segunda-feira, dezembro 30, 2002

Chegou a hora!!! Última semana do ano, não há mais o que ouvir, só nos resta fazer as nossas listinhas... como foi um ano muito prolífico para a música e muita coisa boa foi lançada, criei uma lista de “quases”, sem ordem de preferência. Eis então as minhas listas de Melhores e Piores do Ano (uma eu posto hoje, a outra, amanhã, se der):

MELHORES ÁLBUNS DO ANO:

01 – You Can´t Fight What You Can´t See - Girls Against Boys - Não é porque é minha banda de rock preferida que ela está aqui, mas sim porque cometeu seu melhor álbum desde o fantástico House of G*V*S*B*, voltando para o básico "dois baixos" ou “baixo + sintetizador”, num selo pequeno (Jadetree), som cru e também o que de mais sexy se ouviu este ano. Trilha sonora pra fuder de verdade. Fuder mesmo, não fazer amor.

02 – Songs For The Deaf - Queens of The Stone Age - Além de compor o melhor single de 2002 (No One Knows), conseguiu mostrar que o Dave Grohl tem mais é que mandar o Foo Fighters pro saco e continuar baterista, porque é aí que ele comanda (não quero dizer que FF é ruim) e que tem muita banda dando mole em não alistar o Mark Lanegan pro vocal. Perfeito!!

03 – The Eminem Show – Eminem – O rapper branquelo provou mais uma vez que, apesar da roupagem pop e de disputar vendas com Britney Spears, faz um rap de qualidade, com letras virulentas e agressivas, muita ironia e batidas (a cargo de Dr. Dre) impossíveis de deixar alguém parado. It feels so empty without him...

04 – Turn On The Bright Lights – Interpol – Joy Division + The Smiths + Gang of Four + The Fall. Comparações esdrúxulas, já que as bandas originais são intocáveis, mas foram, pelo menos, bem ouvidas e assimiladas por estes rapazes de New York City, a melhor das bandas com sabor de anos 80 a debutarem neste ano.

05 – See This Through And Leave - The Cooper Temple Clause – Reading não só produz bons festivais como gera bandas inconformadas como esta, que não cedem à tentação fácil de fazer uma guitar band britânica como mais 10.000 idênticas e incorporam sem saturação a música eletrônica em seus poderosos riffs de guitarra;

06 - Source Tags And Codes - ...And You Will Know Us By The Trail of Dead – o grande álbum não-ouvido do ano. É muito fácil se apaixonar pelo AYWKUBTTOD à primeira audição ou ao primeiro show assistido (nos últimos 2 anos, já assisti a 3 deles), mas é difícil quebrar a barreira de “alternativa” construída pela própria banda. Nunca vão estourar de verdade, mas merecem tocar pra sempre.

07 - Read Music/Speak Spanish – Desaparecidos – Num ano em que o movimento emo estourou no mundo inteiro, o melhor álbum do gênero veio desse geniozinho de 21 anos, Conor Oberst, que deixou a choradeira meio chata do Bright Eyes pra montar essa banda ao mesmo tempo nervosa, melódica, de canções gritadas e sussurradas na mesma proporção.

08 - Nada Como um Dia Após Outro Dia - Racionais MC's – Das quebradas do Capão Redondo aos bailes da Zona Leste, a melhor banda de rap do Brasil mostrou que não recebeu esse título à toa. Cada vez melhor na produção, este álbum duplo até poderia sofrer uma lipo, mas cada excesso é perdoado por faixas como “Jesus Chorou”, melhor canção do ano.

09 – Black City – Division of Laura Lee – Este ano, a Suécia nos deu muitas bandas boas, mas o Division... coloca até os Hives no chinelo. Dando margem a provar que certos modismos não geram apenas bons primeiros álbuns e mais nada, vejo longevidade nestes caras, se continuarem com seu punk pop contagiante;

10 – Phrenology – The Roots – Finalmente, eles mostraram a que vieram. Depois de álbuns meia-boca, cometeram esta verdadeira festa rock-rap, com “The Seed 2.0” (cover de Cody Chesnutt), uma das músicas mais estou-passeando-de-conversível-em-Venice-Beach-com-uma-puta-do-lado da História desde “Summertime”, do Sublime & The Pharcyde e “Deeper Shade of Soul”, do Urban Dance Squad.

"QUASES":

Wiretap Scars – Sparta
Heathen – David Bowie
Original Pirate Material – The Streets
In Search Of... – N.E.R.D.
Kittenz and Thee Glitz – Felix da Housecat
Under Construction – Missy Elliott







domingo, dezembro 29, 2002

DAQUI PRA FRENTE, NADA VAI SER DIFERENTE


A história da minha vida. Desde quando meninas deixaram de ser aquelas coisinhas irritantes que puxavam seu cabelo e choravam pro professor cada vez em que você batia nelas. Desde quando você descobriu que as curvas e os peitinhos que brotavam na sua colega de classe eram mais interessantes do que curiosos, mas interessantes de uma maneira que você não conseguia explicar, que fazia o coração bater mais acelerado e os primeiros sinais de que algo só podia estar errado começavam a aparecer (“socorro, estou virando pedra!!!!!”). Desde quando não era mais suficiente você conversar de escola, matérias, provas e do uniforme, que estava longe de se tornar mero fetiche. Desde quando a menina da turma anterior me disse, aos 11 anos (eu com quase 12) que estava a fim de mim, num dos mais secos e cruéis diálogos de minha convivência com o sexo feminino:

Após o Recreio:


Eu: - É verdade que você está a fim de mim?
Menina: - É.
Eu: - ...

(cinco minutos de silêncio)


Menina: - É só isso que você queria dizer?
Eu: - É.


(mais dois minutos de silêncio)


Menina: - Então tchau...
Eu: - Tchau...

Foi isso. Nenhum beijo cinematográfico. Nenhum sinal de felicidade estampado nos nossos rostos. Dois coelhinhos assustados. E nunca teria sido tão fácil, como ali, sem necessidade de frases mirabolantes e cantadas sedutoras. Mas nada aconteceu. Nem ali, nem nunca. Eu era quase um autista no que se tratava de meninas. Amava-as secretamente, mas era incapaz de dizer. E quando dizia, tinha escolhido errado o momento e estragava tudo.

Frustração. Tive muitas antes de começar a incorporar essa palavra em meu vocabulário. O grito dos tímidos, dos nerds (muito antes de conhecer sequer esta gíria, na minha época era CDF), dos vou-passar-a-noite-inteira-olhando-para-aquela-menina-mas-nem-penso-em-ir-falar-com-ela-mesmo-que-ela-esteja-acessível, o tipo de grito em freqüência que nem cachorros conseguem ouvir.

Na verdade, eu pertenço ao MST: Movimento dos Sem-Timing. Em ocasiões certas, com as frases certas, mas sempre pras meninas erradas. Ou vice-versa. Dislexia da paquera. Elaborar um roteiro digno de Festival de Cannes pra uma cantada inócua em uma ignorante sem senso de humor, ou comportar-se feito um bobo frente à mulher dos seus sonhos. Tratar com desdém e tirar sarro de alguém e vê-la apaixonada por você no dia seguinte. Fórmula Infalível da conquista: Quanto menos, mais; quanto mais, menos. Fácil. Funciona. Mas por que eu quase não consigo aplicar? Escrúpulos. Síndrome do homem bonzinho. Sede demais. Ou porque ela aplicou primeiro em você. Mas sem-querer.


Ser criado em subúrbio. Zona Rural. Todos te conhecem. Você conhece todos. Você cresce, mas não tem a oportunidade de mudar. Seu rótulo, seja qual for, vai acompanhar você aonde quer que vá. Não importa quanto tempo demore pra voltar, todos vão te tratar da mesma forma. Se não voltar, todos vão falar de você da mesma forma (Lembra-se de Fulano, aquele maconheiro/viado/bobão/pega-ninguém/freak/palhaço?), a não ser que você tenha sido gordo/magrelo/feio/qualquer coisa e tenha mudado radicalmente. Não interessa o quão bem-sucedido, a loser is always a loser.


A gente passa cada 10 minutos após uma grande esnobada pensando em “ah, um dia todos vão ver” ou antecipando a grande transformação que certamente sofreremos em breve, de nada/ninguém pra popstar/astro de cinema/super-herói, quando teremos a oportunidade ímpar de promover a Justiça Divina e devolver com sobras o “não” que acabamos de receber. Ou de voltar aos seus iguais após anos de ausência e esperar uma fanfarra no centro da cidade, com todos aqueles (aquelas, principalmente) que nunca ligaram, ajoelhados no chão, a exclamar “Ó, Vossa Foditude!!!! Sois o fodão de todos os fodões!! Estivestes certo todo o tempo!!!”, ao invés do mais freqüente “fuck off!!” silencioso, não-pronunciado por todos em uníssono.

James Ellroy Style:

Casa da Matriz. Quinta-feira.
Cheia. Não lotada ainda. Mas vai.
Meninas – poucas, umas atraentes, outras não. Bebo minha cerveja. “Skol Beats tem mais álcool e vem mais gelada” – digo ao André.
Na pista, o punk comanda. Tributo ao Clash. Joe Strummer: morto. 50 anos. Rude Boy. Antes ele do que eu.
Cara de triste: nenhuma das meninas faz o meu tipo.
De uma sombra sentada no sofá, ela se levanta, stylish, vem pra pista dançar.
Minha respiração para por dois segundos.
Rachel.
Nossa, há quanto tempo.
Seis anos, o cabelo já passou por várias metamorfoses diferentes, de castanho claro curto até preto Chanel, loiro falso, voltando ao preto, mas sempre com estilo. O namorado, sempre o mesmo.
Mas, nesta noite, ela estava só.
Inexplicável, a minha fixação nesta menina.
Bonita:sim, com certeza, mas nada estonteante.
Idade desconhecida, em torno dos 23.
Olhares se cruzam. Não é a primeira vez. Aliás, nossos olhares sempre se cruzaram, inúmeras vezes. Eu sei que ela sabe. Ela sabe que eu sei. Mas, curiosamente, só trocamos umas dez palavras em todo esse tempo, em rodas de amigos. Amigos em comum, temos vários.
Inexplicável, a minha fixação nesta menina/mulher.
Inexplicável como ainda não fui falar com ela.
Inexplicável como estava prestes a desperdiçar mais esta oportunidade. Sozinha. Sem namorado. Dançando no meio de amigos. Rindo e olhando pra mim.
FALAR COM ELA –
Não, nenhuma associação com o Almodóvar. Quisera eu ter sangue latino.
Uma música toca, eu falo com o Fernando, atrás dela. Ela vira, ávida pra responder, mas percebe que não foi com ela que falei. Mais um momento desperdiçado.
Eu: bobo, medroso, o menininho de 11/12 anos do diálogo patético renasceu das cinzas.
Ela: olhando de vez em quando, esperando talvez algo (ou não, vai saber...)
Eu: Mil coisas na cabeça (não iria dar certo, amigos em comum, todos conhecem o namorado, ele vai aparecer a qualquer momento, eu vou falar alguma besteira, eu vou apanhar no meio da pista, ela vai rir da minha cara, ela é chata e só fala asneira..)
Quase cinco: desisto. Ou melhor, nem começo. Outra vez, outro lugar (outro eu...) Who Knows?
Ainda espero que um texto idêntico a este sobre mim esteja em algum Blog por aí...




Meu Top Ten 2002, atualizado? Só amanhã, malandro...

terça-feira, dezembro 24, 2002

STRUMMER VIRA ESTRUME









Resolvi postar só mais esta mensagem antes que eu tenha que encarar a Mesa dos Milhares de Calorias prestes a ser posta a minha frente e a madrugada de esbórnia e bebedeira que deve se desenrolar noite adentro.




Chega o final do ano e mais um ícone punk morre na faixa dos 50 anos. Depois de Joey Ramone, em 2001 e Dee Dee Ramone, neste ano, desta vez é Joe Strummer, ex-líder do The Clash, atualmente com o The Mescaleros, que se despede, justo agora que se cogitava uma reunião da banda na formação original. Eu nunca fui tão fã assim do Clash, mas sempre creditei os caras pelo plantio da semente para o nascimento de tudo o que é mistura de ritmos no rock atual, do crossover, desde o funk metal dos anos 80/90 até o nu-metal atual, de Rage Against the Machine a Red Hot Chili Peppers, de Faith No More a Living Colour, com fortes influências no ska e mesmo no hip-hop. Com o mérito, ainda, de terem criado uma das canções punk (ma non troppo) mais populares de todos os tempos, conhecida até mesmo no Brasil, por mauricinhos, axéxelentos e funkeiros em geral, além de virar hit em versão dos Mamonas Assassinas: Should I Stay or Should I Go? (aliás, ótimo epitáfio pro cara). Meu álbum preferido sempre foi London Calling, com as gemas pop Spanish Bombs, Train in Vain e a música-título, fechando com uma das melhores capas de álbum de todos os tempos, aquela foto genial que resume em um gesto a rebeldia punk.









R.I.P. , (not so) old man!!!!!!!!!!!










segunda-feira, dezembro 23, 2002

DE COMO RESOLVI ATUALIZAR MEU BLOG PORQUE BANDIT TEM UM TUMOR NOS TESTÍCULOS

Eu explico. Bandit é o meu cachorro. Ou melhor, um dos meus cachorros. Ou melhor ainda, um dos cachorros do meu irmão, que ficam na casa dos meus pais, em Big Field. Hoje à tarde, após uma visita ao veterinário, já que o saco do pobre cão estava do tamanho de uma bola de boliche, descobriu-se que ele, provavelmente, tem um tumor e vai ter que dar adeus à sua bolsa escrotal, que deve ser retirada em Janeiro. Quando eu li uma notícia semelhante sobre o comediante americano Tom Green, um cara que consegue ser mais sem graça do que o pateta Adam Sandler e que era noivo da quebrete da Drew Barrymore na época, me pus (STP) a rir, tamanha a ironia de tal enfermidade num cara que usa a escatologia como humor. Mas no caso do Bandit, fiquei consternado, embora conformado com a sua possível morte e lembrei que, entre tantas coisas pendentes, precisava atualizar esta merda de blog, ainda que ele só tenha uns 4 leitores, um deles bêbado.
Segundo dizem, arrancar o seu saco, além de suspender a produção de testosterona, o que vai te deixar meio viadinho, como faziam os Castrati, cantores de ópera na antiguidade, vai cortar o seu tesão. Não sei o quanto de verdade tem nessa afirmação, nem se tal desgraça se aplica aos animais. Só posso dizer que isso seria um golpe mortal para o pobre Bandit, um cachorro que foi um dos melhores reprodutores que eu já vi. Cinco ninhadas diferentes já saíram de seus testículos, duas delas com remanescentes ainda em minha casa: a Panda, sua filha, e a Sasha, filha dele com Panda, ou seja, sua filha-neta (Bandit deve ser uma espécie de cão grego, cuja família deve ter descendido dos cães do Imperador Calígula). Condenar um verdadeiro pegador desses a uma vida de padre (eu juro que não vou fazer trocadilho com cão Pastor) é a mesma coisa que matá-lo. Sempre fui contra castração de animais, mas, neste caso, é pra tentar salvá-lo. Tudo bem, se algo bom resultou disso, é que estou atualizando esta página.

Desencanei completamente de contar o que aconteceu em Reading e durante o resto da viagem. Lá se vão 4 meses, já passou muito tempo. Oportunamente, posso lembrar de algo e colocar aqui. Pra não jogar fora o que já tinha escrito, posto abaixo o trecho incompleto e faço um resuminho dos shows a que assisti. Vou colocar depois, no meu site, as fotos horrendas e distantes que lá tirei, a título de curiosidade. Eis, então:

“Entrei junto com as ainda poucas pessoas naquele horário (meio-dia, sob um sol escaldante) no Carling Stage, para assistir ao show do Pretty Girls Make Graves. Com o pequeno palco bem próximo, parecia que estávamos assistindo a um ensaio. Se levarmos em conta que bandas iniciantes, mas já causadoras de impacto, como The D4, Interpol, The Datsuns e Ikara Colt, iriam tocar aqui ao longo dos 3 dias do festival, começamos a entender o que gera inveja naqueles que não puderam estar presentes. E aí eu entendo porque tanta gente me chamou de filho da puta quando eu cheguei.
A banda em si é bem legal, vinda de Seattle, com um som que alterna música tipicamente indie, como uma guitar band de franjinhas, um pouco de swing e o som-gritaria que caracterizou bandas como At The Drive-In e, atualmente, Desaparecidos e o remanescente do ATDI, Sparta . Visualmente, é, no mínimo, bizarro. Um guitarrista completamente vestido como um skatista, um batera nervoso sem camisa, um baixista que parece com o Leonardo de Caprio Indie, um outro guitarrista com um black power gigantesco que era a cara do Jimi Hendrix (e tocava muito bem também, como se quisesse evocar o próprio) e uma vocalista, gordinha, baixinha e que cantava e se esgoelava com competência. Essa banda promete. Mas, Muito Indie, fico incrivelmente curioso em saber o motivo dela, segundo a sua opinião, ser a minha cara. Julguem vocês mesmos:

Pretty Girls Make Graves


Como vocês puderam notar, apesar de eu atestar que os palcos estavam razoavelmente próximos, principalmente os dois menores, A PORCARIA DA MINHA MÁQUINA ESTÁ MÍOPE!!!!! Só isso para explicar porque TODAS as minhas fotos saíram mais longe, como se eu estivesse assistindo aos shows de Londres. Bem-feito pra mim, que cisma em adquirir esses equipamentos nas lojinhas de coreanos mal-educados, que mal falam o Português, do Shopping 25 de Março. Tudo bem, só vou colocar aqui as melhores fotos. Depois eu coloco um link para uma galeria de imagens, se conseguir.

Em seguida, fui conferir uma indicação de um carinha com quem troquei informações sobre acampar em Reading num fórum pela Internet: The Von Bondies. Era no segundo palco e eu não conhecia absolutamente nada sobre a banda. Qual não foi a minha surpresa ao constatar que os caras são muito bons ao vivo. “Os caras” e “as minas”, pra falar a verdade, pois eles possuem a dupla baixista/guitarrista mais sexy do cenário rock n’roll atual. EU QUERO A CARRIE E A MARCIE DE PRESENTE DE NATAL!!!!!!!!!!!! A banda, fui descobrir mais tarde, era de Detroit e produzida pelo Jack White, embusteiro-mor, líder da insuportável The White Stripes, de quem falarei mal daqui a alguns parágrafos. Pelo menos algum mérito o cara tinha que ter, não é mesmo? Quer dizer, isso foi o que achei logo que soube, mas agora, após ter ouvido o álbum inteiro dos Von Bondies, percebo que, no estúdio, a produção do mané os fez soar como uma banda de garagem vagabunda, com soul, mas sem saber tocar. E não é isso absolutamente o que acontece ao vivo, em que o som é bem limpo, mas sem perder a sujeira da distorção de guitarra e baixo. Paradoxal esta última frase, não? Pois é, ouça-os ao vivo e você entenderá o sentido. “Shallow Grave” e "Nite Train" são exemplos de músicas fodonas que, com uma produção melhor, seriam hits. Será que o Jack Shite acha que só ele e a piranha da irmã não tocam porra nenhuma? Eu achei uma boa surpresa do festival e, praticamente, a única banda a que eu assisti e não conhecia antes.

Foi a vez de curtir (ou tentar) o som viajandão do Soundtrack of Our Lives no palco principal. A música Sister Surround já tinha virado hit do meu CD player há um tempão, e eu estava a fim de conferir se essas bandas suecas mereciam o hype que estão tendo na mídia. Infelizmente, o “mood” não estava muito apropriado. Era cerca de uma e meia da tarde e, com o sol queimando na lata, impossível sentar na grama e viajar... Som psicodélico é legal, no momento certo. O restante do público também não se animou muito, parecia uma banda típica de Festival Woodstock. Legal e só...”

SHOW MAIS FODA DO FESTIVAL : MUSE

SHOWS FODAS: STROKES, BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB, ...AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD, GUIDED BY VOICES, RIVAL SCHOOLS, SPARTA, DEATHCAB FOR CUTIE

SHOWS BONS: ASH, WEEZER, THE HIVES, INCUBUS, PRODIGY, PRETTY GIRLS MAKE GRAVES, CAVE IN, D4, BIFFY CLYRO, FEEDER, THE BREEDERS, ELECTRIC SOFT PARADE, THE BELLRAYS, THE VON BONDIES, JIMMY EAT WORLD, COOPER TEMPLE CLAUSE, PEOPLE UNDER THE STAIRS

SHOWS RAZOÁVEIS: DANDY WARHOLS, SOUNDTRACK OF OUR LIVES, THE LIBERTINES, THE ICARUS LINE, HOGGBOY, JANE’S ADDICTION, THE ANNIVERSARY

SHOWS CHATOS: CORNERSHOP, SIX BY SEVEN

VI SÓ UM PEDAÇO, QUERIA TER VISTO MAIS: INTERPOL, THE DATSUNS, CAPDOWN

VI UM PEDAÇO E ODIEI: WHITE STRIPES, THE KILLS

QUERIA TER VISTO: PEACHES, LADYTRON, JON SPENCER, 2 MANY DJ’S, THE STREETS, IKARA COLT, THE PATTERN, INTERNATIONAL NOISE CONSPIRACY, 80’S MATCHBOX B-LINE DISASTER, PULP, SAHARA HOTNIGHTS


É isso. Tem um monte de asneira que eu queria postar, algumas aventuras byronparkianas a ser contadas, mas tudo vai ser mais eventual e esporádico do que nunca. Virou lugar-comum filosofar sobre um brownie de chocolate ou fazer uma análise construtiva do último show do Objeto Amarelo ou qualquer merda dessas. Desta forma, me recuso a contar:

• De como o cachorro da Gaia se chama “Cão”;

• De como uma amiga minha disse a seguinte frase, sob elevado teor alcoólico: “Quero dar pra todo mundo!!!!!! Mas não hoje...”

• De como Byron Parker catou a menina de Vila Matilde na Fun House, que estava a fim de um amigo dele, mas acabou dizendo: “Seu amigo é muito lerdo. Eu quero você!! E preciso de um sofá!!”, ao que o nosso herói acabou a noitada com os joelhos ralados no tapete de sua sala e foi dormir às 10 da manhã;

• De como a Ilana me odeia porque a Clarah falou pra ela que eu disse que “uma menina tão bonita como ela não pode ser inteligente” (ou pelo menos ela assim o acha, já que não foi isso o que eu disse);

• De como eu toquei Bon Jovi na festa do Tchelo e assustei até o Márcio Custódio;

• De como há uma chance bem razoável de eu voltar pro Rio definitivamente, até o fim de julho;

• De como resolvi me tornar um canalha depois de ser esnobado pela 13.452ª vez e de como não mais ligarei no dia seguinte, aliás, de como esquecerei o telefone, de como vou trepar, virar pro lado e dormir e de como também vou me matricular num curso ninja que vai me conceder poderes para virar pro lado na manhã seguinte e, com um simples gesto, fazer com que a mulher desapareça ou se transforme numa pizza margherita.

• De como meus amigos me disseram que essa fase canalha não vai durar 2 semanas;

• De como eu já ouvi tanto “você é muito bacana / legal / gente boa / foda / gostoso / divertido” e “adoro sua voz / sua risada / seu beijo / suas piadas (essa é bem incomum)” nesse ano de 2002, que minha auto-estima está acima dos padrões leoninos de excelência;

• De como uma gaúcha que eu não conhecia morou 3 semanas lá em casa;

• De como eu comi a Daniela Cicarelli no saguão do banheiro da Lôca;

Bom, uma dessas aí de cima é mentira, mas eu não vou dizer qual... acho que é bem óbvia.... o Márcio Custódio nunca se assustaria com Bon Jovi... mas eu juro que não vou contar nada disso...

Acho que volto em breve... Feliz Natal....e só... depois da ressaca e azia natalina tem mais...
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