninas com a chuva gelada e torrencial incomodavam, mas procurei não me mexer. A capa não cobria o rosto, logo, não fiquei imune à torrente gélida. O calor humano dos incautos ao meu redor não era suficiente, logo todos tremiam.

O palco escureceu e a multidão gritou. A chuva continuou. Os primeiros acordes do piano de New Born soaram em meio à água. Mais gritos. Ensurdecedores. Juro pra vocês, me senti numa final de campeonato. Deu arrepio. Quando o riff de guitarra entrou e o crescendo deu lugar à introdução rápida da música, ninguém mais estava no chão. Corpos molhados desafiavam a gravidade, gritavam, um só corpo pulando junto no temporal, as gotas d'água pareciam ricochetear na massa... pára, pára, pára, quanta viadagem!!!! Eu, hein, não levo jeito pra essas descrições.

Enfim, tudo o que antecedeu o show, a chuva, o frio, o aperto, só serviu para enfatizar ainda mais a catarse que foi ver apresentação tão impecável. Mesmo quando a tempestade parou de vez, lá pela quarta música, o público parecia pedir que caísse mais. Matt Bellamy, virtuose em guitarra e piano, tom perfeito de voz em cada canção, tem a platéia nas mãos e sabe perfeitamente disso. Seus parceiros de banda não são diferentes, como uma máquina funcionando a todo vapor. Um show como deve ser feito. Solos, fanfarra, luzes, telão, presepadas, falsetes, isqueiros acesos nos momentos climáticos e uma chuva de bolas gigantes cheias de confete, do palco no público, durante "Bliss", que encerrou o espetáculo. Precisa de mais?

Podem falar mal da banda à vontade. O sorriso no meu rosto logo depois, ao tomar café bem quentinho sentado na grama e enrolado no casaco sequinho, assistindo ao Jimmy Eat World no palco do meio, não me deixa dar ouvidos à oposição. Muse é sensacional. Melhor show do mundo.

Ah, claro, assisti de novo no V2004. Não teve tanto perrengue, mas também foi memorável. E, de novo, o melhor do festival.

No dia 26 tem mais uma vez e aí eu conto como foi a terceira. Mas no fundo eu já sei.

Só posto de Madri agora. Hasta la vista.

sexta-feira, julho 28, 2006

SOU CAMPEÃO, PORRA!!

Eu tinha apenas 7 anos em 1979. 09/09/1979, pra ser mais exato. Não vou dizer que me lembro dessa data com clareza, eu era novo demais, não pensava em datas, ocasiões e eventos contemporâneos, eu vivia no meu mundinho infantil. Mas eu me lembrava bem do meu avô paterno. Era muito criança pra ter conversado com ele de verdade, lembro-me apenas de que era um velho simpático, pacato, que vivia construindo maquetes de casas em isopor e cartolina, nos mínimos detalhes, com banheiro, caminhas, salas de jantar. Eu achava aquilo o máximo, mas ele era preciosista, nem nos deixava (eu e meu irmão de 5 anos) chegar perto. Só durante a minha adolescência, desbravando a sua biblioteca, é que fui perceber o quanto ele era um gênio, que, mesmo sendo um mero contador, tinha livros de tudo o que se possa imaginar e estava querendo sempre aprender um pouco de algo, de botânica a anatomia, de decoração a engenharia, de literatura a culinária. Invejável. E, felizmente, essa característica eu herdei dele, de querer saber sobre tudo um pouco.

Minha grande frustração foi não poder conversar de verdade com meu avô , quando descobri esse tesouro. Porque, naquele 09/09/1979, ele morreu. Seu coração era frágil, ele não tinha uma alimentação muito sadia, vivia comendo porcaria. Mas o fato que o levou embora foi ter se emocionado demais durante um jogo entre Flamengo e Vasco, em que o Mengão perdeu de 4 x 2 pro time da Colina. Assim, passou mal, foi-se. Nem cheguei a sentir, eu era novo demais, repito, mesmo pra entender o que era a morte.

Mas cresci com o mesmo instinto flamenguista que corre no sangue de minha família inteira, de torcer fervorosamente, sofrer, comemorar as vitórias, ter vergonha nas derrotas. E, principalmente, por ter levado o meu avô, de odiar o Vasco da Gama com todas as minhas forças, essa raça nojenta e odiosa. Cada vez que esse time de merda se fode, meu coração se regojiza. Carrego há 15 anos na minha carteira, como amuleto, a carteirinha de sócio do Flamengo do meu finado avô. Sempre me protegeu.

Há mais de dez anos não vou a estádio, tenho medo de violência, torcida organizada e não gosto de ver meu time perder ou mesmo participar de discussões com torcedores de outros times. Mas passo mal a cada jogo decisivo, me emociono e grito, xingo, dou porrada e mando se fuder quem venha me contrariar.

Não vi um jogo sequer da Copa de 2002, dormi em todos, porque era o Scolari a dirigir o time. Esse filho da puta anti-futebol que já mandou enfiar a porrada no Sávio, bateu no Marquinhos e no Luxemburgo. Torci contra Portugal, terra de minha avó, nesta Copa, também por conta disso. Também não torci de verdade pelo Brasil em 1990, 1994, 98 ou mesmo neste ano. As últimas seleções pra que torci tinham Zico, Júnior e Leandro jogando. Cago solenemente pra Seleção Brasileira desde então. Comigo é assim: primeiro o Flamengo. Depois, ninguém. Flamengo até morrer, já diz o hino.

Por isso e muito mais, quero que vá tomar no olho do cu qualquer um que me vier e disser que estou sendo chato por insistir na comemoração, torcendo demais, ou enchendo o saco com Flamengo. Vão se fuder!! Se estiverem incomodados, fiquem longe de mim! Quem sabe a medida da minha dedicação e da minha alegria sou eu! Da mesma forma, vão se fuder todos os vascaínos, tricolores, botafoguenses e anti-flamenguistas em geral que amam torcer contra meu time em qualquer circunstância.

E é chato mesmo ser campeão. Duas vezes. De um título que nenhum time do Rio tem.

MENGO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, julho 25, 2006

Começou o buzz. Aquela excitação crescente que antecipa os grandes eventos, mantém-se e às vezes até continua após seu término. Em 12 dias, estarei iniciando a "turnê" e já entrei no clima. Curioso o fato de que no ano em que mais terei visto shows na vida, as bandas a desembarcarem no Brasil também estejam pipocando. De cara já vi que vou perder o Sonora em Curitiba, com We Are Scientists e Razorlight, além do Brian Jonestown Massacre (alguém aí viu o sensacional documentário Dig!?) e o Campari, com Gang Of Four e Cardigans, mas pelo meno o rumor de que a banda mais fodástica do universo, os Beastie Boys, virá pro TIM, deixa todas as perdas por terra.

Senão vejamos:

Razorlight - vi no Reading 2004 e Coachella 2005, verei de novo no V2006. Show fantástico! Mesmo quem não curte muito não pode deixar de apreciar a presença de placo dos caras, em especial o egocêntrico e performático Johnny Borrell, que deve tirar a camisa com 5 minutos de show. Os moleques apavoram.

We Are Scientists - verei no Pukkelpop e V2006. Adoraria ver tantas vezes quanto possível, pelo álbum grudento, vídeos baixados ao vivo com performances empolgantes e relatos estrangeiros de show contagiante, mas não vai dar.

Gang Of Four - Vi no Coachella 2005, verei no Electric Picnic. Muito competente o show, a banda voltou à ativa com energia de garotões. Bota o New Order atual no saco.

Cardigans - A conferir no V2006. Vale só pela lembrança dos hits das pistas do Rio nos anos 90: Guetto, Bang!, The Case, Atlântica 1.910. Atualmente, acho bem chatinha.

Músicas grudentas de hoje: The Loose Cannons - La La La (I'm Not Listening) / Peter, Bjorn and John - Young Folks

Depois de amanhã contarei sobre como o Muse fez o melhor show de minha vida até hoje.

segunda-feira, julho 24, 2006

Bom, pra começar a me habituar com o diário de viagem que pretendo manter durante as férias, com início daqui a duas semanas, sem contar a extensa maratona de shows, vou tentar atualizar esta joça quase diariamente, falando somente sobre música.

Minhas idas quinzenais a Campo Grande, minha zona de origem (com trocadilho, por favor) , me permitem escutar álbuns inteiros sem precisar do Ipod e em volume ensurdecedor. Eu juro, insisti pela segunda vez em tentar apreciar o tal Panic! At The Disco, mas não dá pra engolir. Tirando a segunda música, de título imenso, tal qual faz o Morrissey (tão mala quanto), "My Balls are Itchin' And I'm Really Sad Today" ou algo semelhante, a banda é intragável.

A "viagem" de volta trouxe o antídoto perfeito, o até então relegado-a-segundo-plano álbum do Nine Black Alps, "Everything Is". Já os conhecia há alguns meses, pelo hit "Unsatisfied", mas nunca tinha prestado muita atenção no resto, que chega a ser bem diferente desta música. Uma gema de power-pop, empolgante, grudento, que remete aos bons tempos de Ash, Foo Fighters, Feeder, Guided By Voices (o "Isolation Drills") e grande parte do college rock americano da segunda metade dos anos 90. Isso porque a banda é de Manchester!

Não consigo tirar "Everybody Is" (a melhor do álbum) do meu player. The Kinks puro!!
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