sexta-feira, novembro 30, 2007

FRASES DA SEMANA

Antes que eu me esqueça.

"Todas as mulheres são loucas e todos os homens são bobos".

- Alexandre Nix, blogueiro frenético

"Esta está sendo a melhor menstruação da minha vida".

- Ana C., surtada... e menstruada

"Eu tenho manias normais, tipo, cada flyer que eu recebo eu faço um barquinho".

- Júlia Resende, auto-proclamada workaholic e pseudo-intelectual

"Eu não vou amanhã (hoje) ao aniversário da Funhouse. Vai ser no Clube Inferno. Eu sou católico, não entro em um lugar com esse nome. Já pensou eu ligando pra minha mãe? 'Mãe, tô no Inferno!!'"

- Rogério Real, DJ, mandando a real

"Por que diabos você ligaria pra sua mãe de madrugada só pra dizer onde está? Ai, desculpa, falei 'diabos'".

- Carlos André Cruz, fiscal da Receita, respondendo a Rogério Real e precisando de remédios

quarta-feira, novembro 28, 2007

O DIA EM QUE EU TENTEI VIVER



Eu não ando com o mínimo saco para escrever nos últimos dias. Fazer relatórios pro trabalho me tira a vontade de ter que criar outros textos por aqui. A título de terapia, então (existe mais um motivo para eu ter um blog?), eis a obsessão que me consome há uma semana: o show do Chris Cornell, dia 12/12, no Citibank Hall.

Lá pelos meus 20 anos, no começo dos anos 90 - 1992, se não me engano - eu me lembro de estar sentado na sala com amigos meus e do meu irmão, após uma "jam session" em minha casa (ou seja, barulheira infernal sem o mínimo de talento), quando discutíamos sobre que tipo de som tocar, se o metal que vinhamos ouvindo (Iron Maiden e Megadeth), funk metal (RHCP e Faith No More) ou rock dos anos 80. O punk passou batido em Campo Grande, até hoje não engulo. Eis que surge o Nirvana tocando "Smells Like Teen Spirit" na MTV. Desconhecido, até então. Dei um pulo do sofá e disse: "Porra, é isso aí!" Em seguida, vieram clipes de Alice In Chains e Pearl Jam. Para todos, hoje, isso pode soar clichê e previsível, mas na época, ninguém conhecia aquelas bandas. E foi aquele som que nos motivou a tocar e mudar sensivelmente o repertório. O pessoal saiu da sala, fiquei sozinho. Entrou o Soundgarden com "Outshined". Fiquei vidrado. Eu queria chamar os outros de volta pra ouvir aquele som, mas sabia que nossas limitações musicais jamais nos permitiriam reproduzir aquilo. O vocal, então, nem se fala.

O que aconteceu depois, todo mundo já sabe. E o Soundgarden passou a ser minha banda preferida da primeira metade dos anos 90. Eu queria ter 1/10 do talento que o Matt Cameron tinha na bateria. Quando eles praticamente decretaram "grunge is dead" com o lançamento da obra-prima "Superunknown", eu já era um humilde servo. Hoje continuo apenas um servo, a humildade já se foi. E voltei a ouvir o "Superunknown" duas vezes ao dia. Sabia cada batida de cor, tocava no violão todas as músicas com afinações bizarras e cantava todas as letras em tom mais baixo (óbvio!!).

A banda lançou o ótimo, porém inferior (e subestimado), "Down On The Upside" em 96 e acabou quase em seguida, movida por brigas e vaidade. Matt Cameron foi tocar no Pearl Jam (o que para mim equivale a Zico jogar pelo Vasco) e esqueci dele. Mas ainda me lembro da simplicidade, ritmo e cadência que dava até a músicas menos explosivas, como Rhinosaur, Head Down e a depressiva Mailman. Melhor baterista dos anos 90, na minha opinião. E olha que eu adoro até o que vim a ouvir atrasado pré-Badmotorfinger, como as ótimas Hands All Over e Loud Love.

O Chris? Bom, aquele vozeirão impressionante era um tremendo embaraço ao vivo. pelo que tenho de gravações do Pinkpop e Lollapalooza em 92 e em outras dezenas de vídeos, não só do SG, mas também do deprimente "Rage Against The Garden" (Audioslave), ele não sustenta ao vivo os agudos. Observando alguns vídeos da nova turnê solo, no entanto, pelo usuário do YouTube CornellsGarage, dá pra sentir uma leve melhora, mesmo com 43 anos de idade, muitas drogas e cigarros depois. Repertório do show de 13/11 nos EUA:

Let Me Drown
Outshined
Show Me How To Live
Out Of Exile
No Such Thing
Billy Jean
Hunger Strike*
Spoonman
Doesn't Remind Me
Cochise
Ty Cobb
Arms Around Your Love
You Know My Name
Be Yourself
Pretty Noose
What You Are
Rusty Cage

Superunknown
Seasons**
Burden In My Hand
Slaves & Bulldozers

* - Temple Of The Dog
** - trilha sonora do Vida de Solteiro

No dia seguinte, ele cantou Black Hole Sun com o Peter Frampton e costuma alternar outras músicas do SG.

Com todas essas aí em cima e mais outras que podem entrar, será impossível que eu perca esse show. Reminiscências e reencontros com o meu eu de 20 e pouquinhos anos, mesmo que não seja o Matt na bateria, mesmo que a voz do Chris não agüente, mesmo que aquilo que eu busque não esteja mais lá.

Sim, cada uma das músicas sublinhadas acima é um link para um vídeo no YouTube. Quero que vocês ouçam o que eu falo.

quinta-feira, novembro 22, 2007

O SENTIDO DA VIDA

O clichê dos clichês metafísicos dá nome a este texto, mas nada tem a ver com o seu conteúdo, salvo pela menção à inutilidade de certas ações dentro do nosso espectro existencial. E esta frase ridiculamente prolixa foi apenas para evitar um trocadilho infame com o filme do Monty Python e o nojento esquete do Sr. Creosote.

Há um certo ponto na vida onde deveríamos nos questionar, mas REALMENTE nos questionar sobre cada ação impensada (ou supostamente pensada) que praticamos diariamente, levados pela consciência coletiva de que precisamos "viver melhor". Porque, por mais altruísta a conotação que esta ação tenha, e por mais logicamente correta que pareça, será mesmo que vale a pena?

Que ninguém me leve a mal, eu nunca disse que sou a melhor das pessoas. Tenho uma filosofia de fazer bem aos outros que mantém minha crença em karma no lugar, mas outras coisas que venho (ou vinha) fazendo extrapola(va)m esse equilíbrio da balança. Considerem também que eu estou cada vez mais me tornando um misantropo. Paradoxalmente sociável, mas um misantropo de qualquer forma. E aquele ponto na vida em que parei e me questionei ocorreu há umas 2 semanas, quando estava separando o lixo.

Separar o lixo reciclável é algo que faço desde que moro sozinho, há quase 10 anos. Faço da minha própria maneira tosca, ou seja, duas latas de lixo diferentes, embalagens, sacos, garrafas e outros invólucros e papéis secos e vazios de um lado, com matéria orgânica do outro. Não lavo resíduos de nenhuma embalagem de leite, por exemplo, e jamais procurei saber o que era reciclável e o que não era. Deixa o pessoal do meu prédio se preocupar com isso. Mas fazia, anyway. Dava-me uma noção torta e falsa de importância, superioridade, de ser eco-amigável, de "ó-eu-sou-mais-evoluído-do-que-você-porque-reciclo-meu-lixo", muito embora fosse mais uma alternativa para poder falar mal de gente que abraça árvore sem parecer ignorante.

A questão é, quando me mudei de volta para o Rio, continuei com o hábito, sem jamais me informar se havia coleta seletiva no meu prédio. Com o intuito de colocar a dúvida em palavras, confirmei o fato há exatos 20 minutos, interfonando para o porteiro que, com seu simples conhecimento das coisas, disse que "garrafas de plástico e vidro eram separadas lá embaixo e o pessoal buscava no sábado". Ou seja, havia coleta. Mas paremos para pensar um segundo se a resposta fosse negativa. Quatro anos e meio de inutilidade da minha parte. Pensei naquele momento (há duas semanas) na quantidade de coisas que fazemos por fazer, sem raciocinar de que elas servem na verdade, se fazem diferença ou são a mais pura e absoluta perda de tempo e dispêndio de energia.

Taí, dispêndio de energia. Um recurso em alta demanda. Queria ver o que gente como os fanáticos que criaram o Blackle diria se me visse aqui sentado um tempão em frente à branca e brilhante tela do Blogger pensando no que escrever e de que forma fazê-lo. Pois que se foda. Eu sou um grande gastador de energia. Fico conectado boa parte do dia, deixo às vezes 3 ou 4 aposentos com luzes acesas ao mesmo tempo, praticamente uso luz em todas as minhas atividades de lazer (meia-luz em algumas... he) e não faço o mínimo esforço para poupar. Se o faço, é para poupar o meu bolso, não os recursos naturais e a crescente necessidade de se construir mais hidrelétricas. Ainda me lembro do impulso de rasgar o cartaz afixado na porta do Hotel Íbis de Curitiba onde estava hospedado há 3 semanas, porque atentava para a campanha de "salvar o planeta poupando energia e desligando a luz ao sair". Poupando o dinheiro deles, porra!! Se a preocupação destes hotéis da rede Accor fosse a de poupar recursos, jamais colocariam uma torneira de chuveiro tão complicada de se acertar a temperatura da água que litros se esvaem pelo ralo até que se consiga.

Ah, a água... As campanhas pedem que eu feche a torneira quando estou escovando os dentes. Que eu a feche enquanto me ensabôo no banho. Que eu a feche quando lavo louça. Ah, não fode!! Saber se o Mengão vai se classificar para a Libertadores 2008 tira mais o meu sono do que saber que tem famílias disputando um balde de água suja em Lagos, na Nigéria. Por isso deixei de fazer todas essas coisas. E ainda tenho todo o direito de ficar furioso quando há racionamentos de água aqui no prédio e apartamentos com famílias de 5 pessoas ainda gastam mais água do que eu, que preciso acordar cedo se quiser tomar banho e chegar em casa com meia hora de janela pra usar o precioso líquido. Meus banhos são de 10, 15 minutos, todo o quociente feminino mundial (exceto as francesas) já poderia assumir a culpa por acabar com a água de países pobres, eu não vou sofrer por isso. Melhor ainda, cada pessoa que coloca um filho na face da Terra deveria responder pelo gasto absurdo de recursos e a emissão de CO2. Haja fralda suja e choro insuportável para neutralizar isso. Cadê o Al Gore que não diz isso? Não sou e nem penso em ser pai. A Terra me deve, com direito a troco.

Prefiro acreditar no James Lovelock em "A Vingança de Gaia", que prega que quase nenhuma das ações hoje praticadas vai reverter a situação catastrófica em que o meio-ambiente se encontra. Vou é aproveitar ao máximo este mundo e que se explodam (afogar não vai dar, néam?) os filhos e netos que não terei.

Se eu ainda reciclo meu lixo? Claro. Tem gente que precisa do dinheiro da separação para sobreviver e lixeiros que não precisam se machucar ao recolher material contundente. Benefício bem mais direto do que economizar alguns litros que jamais chegarão perto da Nigéria.

Eu ia falar de outras coisas antes de começar a escrever isto aqui, mas deixa a minha musa achar que eu sou chato um pouquinho ao invés de saber que só vejo passarinhos ultimamente por causa dela. [insira aqui um smilie sorrindo com "X" nos olhos]

Amanhã: o texto que seria de hoje e o show do Battles em SP

sábado, novembro 17, 2007

COLD WIND

Eu tinha um sonho recorrente quando eu era criança. Vez ou outra eu sonhava que era infinitamente minúsculo e tudo ao meu redor era incomensuravelmente grande. Acordava suando e cheio de pavor e ia correndo acordar minha mãe também. Eu só conseguia sossegar se ela andasse comigo por toda a casa pra me mostrar que as coisas estavam nos seus devidos tamanhos.

Outro dia desses, eu tentei invocar essa sensação de pavor com a qual acordava. Imaginei que afundava no meu colchão e que os móveis cresciam assustadoramente de tamanho. Por cerca de 10 segundos, consegui resgatar parte da sensação. Foi uma catarse iluminadora. Primeiro, porque demonstrava o poder de minha mente. Segundo, porque me dava a certeza de que todos os nossos medos infantis nunca vão embora em definitivo, só os enterramos tão profunda e indefinidamente que não se sabe quando podem aflorar.

A imensidão óbvia, no entanto, nunca me assustou. Móveis do tamanho de arranha-céus são assombrosos, mas arranha-céus de verdade sempre me fascinaram. Claro, se restritos ao que chamo de terra natal. Tudo isso pra dizer que eu amo o Rio de Janeiro.

Acabo de voltar da experiência incomparável de sair de uma festa na Lapa e tomar o caminho menos comum para casa. Evitando a confusão da Mem de Sá, pego o rumo da República do Chile. A Catedral Metropolitana, imponente como igreja inusitada, e o prédio da Petrobrás, que gasta tanta luz quanto uma cidade pequena, saltam aos olhos no horizonte do Centro, em direção à Av. Rio Branco. Largo da Carioca à esquerda, 13 de Maio à direita, o vento frio soprando na janela que, oportunamente, deixei aberta. "Cold Wind", do Black Rebel Motorcycle Club, tocando no meu CD player. Clichê, mas a epifânia merece trilha sonora adequada.

Descendo a Rio Branco, MNBA, Biblioteca Nacional, Cinelândia, o Monumento dos Pracinhas se aproximando no horizonte, olhos cuidadosos para os veículos que cismam em atravessar sinais vermelhos na entrada do Aterro. MAM passando voado, minha mão já pra fora sentindo o vento, dedilhando a corrente. Dirigir com uma mão só, de olho nos novos pardais da indústria municipal de multas. Como diriam Fausto Fawcett e Fernanda Abreu, sou carioca, pô, eu quero meu crachá.

Praia do Flamengo, Hotel Glória, Pão de Açúcar escondido na escuridão, Morro da Viúva, sede antiga do meu Mengão. Baía de Guanabara, sei, é clichê, mais uma vez, mas a grandeza do meu Rio não me assusta, não são os móveis de minha casa. É preciso, de qualquer forma, andar pela cidade, pra me mostrar que as coisas continuam nos seus devidos tamanhos, imensas, imponentes, lindas, absolutas.

Eu amo a minha cidade. Dizem, em inglês, que "home is where the heart is", mas eu começo a perceber que "the heart is where your home is", mais do que tudo. Quando eu me der conta 100% de que minha felicidade plena, em todos os âmbitos possíveis, está nos limites do meu Rio de Janeiro, serei efetivamente um homem mais feliz.

Sou carioca, pô, eu quero meu crachá.

sexta-feira, novembro 16, 2007

FELIZ ANO-NOVO!

É sério, 2007 pra mim já acabou. Alguém por favor me congela até 31/12, às 23:58? Não é possível que quase nada de bom aconteça o ano inteiro...

Depois atualizo isto aqui. Tá difícil controlar o sarcasmo, que sempre transborda quando estou amargo.

terça-feira, novembro 06, 2007

RAPTURE

Deixem eu contar a vocês da minha namorada. Sim, eu tenho uma namorada. Não devo fidelidade real a ela, ela não me faz cobranças e nem surta de ciúmes ou por algum outro motivo banal. Ela povoa meus castelos de areia, recusa-se a entrar nos meus sonhos e me visita todos os dias, nos momentos em que me vejo efetivamente querendo a sua presença, seja assistindo a TV, sentado ao computador (quando a visualizo chegando sorrateiramente por trás de mim e me abraçando, insistindo para que eu saia dali), no cinema ou nos minutos logo antes de pegar no sono, em que me imagino abraçado com ela na cama.

Claro que ela é idealizada. Alma gêmea? Não sei. Ela tem falhas. Algumas irritantes. É nova demais (uns 14 a menos) e faz "nhé-nhé-nhé" desrespeitosamente, de propósito, quando tento falar algo sério. E não bebe café. Curiosamente, ela tem um rosto. Nos meus devaneios, ela é uma menina real que conheço. Roubei seu visual para decorar minha namorada. É, obviamente, linda. Cabelos castanhos, pele clara, olhos azuis, tatuagens e piercing. Um corpo quase perfeito. O nome não vem ao caso, já que também lhe desapropriei. Todo o resto é faz-de-conta. É um Frankenstein, uma colagem de coisas que sequer sei se a pessoa real tem, afinal, mal a conheço, nunca conversei com ela de verdade. Mas isto não importa, a aparência me convém. Além do que os olhos podem ver, minha namorada também tem uma tatuagem escondida, uma marca de nascença no peito do pé e não é depilada em excesso, muito embora eu acredite que a real seja.

Assim, diariamente, nossa relação floresce. As amigas dela me adoram, sempre as chamo todas para sushi aqui em casa. Conto piadas horríveis e poso envaidecidamente de tio perante elas, mas ela adora me ver se mostrando. I'm her daddy. Vamos a Buenos Aires juntos, os pais dela também me adoram, deixaram numa boa. Faço jantares à luz de vela, massagens e mojitos, descrevo cada episódio da primeira temporada de Heroes pra ela (assim podemos acompanhar juntos a segunda), leio frases soltas do Monty Python Flying Circus e nem me incomodo que ela não entende bulhufas das referências. A cada sorriso dela, eu me perco ainda mais.

Levo-a pra dançar na Paradiso e, mesmo não conhecendo a maioria das músicas, ela só consegue ficar me vendo cantar as letras, com um olhar apaixonado. Vamos comer no Cervantes e eu fico espantado em como ela consegue engolir um filé com queijo (E abacaxi, importante) em menos de dois minutos. Dá uma risada tão súbita que chega a roncar. Eu dou um beijo nela. A gente dorme junto. Só dorme. Acorda no domingo e fica na cama o resto do dia. Trepando. Ela goza olhando nos olhos. A cada vez. À mesa, mais tarde, ela resolve experimentar meu café forte. Faz careta e desiste.

Sim, ela me trai. Saindo com as amigas, uma certa vez, um carinha da faculdade, ela bebe demais da conta, já viu. Eu fico sabendo. Eu termino com ela. Ela chora. Eu não perdôo. Eu saio na mesma noite e fico com outra. Na frente das amigas dela. Uma semana se passa. A melhor amiga dela me diz que ela nem come direito. Que não pára de chorar. Que está arrependida. Eu nem tchuns. Ela me liga. Depois de uma semana ignorando, resolvo atender. Ela diz que quer conversar. A campainha toca. Eu abro e vejo aquele rostinho lindo, entristecido, aquele corpo que tanto prazer me deu, aquela carinha de cachorrinho com fome. Eu a mando entrar, mas sem perder a compostura, nem agarrá-la. Orgulho é foda. E então pára tudo.

Porque, nos meus devaneios, acho que não consigo passar daí.

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OBS.: Minha namorada é minha namorada, minha musa é minha musa. Esta última é uma pessoa de verdade, sabe de sua condição, adora café e odeia You Tube.

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Eu sei que minha semana foi pro caralho quando pego o Killing Yourself To Live só pra dar uma olhadinha e leio o seguinte parágrafo:

"A não ser que você seja Shanoon Hoon*, morrer é a única coisa que garante que uma estrela do rock terá um legado que se estenda além da relevância temporária. Em algum lugar, em certo ponto, de alguma forma, alguém decidiu que morte é igual a credibilidade. E eu quero entender o porquê. Eu quero descobrir por que o maior passo que qualquer músico pode dar em sua carreira é parar de respirar. Eu quero descobrir porque desastres de avião e overdoses e suicídios com armas de fogo transformam guitarristas cabeludos em profetas messiânicos. Eu quero andar pelas ensanguentadas ruas do rock n' roll e bater papo com os sobreviventes que se remexem nas sarjetas. Este conceito tornou-se minha busca. Em vez de ir a lugares onde tudo aconteceu, eu iria a lugares onde tudo parou. Eu iria aguçar meu instinto de morte.

- Agora, para fazer isto - eu disse à minha linda e loira editora - eu vou precisar alugar um carro".

Fudeu.


* - falecido vocalista do Blind Melon

OBS. 2: Quer ler o primeiro capítulo do Sex, Drugs And Cocoa Puffs? Vai aqui.


sábado, novembro 03, 2007

O SOLADO DA PUMA ESCORREGA

Ou então comprei os únicos dois pares de tênis sem aderência da marca. Pior para minha bunda e seu contato com o chão em duas ocasiões diferentes desde que cheguei à terra do "leitê quentê" e dos topetinhos. Escoriações e contusões à parte, volto pro Rio daqui a pouquinho. Saudade já da minha terra, não consigo ficar muito tempo em cidades do interior.

Tirando a incômoda chuva, que atrapalhou bastante meu intuito de rodar todos os inúmeros sebos e brechós da cidade, o feriado foi bom. Ainda considero uma experiência muito gratificante vir a Curitiba todo ano assistir ao TIM Festival. A pedreira é linda, de razoavelmente fácil acesso (30 min. de ônibus do Centro), a infra é ótima, bebida e comida baratas, público comportado, considerando a criançada presente, visibilidade boa do palco e a presença de mil mulheres lindas. Ah, os shows também foram bons, na média.


Eu já tinha uma idéia predeterminada de como seriam, mais ou menos, alimentada em parte pelo fato de que já assisti a todos os artistas em outras ocasiões: Hot Chip deslocado, mas interessante, Björk cativante, porém chata para muitos, Arctic Monkeys batendo cartão sem empatia e o Killers messiânico. Guardadas as devidas proporções, foi exatamente isso.

Não ajudou muito o Hot Chip ter começado o show pontualmente às 19h, já que nem 1/3 do público havia chegado ainda e a luz do dia também não tinha desaparecido. A música deles seria perfeita num clube ou no mínimo mais tarde, com show de luzes e tudo o que demanda o gênero, levando-se em conta que eles não se mexem muito no palco. Como ficou, apenas trilha sonora de ambientação. Nem "Over and Over" empolgou tanto.



Eu não sou um fã ardoroso da Björk. Levanto ambas as sobrancelhas para os últimos álbuns dela, achei o Medulla uma merda e só gosto incondicionalmente mesmo das músicas mais antigas. Mas pode me espancar e me chamar de Sally se o show dessa elfa não cresce em cima de você. É fato que a maioria do público presente estava cagando para ela e mesmo os que gritavam "u-hu" a cada "obrigado" que ela tentava inutilmente pronunciar (saía algo como "obricá") só o faziam certamente porque é "cool" dizer que se gosta de Björk. Mas é preciso paciência para se apreciar um show desses, com todo o gestual e teatral que ela traz consigo (motivos orientais no momento), um palco grande demais para as músicas mais introspectivas e tal.

Só que o seu carisma é inegável. Dando tudo de si, na voz, na dança, no visual, aos poucos os chatos do "u-hu"assentam e é possível deixar a mente vagar pelas músicas. Apresentação com base no álbum mais recente, mas com direito a "Bachelorette", "Joga", "Hyper Ballad" e, para a minha imensa alegria, "Army Of Me", cujo vídeo postarei depois. Ao fim de uma hora de encanto, sob gritos de "Volta! Volta!" (trocadilho ou coincidência?), ela, a ótima banda e suas ninfas islandesas retornam ao palco para encerrar a festa com um esporro eletrônico com direito a chuva de papel picado na nova "Declare Independence". Memorável e, de longe, o melhor show da noite.



Eu me lembro quando assisti a Velocidade Máxima (Speed) no cinema há uns 13 anos. Havia uma frase que encerrava o filme e que ficou na minha cabeça, sabe-se lá por que motivo. Dizia algo como "relacionamentos que começam intensamente duram pouco". Essa máxima, comigo, pelo menos, sempre funciona. Não acho que seja uma analogia forçada usá-la para me referir aos Arctic Monkeys. Acho que já está chegando ao fim o reinado deles sobre a máquina do hype. A não ser com uma mudança radical ou algum tempo para sossegar, os moleques vão entrar em combustão espontânea.

Já não chega o imediatismo de lançar dois álbuns seguidos em pouco mais de um ano, os riffs pós-punk e mil variações de ritmo nas músicas estão começando a dar no saco, ao menos para mim. Não me entendam mal, os moleques tocam muito bem e há várias canções muito boas, mas o problema é a aparente necessidade de se mostrar o quão virtuoses eles são, às vezes colocando cinco caminhos diferentes numa mesma música. A falta absoluta de carisma no palco também prejudica públicos não-ingleses, ou seja, não acostumados com essa fleugma britânica (timidez?) e o show soa frio e sem vontade, apesar da platéia vibrar com os hits. "Fluorescent Adolescent", rapazes, esse é o caminho. Canção simples, melodiosa e eficaz no que se propõe. É por aí.



Para muitos (leia-se "quem não gosta de Björk"), o Killers foi o show da noite. Grandioso e reflexo perfeito da megalomania de seu vocalista, entrega de cara as origens da banda (o exagero visual de Las Vegas) e sua formação religiosa (impossível tirar o ar de pregação mórmon de Brandon Flowers). Bom, à exceção de "Read My Mind", eu não gosto do Sam's Town. Daí a achar dois terços do show chatos. "Mr. Brightside", "Jenny Was A Friend Of Mine", "Smile Like You Mean It", "Somebody Told Me" e, já no bis, "All These Things That I've Done". A cover de "Shadowplay", do Joy Division, foi OK, mas foram estas 5 músicas o que valeu o show para mim. O resto, dispensável.



A viagem serviu também para que eu lesse o "Sex, Drugs And Cocoa Puffs", do Chuck Klosterman. Eu juro que não entendo como nenhum livro dele foi lançado no Brasil ainda por uma Conrad da vida, afinal, o cara é sucesso absoluto nos EUA, escreve para a Spin, a Esquire, GQ, Washington Post, Village Voice, tem uma linguagem pop irresistível e um ótimo senso de humor. Neste aqui, o mais clássico (pelo menos ainda não li o IV ou o Killing Yourself To Live, também comprados em agosto), através de vários textos randômicos, detona sua metralhadora giratória falando de assuntos tão díspares como Pamela Anderson, Big Brother, John Cusack, basquete, Billy Joel, o Império Contra-Ataca e outros. Às vezes, falha miseravelmente, como quando tenta justificar seu ódio por futebol (o nosso) dizendo mil asneiras sobre o esporte, mas em geral ele acerta no alvo. Como exemplo, vejam os seguintes trechos:

"Woody Allen tornou aceitável para mulheres bonitas dormirem com nerds bobões de óculos; tudo que precisamos fazer é fabricar a ilusão de humor intelectual e, de algum modo, temos uma chance. A ironia é que muitas das mulheres mais suscetíveis a esta armação sequer assistiram a algum dos filmes de Woody Allen ou estariam dispostas a tocar o próprio Woody Allen se tivessem a chance (especialmente desde que ele provou ser um über-pervertido freak de clarinete)".
- Sobre relacionamentos.

"Se você fosse tomar pornografia pelo seu valor nominal, você seria forçado a concluir que mulheres raramente têm pelos pubianos, exceto por aquelas que fazem propaganda em ter mais pelos pubianos do que o normal. Também parece haver uma demanda incessante de adolescentes nuas, embora também pareça haver um entendimento tácito de que qualquer mulher de 31 anos com peitos pequenos possa pa
ssar por uma adolescente se ela tem maria-chiquinha e um pirulito".
-
Sobre pornografia na Internet.

"Qualquer criança normal seria mais atraída por Skywalker do que Solo. Essa foi a personalidade que engolimos. Logo, quando todas as crianças de 8 anos em 1980 fizeram 21 em 1993, não conseguimos evoluir. Estávamos apenas velhos o suficiente para ser corrompidos pela infância e jovens demais para não perceber isso. De repente, nós todos queríamos ser Han Solo. Mas estávamos enrolados com problemas de Skywalker".
- Sobre a influência de Guerra nas Estrelas na Geração X (a minha).


"Você encontra sua alma gêmea. Contudo, há um porém: a cada três anos, alguém quebrará ambas as clavículas de sua alma gêmea com uma chave inglesa, e só há um meio de você impedir isto de acontecer: você deve engolir um comprimido que fará com que todas as músicas que você ouvir - pelo resto de sua vida - soem como se estivessem sendo tocadas pelo Alice In Chains. Quando você ouvir Creedence Clearwater Revival no rádio, irá soar (para os seus ouvidos) como se estivesse sendo tocada pelo Alice In Chains. Se você assistir ao Radiohead ao vivo, cada uma de suas melodias soará como uma cover feita pelo Alice In Chains. Quando você ouvir um jingle de comercial na TV, soará como Alice In Chains. Se você cantar sozinho no chuveiro, sua voz soará como a do falecido vocalista do Alice, Layne Staley, cantando a capella (mas soará assim somente pra você). Você tomaria o comprimido?"
- Parte do questionário para avaliar se o autor gostará de alguém ou não.



Porra, como não ler este livro?
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