terça-feira, dezembro 25, 2007

RESOLUÇÕES PARA 2008

Uma grande amiga, que para a minha felicidade vem para o Rio me fazer companhia neste réveillon, me disse em minha última visita a Sampa que resoluções para o ano seguinte deveriam começar a ser realizadas antes do ano terminar. Faz sentido, muito embora eu não saiba explicar o porquê. E eu ouvi isso no dia 30/11.

Pensam que me esqueci de tudo o que prometi escrever aqui e ainda não cumpri? Que nada, a culpa queima dentro de mim, mas, seguindo o que diz minha amiga Li, antes do Ano-Novo cumprirei escrever sobre um dos seguintes assuntos:

a) dirigir nos EUA;
b) Virgin Festival, turnê do 311, Beastie Boys e outros relatos da viagem;
c) show do Battles em Sampa;
d) texto que seria o de 22/11 (sobre filtros de spam e auras);
e) a continuação de "And They Took Me For Dead..."

O resto, para 2008.

Um ano, espero, em que as pessoas me excluam de fofocas ridículas, delírios megalômanos e mentiras sórdidas. Ah, e que morram no instante em que resolverem não cumpri-lo.

Byron

P.S.: É sério que alguém considera o Orkut como um simulacro de vida real? Tipo, te odeio, logo, vou te excluir do meu Orkut para ratificar o meu ódio? Ha!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

WHY SO SERIOUS?

Eu tô começando a ficar com medo de pessoas, sabe? Justamente quando chega a época de Natal e você percebe que não sente falta alguma de ninguém da sua família e se acha um freak perturbado por pensar assim, vem um bando de gente esquisita fazer contato, quase como se sentisse o quociente de freakness saindo pelos seus poros. E então outros não-freaks (ou não aparentemente) te confrontam com uma realidade que não é a sua, que te coloca contra a parede ou te faz questionar o que você acredita ser real e verdadeiro e ao invés de descartar tudo como uma grande bobagem/mentira/fofoca/intriga, você efetivamente pára e pensa. E nasce a dúvida.

Eu queria ser onisciente, mesmo que fosse pra saber quem fala mal de mim ou inventa coisas a meu respeito. Mas queria mais ainda conseguir fazer as pessoas acreditarem que eu só falo mal de alguém se eu concretamente tiver algo de mau pra falar.

Talvez seja só a antecipação do sono. São 4:58. Acordo para trabalhar em exatamente duas horas e trinta e dois minutos. Desculpa, blog, mas eu não tinha ninguém com quem desabafar a essa hora.

sexta-feira, novembro 30, 2007

FRASES DA SEMANA

Antes que eu me esqueça.

"Todas as mulheres são loucas e todos os homens são bobos".

- Alexandre Nix, blogueiro frenético

"Esta está sendo a melhor menstruação da minha vida".

- Ana C., surtada... e menstruada

"Eu tenho manias normais, tipo, cada flyer que eu recebo eu faço um barquinho".

- Júlia Resende, auto-proclamada workaholic e pseudo-intelectual

"Eu não vou amanhã (hoje) ao aniversário da Funhouse. Vai ser no Clube Inferno. Eu sou católico, não entro em um lugar com esse nome. Já pensou eu ligando pra minha mãe? 'Mãe, tô no Inferno!!'"

- Rogério Real, DJ, mandando a real

"Por que diabos você ligaria pra sua mãe de madrugada só pra dizer onde está? Ai, desculpa, falei 'diabos'".

- Carlos André Cruz, fiscal da Receita, respondendo a Rogério Real e precisando de remédios

quarta-feira, novembro 28, 2007

O DIA EM QUE EU TENTEI VIVER



Eu não ando com o mínimo saco para escrever nos últimos dias. Fazer relatórios pro trabalho me tira a vontade de ter que criar outros textos por aqui. A título de terapia, então (existe mais um motivo para eu ter um blog?), eis a obsessão que me consome há uma semana: o show do Chris Cornell, dia 12/12, no Citibank Hall.

Lá pelos meus 20 anos, no começo dos anos 90 - 1992, se não me engano - eu me lembro de estar sentado na sala com amigos meus e do meu irmão, após uma "jam session" em minha casa (ou seja, barulheira infernal sem o mínimo de talento), quando discutíamos sobre que tipo de som tocar, se o metal que vinhamos ouvindo (Iron Maiden e Megadeth), funk metal (RHCP e Faith No More) ou rock dos anos 80. O punk passou batido em Campo Grande, até hoje não engulo. Eis que surge o Nirvana tocando "Smells Like Teen Spirit" na MTV. Desconhecido, até então. Dei um pulo do sofá e disse: "Porra, é isso aí!" Em seguida, vieram clipes de Alice In Chains e Pearl Jam. Para todos, hoje, isso pode soar clichê e previsível, mas na época, ninguém conhecia aquelas bandas. E foi aquele som que nos motivou a tocar e mudar sensivelmente o repertório. O pessoal saiu da sala, fiquei sozinho. Entrou o Soundgarden com "Outshined". Fiquei vidrado. Eu queria chamar os outros de volta pra ouvir aquele som, mas sabia que nossas limitações musicais jamais nos permitiriam reproduzir aquilo. O vocal, então, nem se fala.

O que aconteceu depois, todo mundo já sabe. E o Soundgarden passou a ser minha banda preferida da primeira metade dos anos 90. Eu queria ter 1/10 do talento que o Matt Cameron tinha na bateria. Quando eles praticamente decretaram "grunge is dead" com o lançamento da obra-prima "Superunknown", eu já era um humilde servo. Hoje continuo apenas um servo, a humildade já se foi. E voltei a ouvir o "Superunknown" duas vezes ao dia. Sabia cada batida de cor, tocava no violão todas as músicas com afinações bizarras e cantava todas as letras em tom mais baixo (óbvio!!).

A banda lançou o ótimo, porém inferior (e subestimado), "Down On The Upside" em 96 e acabou quase em seguida, movida por brigas e vaidade. Matt Cameron foi tocar no Pearl Jam (o que para mim equivale a Zico jogar pelo Vasco) e esqueci dele. Mas ainda me lembro da simplicidade, ritmo e cadência que dava até a músicas menos explosivas, como Rhinosaur, Head Down e a depressiva Mailman. Melhor baterista dos anos 90, na minha opinião. E olha que eu adoro até o que vim a ouvir atrasado pré-Badmotorfinger, como as ótimas Hands All Over e Loud Love.

O Chris? Bom, aquele vozeirão impressionante era um tremendo embaraço ao vivo. pelo que tenho de gravações do Pinkpop e Lollapalooza em 92 e em outras dezenas de vídeos, não só do SG, mas também do deprimente "Rage Against The Garden" (Audioslave), ele não sustenta ao vivo os agudos. Observando alguns vídeos da nova turnê solo, no entanto, pelo usuário do YouTube CornellsGarage, dá pra sentir uma leve melhora, mesmo com 43 anos de idade, muitas drogas e cigarros depois. Repertório do show de 13/11 nos EUA:

Let Me Drown
Outshined
Show Me How To Live
Out Of Exile
No Such Thing
Billy Jean
Hunger Strike*
Spoonman
Doesn't Remind Me
Cochise
Ty Cobb
Arms Around Your Love
You Know My Name
Be Yourself
Pretty Noose
What You Are
Rusty Cage

Superunknown
Seasons**
Burden In My Hand
Slaves & Bulldozers

* - Temple Of The Dog
** - trilha sonora do Vida de Solteiro

No dia seguinte, ele cantou Black Hole Sun com o Peter Frampton e costuma alternar outras músicas do SG.

Com todas essas aí em cima e mais outras que podem entrar, será impossível que eu perca esse show. Reminiscências e reencontros com o meu eu de 20 e pouquinhos anos, mesmo que não seja o Matt na bateria, mesmo que a voz do Chris não agüente, mesmo que aquilo que eu busque não esteja mais lá.

Sim, cada uma das músicas sublinhadas acima é um link para um vídeo no YouTube. Quero que vocês ouçam o que eu falo.

quinta-feira, novembro 22, 2007

O SENTIDO DA VIDA

O clichê dos clichês metafísicos dá nome a este texto, mas nada tem a ver com o seu conteúdo, salvo pela menção à inutilidade de certas ações dentro do nosso espectro existencial. E esta frase ridiculamente prolixa foi apenas para evitar um trocadilho infame com o filme do Monty Python e o nojento esquete do Sr. Creosote.

Há um certo ponto na vida onde deveríamos nos questionar, mas REALMENTE nos questionar sobre cada ação impensada (ou supostamente pensada) que praticamos diariamente, levados pela consciência coletiva de que precisamos "viver melhor". Porque, por mais altruísta a conotação que esta ação tenha, e por mais logicamente correta que pareça, será mesmo que vale a pena?

Que ninguém me leve a mal, eu nunca disse que sou a melhor das pessoas. Tenho uma filosofia de fazer bem aos outros que mantém minha crença em karma no lugar, mas outras coisas que venho (ou vinha) fazendo extrapola(va)m esse equilíbrio da balança. Considerem também que eu estou cada vez mais me tornando um misantropo. Paradoxalmente sociável, mas um misantropo de qualquer forma. E aquele ponto na vida em que parei e me questionei ocorreu há umas 2 semanas, quando estava separando o lixo.

Separar o lixo reciclável é algo que faço desde que moro sozinho, há quase 10 anos. Faço da minha própria maneira tosca, ou seja, duas latas de lixo diferentes, embalagens, sacos, garrafas e outros invólucros e papéis secos e vazios de um lado, com matéria orgânica do outro. Não lavo resíduos de nenhuma embalagem de leite, por exemplo, e jamais procurei saber o que era reciclável e o que não era. Deixa o pessoal do meu prédio se preocupar com isso. Mas fazia, anyway. Dava-me uma noção torta e falsa de importância, superioridade, de ser eco-amigável, de "ó-eu-sou-mais-evoluído-do-que-você-porque-reciclo-meu-lixo", muito embora fosse mais uma alternativa para poder falar mal de gente que abraça árvore sem parecer ignorante.

A questão é, quando me mudei de volta para o Rio, continuei com o hábito, sem jamais me informar se havia coleta seletiva no meu prédio. Com o intuito de colocar a dúvida em palavras, confirmei o fato há exatos 20 minutos, interfonando para o porteiro que, com seu simples conhecimento das coisas, disse que "garrafas de plástico e vidro eram separadas lá embaixo e o pessoal buscava no sábado". Ou seja, havia coleta. Mas paremos para pensar um segundo se a resposta fosse negativa. Quatro anos e meio de inutilidade da minha parte. Pensei naquele momento (há duas semanas) na quantidade de coisas que fazemos por fazer, sem raciocinar de que elas servem na verdade, se fazem diferença ou são a mais pura e absoluta perda de tempo e dispêndio de energia.

Taí, dispêndio de energia. Um recurso em alta demanda. Queria ver o que gente como os fanáticos que criaram o Blackle diria se me visse aqui sentado um tempão em frente à branca e brilhante tela do Blogger pensando no que escrever e de que forma fazê-lo. Pois que se foda. Eu sou um grande gastador de energia. Fico conectado boa parte do dia, deixo às vezes 3 ou 4 aposentos com luzes acesas ao mesmo tempo, praticamente uso luz em todas as minhas atividades de lazer (meia-luz em algumas... he) e não faço o mínimo esforço para poupar. Se o faço, é para poupar o meu bolso, não os recursos naturais e a crescente necessidade de se construir mais hidrelétricas. Ainda me lembro do impulso de rasgar o cartaz afixado na porta do Hotel Íbis de Curitiba onde estava hospedado há 3 semanas, porque atentava para a campanha de "salvar o planeta poupando energia e desligando a luz ao sair". Poupando o dinheiro deles, porra!! Se a preocupação destes hotéis da rede Accor fosse a de poupar recursos, jamais colocariam uma torneira de chuveiro tão complicada de se acertar a temperatura da água que litros se esvaem pelo ralo até que se consiga.

Ah, a água... As campanhas pedem que eu feche a torneira quando estou escovando os dentes. Que eu a feche enquanto me ensabôo no banho. Que eu a feche quando lavo louça. Ah, não fode!! Saber se o Mengão vai se classificar para a Libertadores 2008 tira mais o meu sono do que saber que tem famílias disputando um balde de água suja em Lagos, na Nigéria. Por isso deixei de fazer todas essas coisas. E ainda tenho todo o direito de ficar furioso quando há racionamentos de água aqui no prédio e apartamentos com famílias de 5 pessoas ainda gastam mais água do que eu, que preciso acordar cedo se quiser tomar banho e chegar em casa com meia hora de janela pra usar o precioso líquido. Meus banhos são de 10, 15 minutos, todo o quociente feminino mundial (exceto as francesas) já poderia assumir a culpa por acabar com a água de países pobres, eu não vou sofrer por isso. Melhor ainda, cada pessoa que coloca um filho na face da Terra deveria responder pelo gasto absurdo de recursos e a emissão de CO2. Haja fralda suja e choro insuportável para neutralizar isso. Cadê o Al Gore que não diz isso? Não sou e nem penso em ser pai. A Terra me deve, com direito a troco.

Prefiro acreditar no James Lovelock em "A Vingança de Gaia", que prega que quase nenhuma das ações hoje praticadas vai reverter a situação catastrófica em que o meio-ambiente se encontra. Vou é aproveitar ao máximo este mundo e que se explodam (afogar não vai dar, néam?) os filhos e netos que não terei.

Se eu ainda reciclo meu lixo? Claro. Tem gente que precisa do dinheiro da separação para sobreviver e lixeiros que não precisam se machucar ao recolher material contundente. Benefício bem mais direto do que economizar alguns litros que jamais chegarão perto da Nigéria.

Eu ia falar de outras coisas antes de começar a escrever isto aqui, mas deixa a minha musa achar que eu sou chato um pouquinho ao invés de saber que só vejo passarinhos ultimamente por causa dela. [insira aqui um smilie sorrindo com "X" nos olhos]

Amanhã: o texto que seria de hoje e o show do Battles em SP

sábado, novembro 17, 2007

COLD WIND

Eu tinha um sonho recorrente quando eu era criança. Vez ou outra eu sonhava que era infinitamente minúsculo e tudo ao meu redor era incomensuravelmente grande. Acordava suando e cheio de pavor e ia correndo acordar minha mãe também. Eu só conseguia sossegar se ela andasse comigo por toda a casa pra me mostrar que as coisas estavam nos seus devidos tamanhos.

Outro dia desses, eu tentei invocar essa sensação de pavor com a qual acordava. Imaginei que afundava no meu colchão e que os móveis cresciam assustadoramente de tamanho. Por cerca de 10 segundos, consegui resgatar parte da sensação. Foi uma catarse iluminadora. Primeiro, porque demonstrava o poder de minha mente. Segundo, porque me dava a certeza de que todos os nossos medos infantis nunca vão embora em definitivo, só os enterramos tão profunda e indefinidamente que não se sabe quando podem aflorar.

A imensidão óbvia, no entanto, nunca me assustou. Móveis do tamanho de arranha-céus são assombrosos, mas arranha-céus de verdade sempre me fascinaram. Claro, se restritos ao que chamo de terra natal. Tudo isso pra dizer que eu amo o Rio de Janeiro.

Acabo de voltar da experiência incomparável de sair de uma festa na Lapa e tomar o caminho menos comum para casa. Evitando a confusão da Mem de Sá, pego o rumo da República do Chile. A Catedral Metropolitana, imponente como igreja inusitada, e o prédio da Petrobrás, que gasta tanta luz quanto uma cidade pequena, saltam aos olhos no horizonte do Centro, em direção à Av. Rio Branco. Largo da Carioca à esquerda, 13 de Maio à direita, o vento frio soprando na janela que, oportunamente, deixei aberta. "Cold Wind", do Black Rebel Motorcycle Club, tocando no meu CD player. Clichê, mas a epifânia merece trilha sonora adequada.

Descendo a Rio Branco, MNBA, Biblioteca Nacional, Cinelândia, o Monumento dos Pracinhas se aproximando no horizonte, olhos cuidadosos para os veículos que cismam em atravessar sinais vermelhos na entrada do Aterro. MAM passando voado, minha mão já pra fora sentindo o vento, dedilhando a corrente. Dirigir com uma mão só, de olho nos novos pardais da indústria municipal de multas. Como diriam Fausto Fawcett e Fernanda Abreu, sou carioca, pô, eu quero meu crachá.

Praia do Flamengo, Hotel Glória, Pão de Açúcar escondido na escuridão, Morro da Viúva, sede antiga do meu Mengão. Baía de Guanabara, sei, é clichê, mais uma vez, mas a grandeza do meu Rio não me assusta, não são os móveis de minha casa. É preciso, de qualquer forma, andar pela cidade, pra me mostrar que as coisas continuam nos seus devidos tamanhos, imensas, imponentes, lindas, absolutas.

Eu amo a minha cidade. Dizem, em inglês, que "home is where the heart is", mas eu começo a perceber que "the heart is where your home is", mais do que tudo. Quando eu me der conta 100% de que minha felicidade plena, em todos os âmbitos possíveis, está nos limites do meu Rio de Janeiro, serei efetivamente um homem mais feliz.

Sou carioca, pô, eu quero meu crachá.

sexta-feira, novembro 16, 2007

FELIZ ANO-NOVO!

É sério, 2007 pra mim já acabou. Alguém por favor me congela até 31/12, às 23:58? Não é possível que quase nada de bom aconteça o ano inteiro...

Depois atualizo isto aqui. Tá difícil controlar o sarcasmo, que sempre transborda quando estou amargo.

terça-feira, novembro 06, 2007

RAPTURE

Deixem eu contar a vocês da minha namorada. Sim, eu tenho uma namorada. Não devo fidelidade real a ela, ela não me faz cobranças e nem surta de ciúmes ou por algum outro motivo banal. Ela povoa meus castelos de areia, recusa-se a entrar nos meus sonhos e me visita todos os dias, nos momentos em que me vejo efetivamente querendo a sua presença, seja assistindo a TV, sentado ao computador (quando a visualizo chegando sorrateiramente por trás de mim e me abraçando, insistindo para que eu saia dali), no cinema ou nos minutos logo antes de pegar no sono, em que me imagino abraçado com ela na cama.

Claro que ela é idealizada. Alma gêmea? Não sei. Ela tem falhas. Algumas irritantes. É nova demais (uns 14 a menos) e faz "nhé-nhé-nhé" desrespeitosamente, de propósito, quando tento falar algo sério. E não bebe café. Curiosamente, ela tem um rosto. Nos meus devaneios, ela é uma menina real que conheço. Roubei seu visual para decorar minha namorada. É, obviamente, linda. Cabelos castanhos, pele clara, olhos azuis, tatuagens e piercing. Um corpo quase perfeito. O nome não vem ao caso, já que também lhe desapropriei. Todo o resto é faz-de-conta. É um Frankenstein, uma colagem de coisas que sequer sei se a pessoa real tem, afinal, mal a conheço, nunca conversei com ela de verdade. Mas isto não importa, a aparência me convém. Além do que os olhos podem ver, minha namorada também tem uma tatuagem escondida, uma marca de nascença no peito do pé e não é depilada em excesso, muito embora eu acredite que a real seja.

Assim, diariamente, nossa relação floresce. As amigas dela me adoram, sempre as chamo todas para sushi aqui em casa. Conto piadas horríveis e poso envaidecidamente de tio perante elas, mas ela adora me ver se mostrando. I'm her daddy. Vamos a Buenos Aires juntos, os pais dela também me adoram, deixaram numa boa. Faço jantares à luz de vela, massagens e mojitos, descrevo cada episódio da primeira temporada de Heroes pra ela (assim podemos acompanhar juntos a segunda), leio frases soltas do Monty Python Flying Circus e nem me incomodo que ela não entende bulhufas das referências. A cada sorriso dela, eu me perco ainda mais.

Levo-a pra dançar na Paradiso e, mesmo não conhecendo a maioria das músicas, ela só consegue ficar me vendo cantar as letras, com um olhar apaixonado. Vamos comer no Cervantes e eu fico espantado em como ela consegue engolir um filé com queijo (E abacaxi, importante) em menos de dois minutos. Dá uma risada tão súbita que chega a roncar. Eu dou um beijo nela. A gente dorme junto. Só dorme. Acorda no domingo e fica na cama o resto do dia. Trepando. Ela goza olhando nos olhos. A cada vez. À mesa, mais tarde, ela resolve experimentar meu café forte. Faz careta e desiste.

Sim, ela me trai. Saindo com as amigas, uma certa vez, um carinha da faculdade, ela bebe demais da conta, já viu. Eu fico sabendo. Eu termino com ela. Ela chora. Eu não perdôo. Eu saio na mesma noite e fico com outra. Na frente das amigas dela. Uma semana se passa. A melhor amiga dela me diz que ela nem come direito. Que não pára de chorar. Que está arrependida. Eu nem tchuns. Ela me liga. Depois de uma semana ignorando, resolvo atender. Ela diz que quer conversar. A campainha toca. Eu abro e vejo aquele rostinho lindo, entristecido, aquele corpo que tanto prazer me deu, aquela carinha de cachorrinho com fome. Eu a mando entrar, mas sem perder a compostura, nem agarrá-la. Orgulho é foda. E então pára tudo.

Porque, nos meus devaneios, acho que não consigo passar daí.

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OBS.: Minha namorada é minha namorada, minha musa é minha musa. Esta última é uma pessoa de verdade, sabe de sua condição, adora café e odeia You Tube.

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Eu sei que minha semana foi pro caralho quando pego o Killing Yourself To Live só pra dar uma olhadinha e leio o seguinte parágrafo:

"A não ser que você seja Shanoon Hoon*, morrer é a única coisa que garante que uma estrela do rock terá um legado que se estenda além da relevância temporária. Em algum lugar, em certo ponto, de alguma forma, alguém decidiu que morte é igual a credibilidade. E eu quero entender o porquê. Eu quero descobrir por que o maior passo que qualquer músico pode dar em sua carreira é parar de respirar. Eu quero descobrir porque desastres de avião e overdoses e suicídios com armas de fogo transformam guitarristas cabeludos em profetas messiânicos. Eu quero andar pelas ensanguentadas ruas do rock n' roll e bater papo com os sobreviventes que se remexem nas sarjetas. Este conceito tornou-se minha busca. Em vez de ir a lugares onde tudo aconteceu, eu iria a lugares onde tudo parou. Eu iria aguçar meu instinto de morte.

- Agora, para fazer isto - eu disse à minha linda e loira editora - eu vou precisar alugar um carro".

Fudeu.


* - falecido vocalista do Blind Melon

OBS. 2: Quer ler o primeiro capítulo do Sex, Drugs And Cocoa Puffs? Vai aqui.


sábado, novembro 03, 2007

O SOLADO DA PUMA ESCORREGA

Ou então comprei os únicos dois pares de tênis sem aderência da marca. Pior para minha bunda e seu contato com o chão em duas ocasiões diferentes desde que cheguei à terra do "leitê quentê" e dos topetinhos. Escoriações e contusões à parte, volto pro Rio daqui a pouquinho. Saudade já da minha terra, não consigo ficar muito tempo em cidades do interior.

Tirando a incômoda chuva, que atrapalhou bastante meu intuito de rodar todos os inúmeros sebos e brechós da cidade, o feriado foi bom. Ainda considero uma experiência muito gratificante vir a Curitiba todo ano assistir ao TIM Festival. A pedreira é linda, de razoavelmente fácil acesso (30 min. de ônibus do Centro), a infra é ótima, bebida e comida baratas, público comportado, considerando a criançada presente, visibilidade boa do palco e a presença de mil mulheres lindas. Ah, os shows também foram bons, na média.


Eu já tinha uma idéia predeterminada de como seriam, mais ou menos, alimentada em parte pelo fato de que já assisti a todos os artistas em outras ocasiões: Hot Chip deslocado, mas interessante, Björk cativante, porém chata para muitos, Arctic Monkeys batendo cartão sem empatia e o Killers messiânico. Guardadas as devidas proporções, foi exatamente isso.

Não ajudou muito o Hot Chip ter começado o show pontualmente às 19h, já que nem 1/3 do público havia chegado ainda e a luz do dia também não tinha desaparecido. A música deles seria perfeita num clube ou no mínimo mais tarde, com show de luzes e tudo o que demanda o gênero, levando-se em conta que eles não se mexem muito no palco. Como ficou, apenas trilha sonora de ambientação. Nem "Over and Over" empolgou tanto.



Eu não sou um fã ardoroso da Björk. Levanto ambas as sobrancelhas para os últimos álbuns dela, achei o Medulla uma merda e só gosto incondicionalmente mesmo das músicas mais antigas. Mas pode me espancar e me chamar de Sally se o show dessa elfa não cresce em cima de você. É fato que a maioria do público presente estava cagando para ela e mesmo os que gritavam "u-hu" a cada "obrigado" que ela tentava inutilmente pronunciar (saía algo como "obricá") só o faziam certamente porque é "cool" dizer que se gosta de Björk. Mas é preciso paciência para se apreciar um show desses, com todo o gestual e teatral que ela traz consigo (motivos orientais no momento), um palco grande demais para as músicas mais introspectivas e tal.

Só que o seu carisma é inegável. Dando tudo de si, na voz, na dança, no visual, aos poucos os chatos do "u-hu"assentam e é possível deixar a mente vagar pelas músicas. Apresentação com base no álbum mais recente, mas com direito a "Bachelorette", "Joga", "Hyper Ballad" e, para a minha imensa alegria, "Army Of Me", cujo vídeo postarei depois. Ao fim de uma hora de encanto, sob gritos de "Volta! Volta!" (trocadilho ou coincidência?), ela, a ótima banda e suas ninfas islandesas retornam ao palco para encerrar a festa com um esporro eletrônico com direito a chuva de papel picado na nova "Declare Independence". Memorável e, de longe, o melhor show da noite.



Eu me lembro quando assisti a Velocidade Máxima (Speed) no cinema há uns 13 anos. Havia uma frase que encerrava o filme e que ficou na minha cabeça, sabe-se lá por que motivo. Dizia algo como "relacionamentos que começam intensamente duram pouco". Essa máxima, comigo, pelo menos, sempre funciona. Não acho que seja uma analogia forçada usá-la para me referir aos Arctic Monkeys. Acho que já está chegando ao fim o reinado deles sobre a máquina do hype. A não ser com uma mudança radical ou algum tempo para sossegar, os moleques vão entrar em combustão espontânea.

Já não chega o imediatismo de lançar dois álbuns seguidos em pouco mais de um ano, os riffs pós-punk e mil variações de ritmo nas músicas estão começando a dar no saco, ao menos para mim. Não me entendam mal, os moleques tocam muito bem e há várias canções muito boas, mas o problema é a aparente necessidade de se mostrar o quão virtuoses eles são, às vezes colocando cinco caminhos diferentes numa mesma música. A falta absoluta de carisma no palco também prejudica públicos não-ingleses, ou seja, não acostumados com essa fleugma britânica (timidez?) e o show soa frio e sem vontade, apesar da platéia vibrar com os hits. "Fluorescent Adolescent", rapazes, esse é o caminho. Canção simples, melodiosa e eficaz no que se propõe. É por aí.



Para muitos (leia-se "quem não gosta de Björk"), o Killers foi o show da noite. Grandioso e reflexo perfeito da megalomania de seu vocalista, entrega de cara as origens da banda (o exagero visual de Las Vegas) e sua formação religiosa (impossível tirar o ar de pregação mórmon de Brandon Flowers). Bom, à exceção de "Read My Mind", eu não gosto do Sam's Town. Daí a achar dois terços do show chatos. "Mr. Brightside", "Jenny Was A Friend Of Mine", "Smile Like You Mean It", "Somebody Told Me" e, já no bis, "All These Things That I've Done". A cover de "Shadowplay", do Joy Division, foi OK, mas foram estas 5 músicas o que valeu o show para mim. O resto, dispensável.



A viagem serviu também para que eu lesse o "Sex, Drugs And Cocoa Puffs", do Chuck Klosterman. Eu juro que não entendo como nenhum livro dele foi lançado no Brasil ainda por uma Conrad da vida, afinal, o cara é sucesso absoluto nos EUA, escreve para a Spin, a Esquire, GQ, Washington Post, Village Voice, tem uma linguagem pop irresistível e um ótimo senso de humor. Neste aqui, o mais clássico (pelo menos ainda não li o IV ou o Killing Yourself To Live, também comprados em agosto), através de vários textos randômicos, detona sua metralhadora giratória falando de assuntos tão díspares como Pamela Anderson, Big Brother, John Cusack, basquete, Billy Joel, o Império Contra-Ataca e outros. Às vezes, falha miseravelmente, como quando tenta justificar seu ódio por futebol (o nosso) dizendo mil asneiras sobre o esporte, mas em geral ele acerta no alvo. Como exemplo, vejam os seguintes trechos:

"Woody Allen tornou aceitável para mulheres bonitas dormirem com nerds bobões de óculos; tudo que precisamos fazer é fabricar a ilusão de humor intelectual e, de algum modo, temos uma chance. A ironia é que muitas das mulheres mais suscetíveis a esta armação sequer assistiram a algum dos filmes de Woody Allen ou estariam dispostas a tocar o próprio Woody Allen se tivessem a chance (especialmente desde que ele provou ser um über-pervertido freak de clarinete)".
- Sobre relacionamentos.

"Se você fosse tomar pornografia pelo seu valor nominal, você seria forçado a concluir que mulheres raramente têm pelos pubianos, exceto por aquelas que fazem propaganda em ter mais pelos pubianos do que o normal. Também parece haver uma demanda incessante de adolescentes nuas, embora também pareça haver um entendimento tácito de que qualquer mulher de 31 anos com peitos pequenos possa pa
ssar por uma adolescente se ela tem maria-chiquinha e um pirulito".
-
Sobre pornografia na Internet.

"Qualquer criança normal seria mais atraída por Skywalker do que Solo. Essa foi a personalidade que engolimos. Logo, quando todas as crianças de 8 anos em 1980 fizeram 21 em 1993, não conseguimos evoluir. Estávamos apenas velhos o suficiente para ser corrompidos pela infância e jovens demais para não perceber isso. De repente, nós todos queríamos ser Han Solo. Mas estávamos enrolados com problemas de Skywalker".
- Sobre a influência de Guerra nas Estrelas na Geração X (a minha).


"Você encontra sua alma gêmea. Contudo, há um porém: a cada três anos, alguém quebrará ambas as clavículas de sua alma gêmea com uma chave inglesa, e só há um meio de você impedir isto de acontecer: você deve engolir um comprimido que fará com que todas as músicas que você ouvir - pelo resto de sua vida - soem como se estivessem sendo tocadas pelo Alice In Chains. Quando você ouvir Creedence Clearwater Revival no rádio, irá soar (para os seus ouvidos) como se estivesse sendo tocada pelo Alice In Chains. Se você assistir ao Radiohead ao vivo, cada uma de suas melodias soará como uma cover feita pelo Alice In Chains. Quando você ouvir um jingle de comercial na TV, soará como Alice In Chains. Se você cantar sozinho no chuveiro, sua voz soará como a do falecido vocalista do Alice, Layne Staley, cantando a capella (mas soará assim somente pra você). Você tomaria o comprimido?"
- Parte do questionário para avaliar se o autor gostará de alguém ou não.



Porra, como não ler este livro?

terça-feira, outubro 30, 2007

TIM PLUS

Partindo pra Curitiba amanhã, conferir o que não vi na edição carioca do Tim Festival. Munido de laptop, atualizarei esta joça com notícias sobre os shows, não em tempo real, óbvio, mas aguardem.

Hoje não tem sampler, tô sem saco. Só uma reclamação: Porra, não fumo, não uso drogas, bebo cada vez menos, meu único vício (café) tem que ser controlado pra não furar meu estômago e ainda me vem uma pesquisa dessas.

Ah, não fode, se eu tiver que morrer de câncer por cair sempre de boca no carpete, que assim seja, morro feliz.

segunda-feira, outubro 29, 2007

PARTE IV

Tô gostando disso aqui. E agora, algo mais direto, samplers de músicas que eu adoro (dos anos 90, melhor época do hip-hop, claro). Primeiro ouçam os trechos e tentem adivinhar. Os vídeos seguem logo abaixo, em ordem respectiva:

1) Herbie Hancock - Cantaloupe Island

2) Jeremy Steig - Howling For Judy

3) Lalo Schifrin - Danube Incident

4) Whatnauts - Help Is On The Way

5) Bernard Wright - Spinnin'

6) Tom Scott - Today

7) Gene Chandler - Duke Of Earl + J.R. Walker & The All-Stars - Shotgun

8) Bob & Earl - Harlem Shuffle

9) Leon Haywood - I Want'a Do Something Freaky To You

10) Bob James - Nautilus


VIDEOS:

US3 - CANTALOOP




BEASTIE BOYS - SURE SHOT




PORTISHEAD - SOUR TIMES




DE LA SOUL - RING RING RING (HA HA HEY)




SKEE-LO - I WISH




PETE ROCK & C.L. SMOOTH - THEY REMINISCE OVER YOU (T.R.O.Y.)




CYPRESS HILL - HAND ON THE PUMP




HOUSE OF PAIN - JUMP AROUND




DR. DRE - NUTHIN' BUT A "G" THANG




GHOSTFACE KILLAH - DAYTONA 500




OBS.: "Nautilus", do Bob James, foi sampleada por Deus e o mundo, apenas coloquei o sample mais óbvio (e o meu preferido).

domingo, outubro 28, 2007

PARTE III

O pai:

KRAFTWERK - HOMECOMPUTER




Os filhos:

BECK - GET REAL PAID




MISSY ELLIOTT - LOSE CONTROL




LCD SOUNDSYSTEM - DISCO INFILTRATOR



Bom, a bem da verdade, acho que não existe banda mais sampleada/imitada do que o Kraftwerk. O próprio rap nasceu deles. ;)

sábado, outubro 27, 2007

PARTE II

Mais uma, desta vez da biatch que copiou até o meu melhor apelido:

J. J. FAD - SUPERSONIC




+


AFRO RICAN - GIVE IT ALL YOU GOT




=


FERGIE - FERGALICIOUS



Aliás, essa mesma do Afro Rican tem um sampler que rendeu muita música recente. Mais tarde coloco os filhos desse sampler aqui. ;)

sexta-feira, outubro 26, 2007

SICK

Perdão pelo sumiço, mas eu ando doente desde sexta passada e meu cérebro não tem funcionado muito bem. Hoje ainda tem TIM e tal, só volto ao ritmo na segunda. Até lá, vou postar algumas curiosidades que amantes da música desconhecem, em especial um retrato da "criatividade" dos artistas atuais. Começando:

GARY NUMAN - ARE FRIENDS ELECTRIC?



+

ADINA HOWARD - FREAK LIKE ME



=

RICHARD X - FREAK LIKE ME (FEAT. SUGABABES)



Eu amo o YouTube.

sexta-feira, outubro 19, 2007

NOW, THAT'S A WHOLE NEW LOW

Hoje, quinta (tá, sexta, que seja), 0:40, Teatro Odisséia, show do Matanza bombando.

Eu cantando "Maldito Hippie Sujo". Menina bonitinha ao meu lado cantando também.

Eu: - Adoro essa música, subtexto incluído.
Ela: - Eu também! Muito boa! A banda é foda!
Eu: - É, também acho. Tá meio embolado, as músicas todas emendadas, mas é mesmo pra fã.
Ela: - Pode crer. Você tá sempre aqui?
Eu: - Ha ha ha, essa é nova, hein?!
Ela: - Ha ha, juro que não foi intenção, era só pra saber se você já viu outros shows aqui. Nunca tinha vindo.
Eu: - Sim, desde que o Edinho começou a festa aqui, tenho vindo sempre que posso, quase todas as quintas. Também já tinha visto o Matanza aqui mesmo no ano passado.
Ela: - Que legal! ah, você é fiel então.
Eu (cheio de más intenções): - Ah, sim, sou sempre fiel quando quero.
Ela: - Ha ha, tô falando da banda.
Eu (insistente): - Eu também, mas a fidelidade serve pra todas as ocasiões.
Ela: - Ha ha, então tá.
Eu (mil roteiros na cabeça): - Bom, nem posso mais perguntar se você vem sempre aqui, já sei a resposta. Vou direto pra próxima pergunta, que seria "Você tá sozinha?"
Ela: - Tô com uma amiga, que tá ali na frente com o namorado.
Eu: - Hmmmm...
Ela: - Mas, nesse sentido que você diz, sim, estou sozinha...
Eu (cabeça de lobo crescendo): - Interessante.
Ela: - Ou melhor, nem estou, ha ha ha.
Eu: - Juro que não entendi.
Ela: - Tem mais alguém aqui comigo - diz, levantando a camisa larga e mostrando a barriga de grávida.
Eu: - ...
Ela: - Cinco meses.
Eu: - ...

Eu juro pra vocês, quando "sem noção" deixa de ser volitivo para ser inerente, algo está errado.

quinta-feira, outubro 18, 2007

COMANDO DA MADRUGADA

Vem comigo.



6) K-VILLE
- Este é o apelido que recebeu New Orleans após o Katrina. A série, ambientada na cidade em fase (lenta) de reconstrução, mostra o cotidiano de dois policiais, Marlin Boulet, que teve seu último parceiro desertando-o durante o resgate às vítimas do furacão, e Trevor Cobb, ex-soldado com um passado escuso que tenta redimir através de trabalho e dedicação. Juntos, ambos tentam combater o crime cada vez maior na cidade arrasada, com uma força policial cheia de baixas e deserções. O motivo para ter me atraído é bem óbvio, depois de tudo o que escrevi neste blog, mas o melhor é que não é apenas mais uma série policial, também se destaca pelo enfoque social nas conseqüências do Katrina na vida de quem resolveu ficar ou voltar, as esperanças, decepções e mudanças radicais de vida. Quem também faz papel de polical é Tawny Cypress, que fez a falecida Simone de Heroes.



7) BIONIC WOMAN - Vou confessar: Jaime Sommers, para mim e os de minha geração, era a Lindsay Wagner, com suas roupas setentistas, seu charme loiro e fatal, seus pulos com aquele barulho tosco (nuh-nuh-nuh-nuh-nuh) e as pedras e carros falsos que levantava e arremessava nos vilões. Era linda, porém máscula o suficiente para o papel, que tinha analogia no fodão Steve Austin (Lee Majors), o Homem de 6 Milhões de Dólares. Quando eu vi o primeiro episódio deste remake, com a inglesinha Michelle Ryan no papel, por mais linda e maravilhosa que eu a tenha achado (e continuo querendo de presente de Natal), levantei duas sobrancelhas quanto a ela ter a aparência muito frágil para interpretar a mocinha que sofre um acidente quase fatal e tem seu corpo reconstruído por uma organização secreta, para ser o soldado perfeito. Mas com o passar de 4 episódios, a série engatou e não tenho dúvida de que ela está bem no papel. E aqueles olhos azuis, ai, ai...

OBS.: Atenção para o reaproveitamente de Isaiah Washington, o ex-Dr. Burke de Grey's Anatomy, defenestrado daquela por ter chamado o viadinho do T.R. Knight de viadinho.



8) CHUCK - É, mais um personagem com este nome. Aqui, ele é um über-nerd que trabalha numa loja de eletrônicos reparando computadores, não tem namorada, vida social, e só um amigo quase tão nerd quanto ele. Ok, tudo o que eu disse após "über-nerd" é, obviamente, redundância. Pois bem, certa noite, Chuck recebe um e-mail de um ex-colega de escola, que havia se tornado agente (duplo) da CIA, com toda a base de dados do Intersect, computador que contém todos as informações ultra-secretas do Governo americano codificadas em imagens. Ao abri-lo, as imagens e dados automaticamente ficam gravados no cérebro de Chuck, hipnotizando-o por uma noite inteira e se auto-destruindo logo depois. Na impossibilidade de remover os dados de sua mente, ele tem sua vida controlada por uma linda (e bota linda nisso!!!!!!!!!!!!!) agente da CIA e um agente enfezado da NSA, as duas agências que interagem e disputam o controle das informações e a segurança de Chuck a qualquer custo. Enquanto isso, este os ajuda em missões que vão surgindo a cada episódio, enquanto continua levando sua vidinha meia-boca. O primeiro episódio é meio bobo, mas os outros têm mais ritmo. Até agora me entretém.

Amanhã: as séries bizarras e as reprovadas.

quarta-feira, outubro 17, 2007

COM TINO ANDO

Desculpem, é mais forte do que eu.

Assim como é mais forte o impulso de não ir me deitar mais cedo pra compensar a noita mal-dormida passada, ansioso por ouvir o álbum novo do Nine Black Alps que vazou, "Love/Hate". Duas audições seguidas e comprovo que é mais uma gema de power-pop, com um toque um pouco menor de 90's grunge do que o anterior, o sensacional "Everything Is", do qual já falei aqui. A produção está mais limpa, a voz menos rouca e sobressaindo mais em meio às distorções das guitarras mancunianas (i.e. "de Manchester"). A fúria quase adolescente continua a mesma. De cara já entra na minha lista de melhores de 2007. Maldito público que subestima as melhores bandas. Dá de 10 a 0 naquela tentativa de engrupir fãs disfarçada de benevolência, que recebe o nome de "In Rainbows", novo árghbum do Radiohead. Decepcionante, até o "Hail To The Thief" e o "Eraser" do Thom Yorke eram melhores. Só três músicas se salvam. Preparem-se, quando chegar minha caixa por que paguei 40 libras, vou colocar à venda no Mercado Livre.

Bom, de volta às séries:




3) BACK TO YOU
- Kelsey Grammer ficou famoso no mundo inteiro, ao menos pelos fãs de TV, com o Dr. Frasier, personagem que participou de três séries distintas e que lhe rendeu alguns Emmys. Pois ele está de volta nesta pérola enxuta (menos de meia hora) e engraçadíssima sobre um programa de notícias em Pittsburgh. O âncora Chuck Darling (terceira estréia de série a usar este nome para um personagem-chave), que volta a sua cidade (e emprego) depois de 10 anos, após ter sido demitido de uma major por ter perdido a linha no ar, o que acabou parando no YouTube, tenta recomeçar a carreira, encontrando velhos amigos e rivais, novas figuras, como um diretor puxa-saco e uma garota do tempo ninfomaníaca, e algo a mais de familiar do que esperava. Uma premissa bem básica que rende piadas e situações mil, demonstrando em dois episódios uma equipe de roteiristas afinadíssima. Isso sem falar nos bons atores e no carisma de Grammer. Sério, não dá pra parar de rir. Que venham mais.




4) REAPER - Sam é um jovem de 20 anos que terminou o high school e não entrou para a faculdade. É obrigado a trabalhar numa loja de utilidades, onde enfrenta todas as agruras de uma vida sem sentido, sem futuro aparente e extremamente tediosa. No dia em que faz 21 anos, descobre que seus pais venderam sua alma ao diabo em troca de um favor e agora ele terá que servi-lo como bounty hunter, caçando as almas que escaparam do inferno e devolvendo-as ao seu destino final. Sam tem uma alma condenada diferente pra caçar por episódio, onde conta com a ajuda de seus amigos e um instrumento fornecido pelo capeta, o "veículo" (vessel) com que deve prendê-las, sempre algo inusitado como uma torradeira ou um carrinho de brinquedo. É, parece um pouco com Dead Like Me, mas recheado de ironia slacker e as nuances do cotidiano dos subúrbios americanos que só Kevin Smith sabe fazer bem e com graça. Não é à toa, então, que este é o consultor da série e dirige o primeiro episódio. Mas quem a carrega nas costas é Ray Wise, que parece ter usado o papel de pai demoníaco da Laura Palmer (Twin Peaks) para compor o seu Diabo, cuja mistura de charme, elegância e semblante psicopata faz Jack Nicholson parecer a Mary Poppins. Atenção também para Missy Peregrym, que desertou Heroes (onde fazia a vilã Candice) para viver um papel bem mais meigo aqui, como o interesse amoroso de Sam.



5) JOURNEYMAN - Um prato cheio para aficcionados em viagens pelo tempo, com um quê de "Early Edition", esta é a história de Dan Vasser, jornalista de San Francisco que se vê preso involuntariamente em missões constantes de viagem ao passado, em sua própria cidade, sempre com o intuito de salvar a vida de alguém, direta ou indiretamente, tendo que descobrir por si próprio quem deve seguir e como deve fazê-lo. Após intervir no momento da vida da pessoa pra que foi transportado, volta ao presente, retornando erraticamente ao passado do seu "protegido" até que a missão se conclua. Enquanto isso, precisa convencer a esposa, o filho, o irmão policial e o patrão de que não está enlouquecendo ou usando drogas em seus freqüentes sumiços, que começam com dores fortes de cabeça, onde quer que esteja. No passado, tenta entender ainda o mistério do desaparecimento de sua antiga noiva, que se julgava morta e acaba lhe aparecendo como uma outra (e mais tarimbada) viajante do tempo. Ficou confuso? É assim mesmo. Tente assistir. É cativante.

Por hoje chega, né? Mais amanhã.

terça-feira, outubro 16, 2007

SLEEPLESS

Seria um grande clichê literário (??) começar um texto com "são 4:36 da manhã e...", logo, já que o comecei com "seria um grande clichê...", posso dizer agora: são 4:37 da manhã e não consigo dormir. Poderia culpar a imensa dor muscular em ambas as coxas derivadas provavelmente de contraturas contraídas (aliteração proposital) em uma partida de futebol com a galera da Matriz, novo passatempo das tardes de segunda. Isto porque estou há 4,5 anos sem jogar (sic) bola e há mais de 2 anos sem qualquer exercício físico vertical. Já seria o suficiente pra me impedir de deitar confortavelmente, quanto mais pegar no sono.

Mas não, é outra força que me urge a ficar alerta para contemplar a aurora. Ainda estou tentando descobrir qual é. Na falta de uma resposta melhor, foi Murphy quem controlou minhas sinapses durante a pelada e cortou a comunicação do meu cérebro mandando minhas pernas correrem, o que me derrubou de quatro no campo de grama sintética, de uma forma visualmente patética (eu juro que não estou forçando essas rimas) e assim me prostrou imóvel e insone em frente ao computador para atualizar esta merda. Esta é a minha missão. Prossigamos.

Crises de (ident)idade são úteis no sentido em que a solidão e o isolamento não parecem assim tão odiáveis ou tediosos. Ter mais vontade de ficar em casa do que sair apresenta suas vantagens e, em se tratando de uma pessoa tão ligada a mídias que envolvam música, leitura ou cinema (odeio teatro e poesia) como eu, é o momento perfeito para colocar em dia minhas séries prediletas e suas novas temporadas, como Dexter e Heroes. O problema é que são muitas estréias recentes de séries nos EUA, nenhuma delas ainda passando aqui, o que incita meu gosto pela novidade e atiça a curiosidade. Tirando as duas de cima, então, já notórias o suficiente, eis meu resumo sobre o que vem me prendendo a atenção de dois meses pra cá, obviamente ordenadas por preferência:


1) CALIFORNICATION - Hands down, minha predileta. Os fãs de Arquivo X que me perdoem, mas David Duchovny encontrou no escritor Hank Moody seu personagem perfeito e o melhor papel de sua carreira. Eu encontrei nele quase um alter-ego, ainda mais de uns 3 anos e pouco pra cá. Com um bloqueio criativo após ver seu livro mais recente transformado em um filme baba com Tom Cruise e Katie Holmes, Hank tenta colocar a vida de volta nos trilhos, enquanto lida com sua ex-namorada que está em vias de se casar com outro e por quem ainda é louco e sua filha pré-adolescente. Nesse ínterim, mergulha de cara no hedonismo, com todos os excessos que Los Angeles e seu misto de glamour e decadência lhe oferecem, enquanto come todas as bucetas que lhe atravessam o caminho (o que nunca é um excesso, claro). Diálogos espertos, citações referenciais mil e uma metralhadora giratória que não livra a cara de ninguém. Pena que os episódios de meia hora passem tão rápido.




2) PUSHING DAISIES - Se Californication não tivesse uma atração tão pessoal pra mim, esta com certeza seria a vencedora. Qualquer fã de cinema e das estripulias visuais com toques de comédia e humor negro de Barry Sonnenfeld (Família Addams, Homens de Preto) e mesmo das estranhices de Tim Burton (como em Peixe Grande) vai se deliciar com esta série, que é produzida e dirigida pelo próprio Sonnenfeld e tem como criador Bryan Fuller, que fez sucesso com a série Dead Like Me. Imaginem o seguinte diálogo entre Fuller e um chefão de uma grande rede de TV:

Fuller: - Tenho uma idéia genial para uma série, patrão.

Chefão (altamente desinteressado): - Ahn.

F: - É uma comédia romântica, com toques de humor negro, mas um candor irresistível.

Chefão (pulga atrás da orelha): - Continue.

F: - Seguinte: Acompanhamos o protagonista em sua infância, num episódio em que seu cão é atropelado. Aí ele descobre que tem o poder de ressuscitar os mortos com um só toque. Corta para o seu cotidiano e o vemos ressuscitar uma mosca, enquanto admira a filha do vizinho brincando. Ela é sua paixão platônica. Corta de novo para a cozinha do menino. Sua mãe morre com um aneurisma e ele a ressuscita. Aí o vizinho cai morto depois de um minuto. Mais tarde, sua mãe o beija na cama e cai morta novamente, em definitivo. O menino percebe que se ele ressuscitar alguém por mais de um minuto, outro ser vivo morre. Se ele tocar quem ressuscitou novamente, este volta a morrer. Corta pra 20 anos no futuro, onde o protagonista tem uma loja de tortas e trabalha em conjunto com um detetive particular que descobriu seu segredo. Assim, Ned, o protagonista, ressuscita vítimas de assassinato pra perguntarem quem os matou e pegarem a recompensa. Antes de completar um minuto, toca novamente na vítima pra que ela volte a morrer. Aí acontece de ele encontrar com a sua antiga vizinha, que...

Chefão (incrédulo) - Você tá maluco? Tá fumando crack??? Acha que eu jogo dinheiro pela janela?? Que idéia mais imbecil!!!! Vai pra puta que te pariu e não me apareça mais aqui!!!!

Ainda bem que este diálogo não aconteceu e o projeto recebeu a luz verde. O que se segue (e do qual, acreditem, só contei uma pequena parte) é um caleidoscópio de cores (fortíssimas), estranhezas (muitas) e uma doçura impressionante, apesar do tema bizarro, que me deixou com os olhos cheios d'água e um sorriso no rosto ao final dos dois episódios já colocados no ar. Com um narrador em off, como se fosse uma fábula (é o mesmo cara que lê os audio-books do Harry Potter), a história de Ned e Chuck (Anna Friel, o "zumbi" mais fofo da TV) comove e impressiona por parecer mais coisa de cinema do que de TV. Infelizmente, como o público televisivo é de extremo mau-gosto, acho que este é mais um candidato para virar cult, se durar até o final da temporada. ASSISTAM ONTEM!!!

E... bateu o sono. São 5:28. Amanhã eu continuo a lista. Ironicamente, a próxima é... Back To You.

quinta-feira, setembro 27, 2007

SPARE ME THE SUSPENSE

Por um instante duvidei de que conseguiria escrever algo hoje, sóbrio que estou. Ainda duvido. Fora coisas corriqueiras como indicações de séries novas de TV (que realmente pretendo colocar aqui tão logo assista ao remake de Mulher Biônica), não há nada em ebulição pra causar impacto ou suscitar fofoca ou especulações (como as perguntas de amigos sobre quem seria la muse). Mas ela me sorriu hoje. Gossip Girl, wait for tomorrow. (aqui vai o smilie da piscadinha).

Pensei mais cedo em como seria surreal, porém curioso, se eu me engajasse numa jornada pra localizar cada uma de minhas paixões platônicas do passado que sumiu e sossegasse o id ambulante aqui, confrontando-as de alguma forma, tal qual o Rob Gordon (Fleming). "Fernanda, aí está você. Engordou, né? Hmm, ainda bem que caí fora". "Patrícia, há quanto tempo!!! E aí, casada, com filhos? Como vai a velha chama? Não brilha mais, né? Pena. Não, ando sempre numa boa. Foi mal". "Márcia!! Lembra daquela época, como éramos jovens e burros? Bom, não sou mais jovem, mas pelo menos também não sou mais burro. E você?" "Talita, você continua linda! Vamos tomar algo? Pra minha casa ou pra sua? Uau, essa demorou!"

Ou não. Deveríamos passar 35 anos vivendo e mais 35 consertando as besteiras feitas até ali. Zerar o karma. Nunca errei com essas aí e tantas outras, o destino é que errou comigo. Mas tenho uma lista de erros enormes com diversas outras. My Name Is Byron. Tá vendo, nem a idéia é original, e o Jason Lee tem mais carisma do que eu pra fazê-lo. Eu que sempre me gabei de jamais me encaixar em estereótipo algum, me pego imerso no maior clichê de todos. Posso escrever "o relógio está batendo"? Chutemos o balde, por que não? Meu narcisismo é tanto que até a admissão de minha crise me soa charmosa, um motivo para empatia, pena (mais auto-perceptível do que alheia) e compulsões.

Que venha o hedonismo então, fulminando meu charme como um fósforo em poucos segundos, a única coisa que eu realmente aprendi a fazer, e muito bem. Bring it on.

quarta-feira, setembro 26, 2007

ABSORÇÃO

É um processo lento a escrita. Passa o tempo sem que a união perfeita entre as frases soltas, às vezes desconexas, apareça à sua frente. Tenho certeza de que algumas estão nos parágrafos errados, outras pareciam geniais no momento em que surgiram ali, ao lado da lâmpada que se acende no cérebro, e agora soam banais e infantis. Não sei se realmente me importo. Já tentei ser mais intenso um dia, tentar aparentar relevância. Cada letra que digito, atualmente, me parece mais um desperdício do tempo precioso de alguém. Porque eu me solidarizo.

Ansiedade. Não é o mot du jour, a doença que consome esta geração internética, ávida de conhecimento, porém cada vez com menos tempo para absorver o excesso de informação ao alcance dos dedos? Sei bem disso, já era ansioso antes de conhecer a World Wide Web. Mas não consigo evitar a absorção. Problemas, informações, dramas, conhecimento, por enquanto só me encontro capaz de consumir. Estas linhas são uma rara exceção de retribuição, de externalizar a confusão que retenho, mesmo que com filtro e critério duvidosos. Ou terei eu algum crédito com vocês?

Estou seis quilos acima do meu peso. Absorvo. Minha alma está mais inchada ainda do que meu corpo, um estado esquizofrênico em que meu lado cínico, sarcástico e anti-social consegue conviver com a minha índole de bonzinho, extrovertido e sociável. Sem conflitos aparentes, já que o primeiro só tem se manifestado assim que me sento ao computador. O diabo nunca cruza com o anjo. E pode desta forma se concentrar melhor. Absorto.

Nunca tive tão pouca tolerância pra estupidez. A mesma falta de tempo que a geração virtual nos traz me bloqueia invariavelmente de perder meus preciosos segundos com gente que precisa evoluir muito pra se enquadrar como burra. Enquanto concursos para a Guarda Municipal do Rio exigem pelo menos 20 dentes de cada candidato, convive-se diariamente com pessoas que sequer usam mais do que 5 neurônios. Inaceitável. O que nada tem a ver com alfabetização, tem a ver com a pura e cristalina incapacidade de se gerar sinapses. Raciocínio mesmo. O que causa ruído em comunicação e quase sempre informação que eu não quero absorver. Hey, who knows, quem leu até aqui pode ter achado isto tudo bem inútil. Desculpe, não continue, absorva em outro lugar.

É o diabo mal-humorado falando, que acaba de voltar do show do Marilyn Manson com a sensação de ter apenas cumprido tabela. Há 10 anos, quem sabe? Hoje foi apenas pra bater cartão. Depois que Trent Reznor e cia. pisaram por estas bandas e arrasaram, fica difícil não categorizar agora qualquer show desses como uma espécie de Castelo Rá-Tim-Bum. Também, foi mal se meus parâmetros pra shows cresceram bastante após ter visto centenas deles, incluindo minhas bandas preferidas no espaço de um mês. Não é tirar onda, é um processo natural, nivelar por cima. Raro me deparar com uma apresentação que não seja previsível. Mas... fazer o quê? Absorção, esta necessidade premente.

Por isso vou ali absorver o episódio novo de Californication e a estréia da segunda temporada de Heroes. Amanhã vomito mais alguma coisa.

terça-feira, setembro 25, 2007

BACKLASH

Eu sei, eu sumi. Digito essas linhas tortuosas por influência do vinho. Tortas seriam também se não fosse a formatação do Blogger. Ou Google. Ou o que quer que realmente esteja me controlando a cada tecla. In Vino Veritas. Detesto contestar os romanos ou subverter-lhes no sentido da frase, mas é a mais pura verdade. Contemporânea que seja, não existe no mundo bebida mais poderosa em forçar a confissão da alma alheia do que o vinho. Álcool, por si só, não é suficiente. O vinho, esse liquor que não mata, de que ouvimos relatos de bebedores contumazes e diários que viveram lúcidos até os 100 anos, como se explica, será a ultimate therapy? Poderíamos ser capazes de nos transmutar em xamãs com o cérebro cheio de mescalina e exorcizarmos nossos demônios interiores, ao mesmo tempo em que buscamos iluminação, com banais taças de vinho, esse líquido turvo e roxo?

Bobagem sequer tentar responder. São as palavras de um bêbado, não perceberam ainda? Não levem em consideração.

Devo muito nesse espaço entre o último post e agora. Pagarei minhas dívidas. No interstício do instante em que pisei em solo brasileiro até o presente momento, já encontrei problemas no trabalho, tentativa de suicídio na família e uma crise dos 35 que resolveu sair do papel. Nelson Rodrigues perde.

Mas longe de mim entrar em um clichê tão patético quanto "afogar minhas mágoas". Não quero afogá-las. Nos últimos dias, esforço-me em mantê-las nadando tranqüilamente* num mar de álcool e bílis, à minha disposição para lançar a bóia e usá-las quando me for conveniente.

E toda empolgação em escrever necessita de uma musa. Eu descobri a minha. Ela é linda, ela é diferente de mim, ela tem prazo de validade, ela é inacessível. Como toda musa. E ela tem um sorriso encantador. Como resistir a um sorriso encantador?

No mais, aguardem, escreverei tudo o que prometi.

* - eu uso tremas.

sábado, agosto 25, 2007

QUEM MEXEU NO MEU CAJUN – PARTE IV

Já chegou a hora do programa terminar
Mickey Mouse...
(logo nos veremos de novo!)
Vai partir...
(porque gostamos de vocês...)
Vai se despedir...


Despedida do Clube do Mickey, nos anos 80.

That's all, folks! Adoraria cumprir a promessa de digitar as coisas conforme iam acontecendo, que fiz pouco antes da minha viagem, mas infelizmente a ausencia de Internet em altas horas (convenhamos, as unicas em que se pode escrever quando se esta viajando e vendo mil coisas) na maioria dos lugares onde estive prejudicou meus planos. Se ha um grande arrependimento, eh o de nao ter trazido um laptop, nao so por se poder escrever a hora em que quiser, mas tambem porque se tem uma coisa que existe aqui em grande oferta, e de graca, eh ponto de wi-fi. Ah, e seguranca para carregar seu computador e abri-lo aonde for.

Claro, isso nao quer dizer que eu esqueci de relatar as coisas, apenas vou fazer com atraso, assim que chegar ao Rio, na segunda, ja que parto hoje para Miami. Como chego tarde e o dia amanha sera reservado para ultimas compras, esta eh minha ultima postagem em terras estrangeiras. Tudo vira a seu tempo, integralmente. Eh muita coisa pra contar. Rock The Bells, Virgin Festival, EUA em geral, cidades, lugares, cemiterios, lugares mal-assombrados, tudo aguardando relato.

Ainda vou falar bastante de New Orleans, mas so pra encerrar no clima e aproveitar o titulo com trocadilho, concluo as observacoes gerais sobre a cid
ade e o que o Katrina conseguiu com sua furia. Bom, nunca mais NO sera a mesma. Ainda que todos que sairam da cidade voltem, que ela seja toda reconstruida (acho muito dificil depois do que vi ontem) e que o turismo volte ao normal, a marca deixada pela destruicao e pelo descaso que sofreram suas vitimas eh muito profunda.

Ha aqueles que sofrerao eternamente pelas perdas, ha os que acharam um meio de contornar a tragedia, seja pelo humor, seja pela musica, seja pela indiferenca. Melhores frases de camisetas a venda nas diversas lojas de turistas: "KATRINA GAVE ME A BLOW JOB I'LL NEVER FORGET", "FEMA EVACUATION PLAN: RUN, MOTHERFUCKER, RUN!" e "MAKE LEVEES, NOT WAR". As galerias e lojas de arte do French Quarter todas tem alguma obra que se refere ao furacao, algumas ate de series ou personagens criados.


O Lower Ninth Ward eh um lugar-fantasma. Ao se passar por la, ve-se ainda o que sobrou das casas, as lojas fechadas, um Six Flags abandonado, a linha amarelada na parede das casas indicando ate onde a agua chegou, grandes espacos vazios de onde casas foram arrancadas, um tumulo em formato de bairro. Foi onde a agua chegou a mais de dez pes e nao sobrou diferenca entre terra e o lago Pontchartrain.

No telhado das casas, as marcas caracteristicas da enchente, sinais em "X" onde a FEMA colocava nos lados o numero de pessoas e animais de estim
acao mortos encontrados. Com excecao das casas, de alguns indicios de destruicao ainda nao removidos, como barcos atolados, um farol que caiu, montinhos de lixo e entulho aqui e acola, a maioria dos destrocos ja foi retirada. Mas as fotos que vi de quando a agua baixou sao impressionantes.

As outras areas alagadas em menor escala, como Gentilly, a area da London Ave., Carrolton, tambem tem os mesmos sinais. Mas nestas a quantidade de casas ja em processo de reforma e reconstrucao eh bem maior. No Lower Ninth Ward, a devastacao impera. Um grupo de musicos, em especial Harry Connick Jr., Brandford Marsalis e Dave Matthews, ajudou
a custear uma associacao que esta construindo a "Musician's Village" na parte superior do Ninth Ward. As demais areas alagadas da cidade sofreram bem menos. Mas afetaram mesmo os bairros que escaparam, como o French Quarter e o Garden District, onde os bondinhos nao funcionam ainda. E eh fato que sem a ajuda do Governo Federal (dinheiro!!), as reformas mais necessarias, ou seja, replanejamento dos diques e da costa de New Orleans para evitar uma futura inundacao, que vai eventualmente ocorrer se as obras nao forem feitas, nao estao acontecendo com a rapidez como deveriam.

Spike Lee acabou de estrear na HBO um otimo documentario sobre o assunto, When The Levees Broke
, do qual assisti um pedaco ontem e pretendo baixar assim que chegar em casa. Coloquei as fotos que tirei ontem no Flickr.

Gente como David Fountain, que mora no Ninth Ward e enfeitou sua casa inteira, ate o teto, com instrumentos musicais e manequins, montando a Katrina Band, tem o bom-humor e a ironia de que todos precisam pra colocar em pratica as tres palavras de ordem espalhadas em bandeirolas por toda a cidade, como se pode ver abaixo:

Triste, triste. Foda este lugar, ainda mais para amantes de lugares assombrados e cemiterios como eu.

Bom, eh isso. See ya in Rio.

sexta-feira, agosto 24, 2007

QUEM MEXEU NO MEU CAJUN? - PARTE III

A primeira coisa que se pensa ao se chegar a New Orleans eh que o fato de nao haver mais noticias sobre o Furacao Katrina que quase destruiu a cidade ha dois anos significa que ela ja se reconstruiu em boa parte e que nao ha mais problemas. Basta um passeio por qualquer lugar daqui e uma conversa com qualquer morador pra saber que isso esta incrivelmente longe da realidade. A cidade ainda luta para reconstruir corpo e espirito perdidos em parte com a catastrofe. Nao ha como esquecer o fato, o nome "Katrina" esta nos jornais locais diariamente. E mesmo as partes nao afetadas diretamente pela inundacao, como o French Quarter e o Garden District, sofrem as consequencias.

Uma tour hoje de manha pelas regioes mais castigadas pela inundacao, principalmente o Lower Ninth Yard, faz perceber que uma area de centenas de milhares de casas ainda esta deserta, uma cidade-fantasma, onde mesmo bancos, Wal-Marts e e o comercio inteiro estao fechados, a espera ou de reconstrucao ou da volta de moradores, muitos ainda embananados com tramites legais de indenizacoes de companhias de seguro, embates com a FEMA e a Prefeitura e, infelizmente, um jogo de empurra violento das autoridades e engenheiros sobre a quem cabe a culpa pelo rompimento dos diques e a consequente inundacao. Ja se sabe que o Katrina nao foi tao violento assim e que New Orleans ate estava numa area relativamente segura do alcance do Furacao. O problema mesmo foi que os diques nao aguentaram a pressao do Lago Pontchartrain e arrebentaram ou vazaram.

Em meio a revolta de quem perdeu tudo ou viu pessoalmente ou pela TV cenas de tragedia e destruicao, eh admiravel o espirito de que a cidade se imbuiu para tentar trazer de volta a alegria ao berco do jazz, porta de entrada de boa parte dos frutos-do-mar no pais, um de seus principais portos e aquela que eh considerada uma das cidades mais liberais dos EUA. Falta muito ainda, pelo menos mais uns 8 anos, segundo previsoes. E com tanta discussao legal, o principal elemento necessario, ou seja, o dinheiro, esta dificil de ser liberado. Quanto a disposicao do Governo pra ajudar, todo mundo viu, ate nos no Brasil, como eles foram incapazes de fazer uma operacao decente de resgate e socorro e nao deram a minima para os desabrigados e vitimas, a maioria pobre e negra.

Sabe aquelas cidadezinhas no meio do nada, no Espirito Santo ou Bahia, aonde paulistas e cariocas vao passar o Carnaval? Chega a Quarta-Feira de Cinzas, menos de 1/6 das pessoas que passaram os 4 dias ali circulam pela rua, como se nao acreditassem que o Carnaval acabou e ainda estivessem tentando resgatar a libertinagem de outrora. Pois bem, eh exatamente assim que esta a noite na Bourbon Street, a famosa Bourbon Street, desde que cheguei. Quase patetico, um misto de Rua Augusta, com suas casas de show erotico, com Copacabana e as lojas de artigos e lembrancas turisticos. Barulhentas casas de show com musica ao vivo, a maioria de vazia a meia-boca, uma sombra do que deveria ser. Ta, esta nao eh exatamente uma estacao turistica, ainda mais com esse calor todo, mas nao deixa de se passar a impressao de que alguma centelha ainda precisa ser acesa por aqui.

New Orleans eh um lugar onde se pode beber na rua, ao contrario do resto dos EUA, onde sempre houve o espirito do hedonismo como principal propaganda da cidade, seja por sua extrema musicalidade, seja pelo lado mistico do vudu, seja pela libertinagem que aqui eh incitada. Chegou a ser o lugar onde os escravos eram melhor tratados em seculos passados, onde havia homens de cor livres e onde o racismo ocorria em menor escala. Isso mesmo sendo parte de uma regiao centro-sulista extremamente segregacional e agressiva. Levando-se tudo isso em consideracao, nao eh de se espantar que muita gente compare a tragedia do Katrina com uma desgraca divina a la Sodoma e Gomorra. Eh o mais perto que se pode chegar de uma associacao biblica.

A grande diferenca eh que as falhas aqui foram humanas e o poder de reconstrucao esta na mao de humanos. Sera que da?

Mais tarde eu volto, vou ali na casa da Anne Rice tomar um cafe com as Mayfair Witches.
QUEM MEXEU NO MEU CAJUN? - PARTE II

Dialogo mais cedo no Bastille Cafe, unico internet spot remanescente no French Quarter pos-Katrina:

Chacal: - Eh uma pena que este seja o unico lugar pra se acessar a Internet daqui, ja que fecha as 20h.
Dono: - Bom, havia outros, mas a maioria ou perdeu o que tinha depois da tempestade, ou teve que fechar por falta de movimento. Mas para a sua sorte, ha um Fedex Kinko's no Central Business District (CBD) que acabou de voltar a funcionar 24 horas.
C: - Justamente o que eu queria! Onde fica?
D: - Na esquina da St. Charles com a Julia St. Tem um onibus que passa na Magazine St., duas ruas abaixo, e o bonde passa na propria St. Charles, mas para de circular cedo.

23:20, apos tomar uma cerveja e desistir da turistada meia-boca que mal anima a Bourbon Street, pego o ultimo onibus para a esquina da Magazine com Julia. Fica a cerca de 8 quarteiroes da Canal St., que, por sua vez, fica a 9 quarteiroes do meu hotel e eh a rua que separa o French Quarter do CBD (o centro da cidade daqui).


Nas ruas, ninguem. Deserto. Vejo a Fedex Kinko's na esquina. Fechada. Mil desejos de morte passam pela minha cabeca. Volto a pe os 17 quarteiroes, parando apenas pra digitar estas linhas, de pe, num terminal Tabajara no Holiday Inn, do qual finjo ser um hospede.

FILHO DA PUTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!

Amanha eu prometo que escrevo por aqui.

quinta-feira, agosto 23, 2007

QUEM MEXEU NO MEU CAJUN?

Sittin' on a sack of beans
Sittin' down in New Orleans
You wouldn't believe what I've seen
Sitting on that sack of beans

Lunatics on pogo sticks
Another southern fried freak on a crucifix
Hicks don't mix with politics
People on the street just kickin' to the licks

Yes my favorite place to be
Is not a land called Honah Lee
Oh, mentally or physically
I wanna be in New Orleans

Eis-me na parte final de minha viagem, diretamente do French Quarter, sob um calor infernal de verao no Rio. Infelizmente nao ha internet 24h aqui por perto, dai eu nao ter escrito nada ontem. Como daqui a pouco tenho uma tour pelos cemiterios da cidade, emendada na Katrina Tour, volto mais tarde. Nada como ver os novos pontos turisticos.

A letra acima eh um trecho de uma de minhas musicas preferidas do "Blood Sugar Sex Magik", do RHCP, "Apache Rose Peacock", e desde que a ouvi pela primeira vez, eu quis vir a New Orleans. Estava pra vir em 11/2005, mas ai todos sabem o que aconteceu ha quase dois anos. Pena, o lugar eh lindo e convidativo, apesar da epoca atual de calor e umidade. Mais sobre NO depois.

Hoje a noite: Caindo na estrada, dirigir nos EUA, produtos e curiosidades americanas, Saratoga e Atlantic City.

Ate.

terça-feira, agosto 21, 2007

PIMPIN'

Bom, vou ficar devendo nas atualizacoes ate chegar quarta em New Orleans. Estou em Houston, a cidade onde ninguem anda na rua ou a pe e dando atencao pro meu camarada Kamache, nao rola de ficar nerdando aqui. Mas pelo menos da pra postar algumas atividades em que venho fazendo incursoes, como esta aqui:



Ate la.

domingo, agosto 19, 2007

ALGO ERRADO

O inferno astral nao deveria terminar no dia do nosso aniversario? Hmmm, acho que me pregaram uma peca. Senao vejamos:
1 - O Rock The Bells ontem foi maravilhoso, mas termos ficado expostos ao vento frio da Baia de San Francisco enganou todo mundo quanto a continua exposicao ao sol e o inevitavel resultado: todo mundo vermelho e torrado. Acordei hoje como um camarao assado e doido;

2 - O valet park do hotel, que eu achava poder facilitar a minha vida, complicou: atrasou meia hora na devolucao do meu carro e acabei chegando tarde demais pro check-in. Ou seja, perdi o voo, so saio de SF as 3 da tarde e, com conexao em Denver, so encontro com o Kamache a meia-noite em Houston. So much for a nice birthday dinner.

3 - O Kamache disse que uma tempestade se aproxima da America Central a todo vapor. Daqui a uma semana faz dois anos que o Katrina arrasou New Orleans. Dependendo das coisas, vou ter que fugir junto com ele e a esposa. Nao sei como sera o desfecho de minhas ferias.

Fora isso, tudo bem, Murphy, fuck you very much.
VERSAO 3.5

O tempo eh uma coisa estranha. Nesta semana, estava numa deli qualquer de Los Angeles comprando um sanduiche e refrigerante para levar e rolou quase um deja vu de cerca de um ano atras. Lembrei-me perfeitamente, naquele instante, de quando estava em Dublin, na minha viagem de 2006, no ultimo fim-de-semana, e resolvi fazer um piquenique no St. Stephen's Green. Mas nao foi uma simples lembranca. Veio a minha mente uma imagem perfeita minha sentado na grama, abrindo o saquinho de batatas-fritas, bebendo um Dr. Pepper e cortando um pedaco de brie para colocar na torrada. Ao fundo, familias passeavam no parque ensolarado, apesar do vento frio. Com a imagem vieram o cheiro do brie fresco, o frio do vento cortante, o burburinho das criancas e casais na grama e circulando. Foi assim, uma lembranca perfeita. E parecia que so havia se passado cinco minutos daquele domingo do comeco de setembro.

Sera que eh assim que o tempo parece depois de certa idade? Sera que a incapacidade de se absorver muita coisa nova por sobrecarga de informacoes faz com que os dias se parecam iguais e, logo, uma serie de 30 dias parece um so? Porque, pela primeira vez, nao so mal pareceu que um ano se passou, como esta eh a primeira viagem em que me encontro onde 24 horas parecem mesmo 24 horas, e nao 36. Ta, eu ja conhecia varios dos lugares aonde vim, nao havia muito para se ver e vim mesmo em funcao dos shows. Mas a iminencia da meia-idade me faz ter esses devaneios mesmo, eh normal.

Hoje completo mais um ano de existencia e continuo nao me encaixando naquela imagem que eu imaginei que teria no ano 2000, quando tinha apenas 10 anos: gordo, careca, casado, com 3 filhos. Mas ate um genio como Kubrick imaginou que estariamos no espaco em 2001, nao?

Hoje: Houston. We don't have a problem.

sábado, agosto 18, 2007

ENCOSTOU, CONTRAIU, RELAXOU... AI, QUE SUSTO!

Foi basicamente assim que meu dia de ontem quase inteiro se passou. A malvadeza de Murphy em fazer o dolar comecar a subir enquanto gasto horrores foi desnecessaria. Contatos com o banco e administradora de cartao, frequentes checagens nos jornais e saques descontrolados em ATM's. Vamos ver como as coisas rolam nos proximos dias, mas que foi um puta susto, foi sim. Mas nada que me iniba de ter ido a Amoeba Records assim que cheguei aqui em San Fran e comprado mais.

Los Angeles na quarta-feira nao prometia muita coisa. A temperatura mais amena, mas ainda quente, nao favorecia os passeios a pe e eu nao estava muito a fim de encarar uma praia. O jeito foi passear novamente pelo Hollywood Blvd., no trecho turistico, conhecer o Kodak Threatre, que estava em construcao da primeira vez em que estive aqui, desviar de pedintes e de maes que me perguntavam "voce viu alguma estrela na calcada de alguma atriz recente, que minha filha de 13 anos possa reconhecer?" Vontade de responder "minha senhora, vi as da Britney e da Lindsay Lohan, ali, pertinho da sarjeta mais nojenta". Com o Museu da Morte fechado temporariamente, nao sobrou muita coisa de interesse.

O show das Gore Gore Girls na filial angelena da Amoeba foi mais ou menos. Som de garagem honesto, mas nada de especial. Tinha marcado com o Radich, um amigo de adolescencia que morava la ha anos, e acabamos dando um pulo em North Hollywood, perto da casa dele, pra tomar um cafe no Starbucks e falar da vida. E eu fiquei quase convencido a comprar um Mac e comecar a mexer com musica, mixagens e discotecagens pra valer. E foi algo que acabei realmente decidindo mais tarde, ao ver o show do Z-Trip no House Of Blues. Mas isso eu so vou falar com calma amanha. Preciso acordar cedo, as 11 e pouco (3 e pouco no Rio) ja tem show no Rock The Bells.

Fiquem com o Detroit Cobras encerrando o show do Troubadour de ontem com minha musica favorita:


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