quinta-feira, fevereiro 20, 2003

MY NAME IS MUD (3º EPISÓDIO)

Recapitulando: "Pedi outra cerveja, agora pra mim. Ela anunciou que iria pra pista dançar. Continuei sentado. Não queria engrossar a platéia de voyeurs. O relógio continuava a correr..."

... mas o meu humor não estava muito propício, a essa altura, para paquerar alguém. Não, eu posso morar a minha vida inteira em Sampa, que eu nunca vou “xavecar” ninguém. Mas esse comportamento é bem típico de mim. Culpar São Paulo e começar a implicar com idiossincrasias paulistas quando uma de suas nativas não quer nada comigo. Se Letícia não me beija, São Paulo é a cidade mais feia do mundo. Se ela diz que vai ligar e não liga, paulista é tudo um bando de otários. Quanto maior o meu sofrimento, maior a minha raiva de “manos”, “minas” e “baladas”. O habitat pelo habitante. O plural ao invés do singular. Não necessariamente que minhas implicâncias não tenham fundamento, até certo ponto, mas eu nunca fui estrangeiro o suficiente para ser execrado, nem “minhoca da terra” o bastante para me sentir em casa.

Só me restava a conclusão de que, em resumo, para Letícia, eu nada mais era do que feio. Pura e simplesmente.

Eu nunca tive complexo de beleza. Eu era uma criança que muitos definiam como “fofa” e a paixão de várias meninas do colégio. Hoje, em contraste, sou o que poderia ser definido como “bonitinho”. Longe de ser um Brad Pitt, longe de ser um William Dafoe. Beleza, aliás, é subjetiva, mas pra isso você tem que ter outros atrativos. Charme, inteligência, bom humor, romantismo, são algumas das coisas de que nos munimos pra contornar a questão da aparência. Mas pra ultrapassar a primeira impressão de uma desconhecida, que é a visual, you gotta have IT. Afinal, só mesmo essa raça incrível das mulheres que pode se apaixonar a qualquer momento por um brilho no olhar, um sorriso, até mesmo um tique nervoso. Um de meus casos tórridos do passado, uma ninfomaníaca sem-noção, com quem saí por uns 3 meses, ficou vidrada em mim quando me viu cantando todas as músicas que tocavam na festa do Edinho numa boate de Ipanema. Foi só por isso. Porque eu sabia as letras de cor. Bom, na pior das hipóteses, eu já tinha um bom pré-requisito pra fazer parte de uma boyband: conquistar mulheres fazendo playback.

Uma criança fofa:


Essa particularidade era o que mais me incomodava com a Lê. Sim, a gente já havia saído, ficado, trepado, brigado, dormido junto, rido junto, concordado, discordado. Um relacionamento sem sufoco, sem obsessão, tão perfeito que qualquer um poderia suspeitar se realmente funcionava. Mas parece que ela se deu conta de que a nossa química extra-amizade era próxima de zero. Da parte dela, pelo menos. Eu a adorava, no sentido literal da palavra, como a uma divindade. Ela era minha musa, minha pitonisa, minha súcubo, minha ruína. Ao lado dela, eu conseguia visualizar bebês gordinhos, rosados, crianças pulando e gritando sem dar vontade de torcer seus pescoços. Cogitava pendurar a chuteira de vez, passava a ter noção do que significa “para sempre” e “infinito”. No final das contas, eu mal tive tempo de colocar meus dois pés sobre o tapete, pra ela puxar. Saber que, quando a poeira da paixão assenta, ela não se sente mais atraída por mim, é como ouvir Shiny Happy People, do R.E.M.: dá vontade de comer vidro.

Pior: ela não estava com ninguém. Ser trocado por alguém sux a lot, mas pelo menos você tem um porquê, um motivo. No mínimo, alguém para odiar e desejar que seu fígado seja arrancado por um lemingue faminto. Já fui trocado por homens e mulheres, sei como é. Não sei, sinceramente, qual é o mais deprimente. Perder a parceira para outro pode passar a impressão de que faltava algo em você. Perder para outra pode significar que, ao contrário do que pensa o Randall no desenho animado do Clerks (“I´m the ultimate man!!!”), você fez algo que desiludiu-a do mundo masculino.

Letícia Frost permanecia sozinha e, ainda assim, não queria a minha companhia para nada que envolvesse a parte carnal de nosso prévio e efêmero relacionamento. O máximo que eu arrancaria dela seria um cinema ou um vídeo chez moi, pipocas e vinho. Nem a cabeça no colo dela eu poderia mais recostar. No more cafuné. Onde está o grupo Tortura Nunca Mais, que não vê isso? Oops, lá vinha ela de novo, voltando da pista, cara de nojo, não gostou da música. Meus pensamentos já vagavam de retorno a Londres, quando fui visitar minha camarada Giseli em seu squat.

Um squat é uma habitação informal sui generis, muito comum na Europa, principalmente na Inglaterra, que nada mais é do que uma construção presumidamente abandonada que é invadida por gente sem-teto. Não são, na verdade, como o pessoal do MST brasileiro. Os sem-teto de um squat são uma mistura de gente pobre de verdade com estudantes clandestinos, fugitivos de casa/da Imigração, gente que perdeu o emprego e não tem onde ficar, outros em busca da vida no exterior, um ou outro junkie, ou todas as alternativas anteriores. A Giseli, basicamente, tinha ido morar lá fora e gastou quase toda a grana que havia levado. Como arrumar uma vaga no squat permitir-lhe-ia habitação grátis e convivência relativamente pacífica, junto à galera com quem ela se dava tão bem (24-hour party people), ela não pensou duas vezes.

Como funciona: o grupo se junta, observa a casa escolhida por alguns dias (se nada no exterior acusar seu abandono), invade-a, finalmente e redige uma carta pro Conselho do Distrito onde estão, comunicando a invasão e deixando claro que a casa, até ordem ou processo judicial regulamentar que os expulse, pertence a eles e ninguém está autorizado a entrar sem permissão. Acreditem se quiser, ninguém entra mesmo. E ainda recebem de graça água corrente, luz elétrica e todos os direitos de um morador comum, até que o processo judicial movido pelos proprietários destituídos precariamente de sua posse seja concluído. Em suma, uma mamata. Só a consciência pesa. Tirando os quesitos morais, é uma ilegalidade aceita e tolerada, ainda que temporariamente.

A maioria dos squats ficava no subúrbio, fora da Zona Central. Londres é dividida em áreas, de 01 a 04. As passagens de ônibus e metrô variavam de preço conforme a região para onde você ia. O squat da Gi ficava em Neasden, na Zona 3. O lugar não parecia muito hospitaleiro, típico bairro de operários, classe média baixa, mas era tranqüilo. Sempre tive dois quilos de pulga atrás da orelha com esse tipo de coisa, achava que era o tipo de antro de drogados e delinqüentes. Como eu estava errado. Sim, muitos ali, ou pelo menos todos os que a Gi viria a me apresentar, usavam algum tipo de droga, mas eram tão perigosos quanto o Bandit, meu cão bobão de saco inchado. Durante uma festa lá dentro, houve um cara que teve uma overdose, mas sobreviveu. A polícia veio e nem encheu o saco deles, só levou o mané pro hospital e pronto.

Eu e a Gi já havíamos nos encontrado e passeado no dia anterior. De Brixton, onde jogamos conversa fora e visitamos o conhecido Mercado local, fomos para Camden Town, minha parte preferida de Londres, Meca dos alternativos, que invadem as lojinhas transadas e a famosa Feira, todos os Domingos. Lá, num pub escondidinho, ela revelou-me seus planos de trabalhar num pub do interior, juntar uma grana e fazer um safári pela África no fim do ano, retornando para Londres, onde tentaria resolver o problema do seu visto e decidir se voltaria ou não para o Brasil.

Camden Street:


O squat da Giseli:


Na tarde seguinte, ela encontrou-me no caminho e levou-me à sua nova casa. E que casa. De fora, era imensa. Por dentro, maior ainda. A porta ficava trancada, mas uma das regras de convivência, segundo ela, dizia que, não importa a que hora da madrugada fosse, sempre que um morador chegasse, alguém deveria descer e abri-la. Eles tinham suas regras e todas envolviam o máximo de liberdade possível, desde que houvesse respeito à privacidade de cada um. Assim, todos mantinham seus pertences, mas não se importavam em dividir as coisas, como água, comida, artigos pessoais e até roupas. Em suma, uma comunidade hippie onde ninguém usava roupa florida, todos pareciam ter tomado banho e as meninas raspavam-se debaixo do braço.

As paredes estavam todas pichadas, arte dos próprios moradores, e havia quartos com um ou mais dormitórios. Como todos tinham espírito nômade, ninguém ficava exatamente por tanto tempo assim. Alguns meses, no máximo. Então, a progressão de direitos aos aposentos se dava por tempo de permanência. A Gi chegou lá num dormitório com mais 2 pessoas e, quando fui visitá-la, já tinha seu quarto particular. Trancado a chave. Afinal, por mais gente boa que todos fossem, não dava mesmo pra se confiar em ninguém, ainda mais gente que costuma se drogar. Todos os móveis, eles conseguiam nos lixos da vida. Não, eu não estou brincando. Em grandes cidades do Primeiro Mundo, principalmente Nova Iorque, Londres e Tóquio, muita gente muda-se e joga tudo fora, desde móveis intactos, colchões, roupas, até aparelhos eletrônicos. Ela conseguiu seu colchão e micro-system dessa forma. Para se ter uma idéia, parecia que ela morava na extinta Torre do Dr. Zero, na Vila Madalena.

Gi em seu quarto:


Após uma peregrinação para achar uma mercearia onde vendesse café solúvel, fizemos um cafezinho com croissants pra tomar com seus novos amigos, um casal: ela, espanhola; ele, francês. Tinham se conhecido e se apaixonado ali mesmo, no squat. Eram os moradores mais antigos. Gente muito boa e, depois de uns 20 minutos de conversa, como pude perceber, culta e viajada também. Do meio artístico. Nesse momento, mais uma vez, tive uma puta inveja da Giseli, ali, largada no mundo, sem destino, porém sem amarras, entre pessoas com o mesmo espírito aventureiro, a mesma fome de conhecimento, fome de experiência. Ok, na maior parte das vezes, fome da larica mesmo.

Constatei que, se um dia surtasse e decidisse jogar tudo para o alto, provavelmente, faria a mesma coisa. Experimentar o lado ilegal e imoral por certo tempo, sentir como é dobrar as regras ao meu favor, ser um clandestino, quase um pária. A nossa aplicação empírica do ilegal resume-se, na adolescência, a furtar doces e chocolates das Lojas Americanas, a sair sem pagar de lanchonetes e entrar por baixo da roleta no ônibus. Nada mais do que rompantes de rebeldia causados pela ebulição hormonal da juventude, longe de ser uma real transgressão. Abdicar, mesmo que temporariamente, das suas restrições, mantendo seus princípios básicos, mas conservando um grau saudável de amoralidade, soa tão perigoso quanto excitante.

“Jogar tudo para o alto...”, pensei. Ou pelo menos, pensei que havia pensado, mas, na verdade, falei em voz alta.

- Jogar o quê para o alto, Byron? – perguntou Letícia, bem ao meu lado.

- Nada, nada... Eu tava sonhando acordado, só isso. Never mind...

- Você está muuuito estranho, hoje, gato. Aéreo, fora do tempo e do espaço, procurando identificação com alguma coisa. A aquariana aqui sou eu, Byron, você é leonino. O mundo gira ao redor de você, baby, não o contrário...

- Eu devo estar ruim mesmo – respondi. – Porque sinto uma ponta bem afiada de ironia em cada uma de suas frases. Implicância minha, com certeza.

- Ah, quem está sendo irônico agora? – aquele sorriso sexy. Essa maldita sabia como me derrubar.

- Entenda como quiser, Lê... Eu estou nos meus dias soturnos... Você está bebendo demais hoje, não?

- Hey, daddy-O!! Não seja um... (faz, no ar, o símbolo do quadrado).

- Ah, por favor, Lê!! – reclamei. – Mia Wallace pra cima de mim, a essa hora, não!!

- Ora, vá lá, você gosta... – rindo, doce.

- Sim, mas não sem um motivo.

- É que eu estava pensando agora naquela discussão do roteiro que acabou ficando fora do filme.

- Qual? O Vincent Vega sendo primo da Suzanne Vega? – perguntei.

- Não... a diferença entre pessoas Elvis e pessoas Beatles.

- Bom, eu sou uma pessoa Beatles, você também é. Elvis é razoável e só.

- Eu estava mais pensando na frase da Mia sobre uma pessoa não poder ser Elvis e Beatles ao mesmo tempo.

- Lê...(ar preocupado, eu conheço a peça)... Isso vai levar a algum lugar?

[Sebosa Mode OFF] – Eu fico achando que a gente não vai conseguir ser amigo, pelo menos VOCÊ não vai conseguir ser meu amigo, se você continuar a gostar de mim...

Se eu conseguisse imaginar como seria o barulho do ar saindo por completo dos meus pulmões, teria feito naquele momento. Senti-me como no clipe de “Even Better Than The Real Thing”, do U2, rodando, rodando, rodando...

(CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO)


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PRÉ-ESTRÉIAS DO TIO BYRON

Bom, não sei se é do conhecimento de vocês, mas uma grande quantidade de DVD’s de filmes recém-lançados nos cinemas americanos, pertencentes aos próprios estúdios e destinados a exibições para a crítica especializada, especialmente em época de premiações, vem sendo copiada (leia-se “pirateada”) em DivX e difundida mundo afora. Já estou em possessão de vários desses, em ótima qualidade de som e imagem e com legendas, alguns nem lançados no Brasil ainda, e pretendo conseguir mais. Eis aqui o que achei dos seguintes:

PRENDA-ME SE FOR CAPAZ

Leonardo DiCaprio pode ser tachado de tudo, menos de burro. No momento em que sua popularidade alcançou o limite, quase adentrando o campo da super-exposição, em meio ao sucesso de Titanic e às 15.000.000 de adolescentes querendo dar pra ele, ele se afastou das telas e rejeitou o fácil apelo dos filmes ultra-comerciais, após ter falhado incrivelmente com o fraco e chato A Praia. Quem o viu em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador e Diário de um Adolescente sabe que ele, assim como fez Johnny Depp no final dos anos 80, escolhe filmes onde lhe permitam mais atuar do que mostrar sua aparência. Por isso, nutro uma certa simpatia pelo talento do rapaz, apesar de ter odiado Titanic e achar que ele tem cara de menina. Seus detratores deveriam assistir, pra começar, à sua volta triunfal em dois filmes ótimos: o Gangues de Nova York (sim, eu gostei bastante, é um puta épico e mostra o quanto Scorsese faz falta quando fica muito tempo parado!!) e este novo petardo Spielberguiano, cujo título original é Catch Me If you Can.

Aqui ele interpreta a história real de Frank Abagnale Jr., um fraudador espetacular que fingiu durante anos ser piloto de avião, médico e advogado e conseguiu ludibriar todo mundo que encontrou no caminho das falcatruas, emitindo cheques falsos no valor total de US$ 4.000.000,00 e sendo perseguido por um agente do FBI, interpretado aqui pelo sempre correto Tom Hanks. Só pode mesmo ser real, nenhum roteirista de Hollywood teria a cara de pau de escrever uma estória tão inverossímil.

O que se pode notar, de cara, é que Spielberg deixou de lado a mão pesada com que realizou A.I. e Minority Report e está bem à vontade aqui, dando um tratamento de conto de fadas, como se a jornada de Frank fosse uma alegoria do Faça o Que Quiser, O Mundo Está Aos Seus Pés. Os cenários, o figurino, o clima Anos 60 (afinal, a história se passa lá), a trilha sonora (Frank Sinatra, Garota de Ipanema, entre outras oníricas incursões sessentistas), tudo é deliciosamente aconchegante. O melhor do filme é não se levar a sério, ficando longe de dar lição de moral, mesmo porque o destino final de Frank é ambíguo quanto a se achar que o crime compensa ou não.

As interpretações também não ficam para trás. DiCaprio está muito bem, tanto quando mostra o garoto solitário e inseguro que se esconde atrás do estelionatário quanto ao dar seus golpes na careta, jogando charme com maestria. Impossível não invejar a sua genialidade a cada trapaça. Mas quem rouba todas as cenas em que aparece é Christopher Walken, que interpreta seu pai e está indicado ao Oscar pelo papel. Quando ambos aparecem em diálogo, vale o ingresso assistir ao duelo silencioso do filho querendo sempre agradar o pai, a quem ama incondicionalmente e a este, recusando a bondade do filho, envergonhado porque caiu na miséria e foi largado.



Cinema-pipocão com boas atuações. Não deu pra segurar o sorriso e os olhos marejados ao final.

Assista ontem!!


8 MILE – RUA DAS ILUSÕES

O novo filme de Curtis Hanson (de L.A. Confidential) é quase um veículo pro rapper Eminem. Inspirado abertamente na vida real do moleque pobre de Detroit, com o próprio no papel principal, fica difícil saber até que ponto ele passou realmente por tudo isso. Mas não é isso o que importa. Ou será que é?

Sejamos sinceros, esse filme só é para fãs de hip-hop. Porque, como drama, ele só funciona superficialmente. É tocante toda a estória de Rabbit, rapaz esforçado, que tem grande talento como rapper, mas sofre pelo preconceito da cor (um branco cantando música negra), ao mesmo tempo em que enfrenta seu mundo White Trash, com uma mãe alcoólatra, desempregada e carente, seu namorado brigão e sua irmãzinha desamparada, morando num trailer, na área que dá título ao filme, 8 Mile, e tem que ganhar dinheiro trabalhando numa fábrica. Nesse meio-termo, vemos suas andanças com os amigos do mundo do rap, sua luta para gravar uma demo e ser reconhecido e as relações tempestuosas com rivais e com a paixão de ocasião que arruma (Brittany “I’ll Never Teeell” Murphy).



O problema é: até a batalha final de MC`s, numa progressão que lembra muito Rocky, não se entra a fundo em muita coisa. Parece que todas as idéias foram pouco trabalhadas e mal-costuradas. Não se discutem problemas sociais, nem mesmo de relacionamento pessoal. A cena hip-hop também não é profundamente explorada. O que sobra então para se apreciar?

Bom, respondendo, eu sou um fã ferrenho de hip-hop, duas dentre as minhas três bandas preferidas são do gênero. Pra mim e vários fãs, a curiosidade de saber se é essa a História do Marshall Mathers, antes de se transformar em Eminem, de quem eu gosto bastante, já me leva a querer assistir ao filme. Tudo leva a crer que, salvo uma ou outra liberdade de roteiro, é mesmo. Se, por um lado, a interpretação tímida e contida do rapaz (mas muito boa, por sinal, para um iniciante), que guarda dentro de si toda a raiva gerada pelas merdas que acontecem com ele ao longo do filme, mostra o porque da bomba-relógio que estoura atualmente nas paradas de sucesso do mundo inteiro, por outro, não se entende muito bem alguns detalhes da sua revolta, já que a mãe dele não é tão ruim quanto ele pinta e os preconceitos de conterrâneos parecem sumir tão logo ele faz uma rima inteligente.

De qualquer forma, é delicioso assistir, para um fã de rap, a uma batalha de MC’s, ainda mais quando são talentosos. Não me tachem de hipócrita, pois na vida real, elas existem exatamente como mostradas no filme, já assisti a algumas e o próprio Eminem só foi descoberto pelo Dr. Dre porque, realmente, ganhava todas em sua terra natal. Tanto as rimas como o clima de antecipação do confronto são entretenimento puro. Vejamos como os tradutores tupiniquins vão se comportar na hora das rimas. Como assisti ao filme com legendas em Português lusitano, entre “gajos” e “rouletes”, morri de rir com algumas legendas, principalmente quando traduziram os famosos versos “The roof, the roof, the roof is on fire / We don’t need no water, let the motherfucker burn/ Burn, motherfucker, burn!!”:

O tecto, o tecto, o tecto está a arder
Não necessitamos d’água, deixe a cabrona arder
Arde, cabrona, arde!!!!


Agora, simplesmente FODA é a trilha sonora do filme. A trilha original, com as músicas feitas especialmente para a película, já é muito boa, com três composições primorosas do Eminem, uma delas, “Lose Yourself”, indicada para o Oscar. Ainda prefiro a “8 Mile”, tem uma base de fuder!! Mas o que torna o filme imperdível é a trilha que serve de fundo para as cenas, com vários dos hits do hip-hop/r&b americano da primeira metade dos anos 90 (a estória se passa em 1995), ou seja, tudo aquilo que eu adorava na época em que eu mais ouvia hip-hop, há quase 10 anos, nas raves do meu camarada Túlio e da Elza Cohen na Fundição Progresso. Sente só algumas do set-list:

“Insane in the Brain” – Cypress Hill
“Runnin’” – The Pharcyde
“Shimmy Shimmy” – Ol’ Dirty Bastard
“C.R.E.A.M.” – Wu-Tang Clan
“Hip Hop Hooray” – Naughty By Nature
“I’ll Be There For You” – Method Man & Mary J. Blige
“This is How We do It”- Montell Jordan

Chegou a sair um álbum, “More Music From 8 Mile”, com todos esses hits e muito mais. Só não baixo também porque já os tenho nos álbuns dos artistas. Mas que dá vontade de fazer uma coletânea pessoal, dá.

Bem, fica a critério de vocês assistir ou não. Só quem curte o gênero tem alguma chance de apreciar algo. Senão, é melhor ficar em casa.

EM BREVE: resenhas de Chicago, About Schmidt, Adaptação e Demolidor.

Peace out, dog!!!!

sexta-feira, fevereiro 14, 2003

Minha contribuição de hoje para os nerds de Comics, como eu, que aguardam ansiosos pelo filme do Demolidor . Aliás, "como eu", my ass!!! É ruim de eu esperar!! Já estou baixando essa porra!! Mas pra quem só quer ver primeiro na telona, deixa de ser mané e confere esse link . Há 6 clips do filme, um em formato Real Media, cinco em Quicktime. São um ótimo aperitivo para assistir a esse que várias críticas que ando lendo por aí dizem ser o melhor filme de Super-herói desde Batman, do Tim Burton. Tem gente querendo beijar o rabo do Ben Affleck, que ele É Matt Murdock, sem dúvida.

Clipe 01 - Elektra treinando em casa; Demolidor e Elektra enfrentam-se em um telhado cheio de roupas em varais;

Clipe 02 - Demolidor colocando o uniforme e mergulhando de telhados na Cozinha do Inferno, em Manhattan...De tirar o fôlego!!

Clipe 03 - Elektra e Matt encontram-se pela primeira vez, numa cafeteria;

Clipe 04 - Mercenário e Demolidor em confronto na Igreja. Mercenário atirando shurikens e cacos de vidro. Foda!!!

Clipe 05 - Matt e Elektra no telhado. Matt espera começar a chover pra poder enxergar o rosto dela através do barulho das gotas batendo nele... Rola o primeiro beijo... Emocionante...

Clipe 06 - Demolidor invade um salão de sinuca cheio de malfeitores e sacode geral!! Vai, Lacraia!!!!!!!

quarta-feira, fevereiro 12, 2003

O SOULSEEK VOLTOU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, fevereiro 11, 2003

MY NAME IS MUD ( 2º EPISÓDIO)

Recapitulando: O relógio foi correndo e, entre incursões na pista de dança e mais álcool, me ocorreram frases como “quem não tem gata, caça com cão” e “em fim de festa, guardanapo é bolo”. Mau sinal de que meu escopo já estava se aproximando da política do Decoro Zero. Foi quando entrou Letícia. De repente,...

... o tempo ficou suspenso, como se uma semana inteira tivesse passado naquele breve instante. Nessas ocasiões, o choque resultante da visão repentina desta menina que tanto me abala, muito embora sua presença já tivesse sido prevista, costuma projetar meus pensamentos em algum momento passado, algum evento que pouco ou nada tem a ver com o presente, uma fuga mental, válvula de escape pra que eu não tenha uma síncope ou agarre a Letícia tal qual um aborígene.

Recordei-me, então, da noite em que quase fui barrado na festa roqueira mais hypada do planeta. A festa, no caso, era a Trash, todas as segundas-feiras na boate londrina The End. Durante a minha curta estadia em Londres, tive a oportunidade de conferir do que se tratava, no mesmo dia em que retornei de Reading, feriado bancário (Bank Holiday). Não havia muito o que fazer de dia, logo, resolvi ir ao famoso Carnaval de Notting Hill, que tinha uns trios elétricos e umas mulatas desfilando, uma mistura de Escola de Samba carioca com o Mardi Gras de New Orleans. Coisa pra turista. Mas o bairro, junto com a ruazinha de Portobello Road, é bem simpático. À noite, nada mais senão ir à Trash.

Problema básico: minhas roupas. Depois de terem sido defumadas pelas fogueiras do Festival, além da clássica lama e da absoluta falta de um ferro de passar, o estado delas era lastimável. As únicas que estavam decentes compunham um visual totalmente clubber, mas, como o amigo que me indicara a festa havia dito, “não é para ir arrumadinho, ou melhor, é sim, mas arrumadinho ao contrário, alternativo”. E ele é bastante clubber. Presumi que não haveria problema. Ledo engano.

Porque a primeira constatação que tive, tão logo consegui localizar o pequeno beco escondido onde se situava a The End, foi que estava no East Village nova-iorquino. Desde sósias dos Strokes até riot girrrls da St. Mark’s Place, figuras saídas das páginas do NME compunham a crescente fila que já dobrava a esquina. “Bom”, pensei, vamos ver no que dá. Passados 10 minutos, avistei uma loirinha meio punk, com olhos grandes e um sorriso enorme. Quase engasguei com o chiclete.

- Bel ?????????? – disse. Ela se virou, assustada:

- Byron !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Era a Isabella, Bel para os íntimos, irmã da Malô, duas mineiras de Araguari (lembram-se das 3 cidades que começam com B?*) vivendo em Sampa, que eu fui conhecer no Rio e tinham virado amigas minhas. Eu era suspeito pra falar da Bel, já tive um pequeno rolo com ela e sempre a achei extremamente sexy. Tinha desencanado completamente de que ela estava morando em Londres já há algum tempo.

Depois das apresentações (ela estava com um amigo suíço) e da surpresa inicial (“Você está ótimo!!!” – sorriso sincero/”Você está ótima!!!!” – risada maldosa – “E loira!!!”), fiquei sabendo que tanto ela quanto a irmã eram loiras naturais, fato que desconhecia completamente, uma vez que sempre as vi de cabelo preto. A fila, nesse momento, começou a andar. A nossa vez foi chegando e eu percebi que a boate não tinha simplesmente um host, mas sim um door (indivíduo que, se necessário, escolhe quem entra ou não). Era a cara do Bobby Gillespie, do Primal Scream. E disse claramente, após dar uma olhada de cima a baixo em nós três:

- Você está OK (para a Bel), você também (para o suíço), mas VOCÊ NÃO (para mim)!!!!!! Você sabe que temos um “dress code”, não? A festa é Trash, you’re supposed to look like trash...

Tentei explicar o drama do acampamento e da fumaceira nas minhas roupas e percebi que, se tivesse vindo direto do Festival, com pulseirinha e tudo e roupa cheia de lama, o cara, provavelmente, teria pedido pra chupar meu pau. A Bel intercedeu por mim, suplicou, implorou e o mané fez umas perguntas meio toscas, tipo “de que bandas você gosta?”, “o que você mais curtiu no Festival?”, “de onde vem essa camisa?” (era da Vision), mas parecia meio irredutível. Até que a Bel falou:

- Ele é do Rio!!!!!

Bobby abriu um sorriso imenso e disse “Oooooohhh...Rio!!!!!” e saiu do caminho, pedindo, por favor, para que eu entrasse. Concluindo: ninguém merece.

Minha impressão final da festa: o ambiente é legal, nada de muito impressionante, pequeno até para uma casa noturna tão badalada, mas o diferencial é a trilha sonora. Um tanto quanto esquizofrênica, mistura Stones com eletro e Dr. Dre, passando pelo que há de mais alternativo na cena de Nova York até os Vines-Hives-Strokes e Cia da vida. Gostei. Foge do lugar-comum. Quanto ao público, difícil definir. Para um povo que simplesmente inventou essa coisa de ser blasé e ditar a moda alternativa, não se pode criticar demais. Afinal, foi aqui que tudo surgiu. Cada um na sua. O pessoal da Folha de SP estava lá (Lúcio Ribeiro, Thiago Ney), assim como outros brasileiros que acabei reconhecendo. Pelo menos não tinha ninguém de Campo Grande, maldição eterna em cada lugar a que vou. E, segundo soube outro dia, os Strokes estiveram lá naquela noite, o que prova que “uma palha no palheiro é só mais uma palha” (ditado que acabou de ser inventado e nunca mais deve ser pronunciado). E, no dia seguinte, como de costume desde que nos encontrávamos em Sampa, não consegui rever a Bel, que estava lendo / dormindo / descansando / incomunicável. E eu em Whitechapel, no museu do London Royal Hospital, vendo os ossos e outras curiosidades do John Merrick, o Homem-Elefante.



- Byron, você está me ouvindo? – de volta ao presente, a voz de Letícia, inconfundível, misto de Jean Harlow com Rita Hayworth. Não, nunca ouvi nenhuma das duas falando Português, muito menos me lembro dos seus tons de voz, mas a comparação me pareceu glamourosa o suficiente. O que ela não pedisse rindo, que eu não faria chorando...

- Hã? – saindo do torpor, olhos castanhos nos olhos azuis, a cerveja quente como mijo na mão direita. – Oi, Letícia, tudo bem? Um beijo e um abraço bem forte (“compensa a economia paulistana de beijos nos cumprimentos, não?”, havia ela me dito um dia) disfarçaram que não havia o que fazer, senão fingir indiferença.

Mas boba ela não era. Como se tivesse um letreiro piscando “CLICHÊ” em minha testa, ela foi direto na ferida:

- Você está me dando gelo, Byron? Porque se estiver, saiba que não funciona comigo. [Sebosa Mode ON] Poupe-me, você é mais inteligente do que isso. Vai, pega uma cerveja pra mim.

Assim. Desse jeito. Sensibilidade Zero. Mulheres: não se vive com elas, não se pode matá-las.

Peguei a porra da cerveja e pus-me a tentar decifrar este enigma leticiano. Ao contrário da Esfinge, ela não iria me devorar, caso eu errasse. Infelizmente. Afinal, o que havia de errado? A tensão entre nós dois era mais do que aparente, dava pra ligar uma torradeira elétrica só com as faíscas. A equação tinha todos os fatores, mas não se chegava a um resultado satisfatório. De repente, à minha frente, estava um problema de Cálculo Integral, impossível para um leigo de resolver. Mas confesso que era um problema com uns peitinhos maravilhosos. E que falava!!!

- Qual o seu problema hoje, hein? – Rita-Harlow novamente. – Parece que eu estou falando sozinha.

- Hã? Putz, foi mal, Lê, eu... bom, pra ser sincero, meu problema é você.

- Eu? O que foi que eu fiz?

- Você não fez, é aí que está o problema. Você é!!! Como você pode entrar aqui com toda essa... essa... (a palavra me fugia, ia acabar usando algo bem idiota)... essa... ISSO (desesperado, apontando pra ela com as duas mãos)!! Você entrar e simplesmente não ligar, não dar a mínima, não se importar e...

- Byron, querido, desde quando você é disléxico?

- Porra, Letícia, estou falando de você. Por que nós dois temos que ser assim? Qual o obstáculo entre mim e você?

- Nenhum, que eu saiba.

Um sorriso se acendeu. A cegueira, a cegueira...

- Mas então a gente tem que ficar junto. (Pronto, desceu o espírito do surfista / jiu-jiteiro)

- Não, gatinho, a gente NÃO tem que ficar junto.

- Mas você acabou de dizer que...

-...que não tinha obstáculo entre nós. Não tem mesmo. Um obstáculo é algo que impede ou atrapalha A de chegar até B, num determinado caminho. Não há obstáculo porque, simplesmente, não há caminho entre A e B. Não é que eu queira algo mais com você e tem alguma coisa me detendo. Eu... não... quero... Somos apenas amigos, capisce?

Well, spank my ass and call me Sally se ela não tinha razão. Mas eu já sabia disso, só queria tentar ganhá-la na retórica e no cansaço. Como se Letícia Frost pudesse ser conquistada dessa maneira. Ela sempre tinha razão. E mesmo quando não tinha, era impossível contestá-la, tamanha a sua intensidade. Porque ela era intensa. Intensa e contida. Um barril de pólvora sem pavio. Todas as suas qualidades e virtudes trancafiadas dentro daquela timidez quase autista, daquela beleza tão singular, cuja frieza e plasticidade pareciam exibir aos incautos uma placa de KEEP OUT!! Toda a sua esperteza e brilhantismo passavam despercebidos pra quem nunca tinha se importado em ser interlocutor dela em algo além de uma cantada. Eu tinha. Eu a conhecia. Eu a ouvia. Ela se abria pra mim como um livro, mas nem me deixava lamber o dedo pra virar a página.

Pedi outra cerveja, agora pra mim. Ela anunciou que iria pra pista dançar. Continuei sentado. Não queria engrossar a platéia de voyeurs. O relógio continuava a correr...

(CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO)

* - Berlândia, Beraba e a Bosta de Araguari...

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DIÁLOGO ATERRORIZANTE

Sábado, 08/02, 00:26, imediações da Funhouse (RJ):

Fulana: Finalmente, li o seu blog hoje. Você escreve bem... Você tem que terminar a estória da Letícia.
Eu: A Letícia é antiga. Já vem de longa data. Há algo de você nela, inclusive.
Fulana: Eu sei disso. Ela é a sua versão feminina, não é? E já que VOCÊ é a minha versão masculina...

(barulho de disco arranhando, braço retirado à força)

EU?????????? VERSÃO MASCULINA DELA????????? MAS NEM FUDENDO!!!!!!!!!!!

Primeiro: Letícia Frost não é nenhuma

Segundo: Ela também não é a minha versão feminina, mas sim a nemesis do Byron.

Por último: Se, algum dia, alguém perceber que eu estou virando a versão masculina dela, me avise... Socorro...

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Em breve, tudo sobre o Projeto ENCARIOCAR, que se iniciou ontem...

domingo, fevereiro 09, 2003

Só entrei aqui pra postar esse aviso importantíssimo pra quem usa o Soulseek, atualmente um dos programas mais populares de troca de arquivos pela rede. O Soulseek está fora do ar há cerca de uma semana, segundo declarações divulgadas, por problemas de servidor. Eles estão procurando um servidor novo e não se trata, a princípio, de nenhuma ação do RIAA, como no caso do Napster, do Audiogalaxy e da rede Fast Track. Foi divulgado ontem, no entanto, um comunicado, que eu transcrevo abaixo, acusando uma bandinha de merda em busca de auto-promoção, uma tal de Sapphirecut, de ter entrado com uma ação reclamando direitos autorais contra o servidor original do Soulseek, atrasando a solução do problema de funcionamento. Tão logo isso se resolva, espera-se que possamos baixar nossos mp3 novamente.

Até lá, NEM OUSEM BAIXAR NADA DESSE BANDO DE ESCROTOS, FILHOS DE UMA RAMPEIRA ARROMBADA, QUE SE DENOMINAM SAPPHIRECUT!!!!!

OUVIRAM??? SAPPHIRECUT!!!!!! FIQUEM LONGE DESSA MERDA!!!!!

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Official Soulseek Press Release
February 8, 2003
Thomas Mennecke


OFFICIAL ANNOUNCEMENT - Re: Soulseek Status

This is to provide the official status of the Soulseek network as Friday, February 7th and onward. I have spoken to Nir and Rosalind Arbel on the matter over the course of this week and prior to this event taking place, and this notice is being offered on their behalf.


The artist calling herself Sapphirecut previously made a complaint towards Soulseek regarding the sharing of her material on the network. When she had contacted Soulseek regarding the matter, she failed to state which material was in question. There was no information provided, aside from her being "Sapphirecut". Therefore, acting on such, a global message was made to users not to share the artist's material, and a notice was made upon entering chat rooms of the same.

Unfortunately, this was not satisfactory, and the artist went on to file a complaint against Verio - Soulseek's server host, stating DMCA Copyright Infringement. Verio, in return did not conduct a formal inquiry into the situation. Rather, they acted rather quickly, requiring the server, and site to be pulled. Thus, there was no warning that such was going to take place. This not only applied to the users of Soulseek, but to Nir himself. On sudden notice, he was required to seek out a new host for the server.

To calm the air of panic, this does NOT mean that Soulseek is down forever. The RIAA did NOT have an injunction against Nir, as rumors have stated. Soulseek WILL be returning shortly, and this unfortunate delay was not expected. A new potential host has been found, however they are working through the paperwork for such, and have not completed such as quickly as we would have expected. At this level, it is out of Nir's hands as they have to simply go through the process of completing it. That said, we apologize again for the delay and hope that it does not last a great deal longer.

It is important to note that Soulseek can not and will not condone any actions towards the artist that may cause her or her affiliated labels harm. Such actions would include defaming emails, defacing, or otherwise damaging her website or the site of her affiliates, and other further actions which may be damaging. Such actions will simply result in further problems for the network, as the artist will direct complaints towards Soulseek itself. Those wishing to show their support for Soulseek will best do so by simply NOT sharing any files by this artist. The files in question include:

1.Free Your Mind, Megan’s epic mix.

2.Free Your Mind, Sapphirecut's Original mix

3.Action-Reaction by Sapphirecut (in any form)

4.Any music that has Sapphirecut on it except the Illustrious track “I’d Say Yes”, which is a remix.

We thank you for your patience and support through this situation, and we look forward to seeing all users back on Soulseek shortly. Users who wish further information regarding the DMCA are directed to browse to http://www.chillingeffects.org. All information needed regarding the act can be read or studied there. Cheers.

On behalf of Nir and Rosalind Arbel,
Sean Nelson / Proteus93
Soulseek Administration

quarta-feira, fevereiro 05, 2003

MY NAME IS MUD

Os olhos abriram-se de repente. Levantei a cabeça com a mesma rapidez dos que despertam de um pesadelo, assustado. O mundo rodou. Ai, quanto tinha eu bebido? Misturado, com certeza. Lembro-me bem de uma dose de Jumpin’ Jack Flash (Jack Daniels + Flash Power, o nome é invenção minha, mas eu nem gosto dos Stones) ao sair e mais umas tantas Skol Beats durante a noite. Os trocadilhos infames vieram logo à mente na árdua tentativa de me levantar e controlar meu giroscópio (“Beba a cerveja dos Beats” – cartaz / “Vai uma Skol Bitcha aí?” – Tchelo / “Tanto faz, segundo eu soube, Kerouac e Ginsberg eram bissexuais” – esse foi meu, referencial demais pra todos rirem). Mas o pior tinha sido o encontro com Letícia.

Letícia Frost, 21 anos, cabelos negros, olhos azuis, piercings na orelha esquerda, inscrição em kanji nas costas. “A menina”, pensei, enquanto entrava no banheiro. A claridade feria os olhos, minha fotofobia costumeira me pegando com o diafragma todo aberto. Morning Wood, como diriam Beavis e Butthead. Famoso Tesão de Mijo. Um pouco de contorcionismo e tudo se resolve. O aftertaste da cerveja era deprimente. Estômago embrulhado, acho que nem vou tomar café. Mas as lembranças suplantavam todo o mal-estar. Acredito que, em todas as manhãs de ressaca destes últimos 18 anos de bebedeira (comecei aos 12), pronunciei menos “nunca mais vou beber” do que “o que eu fiz de errado pra ela me desprezar?” Existe Engov pra coração partido?

Os sinais, aparentemente, sempre estiveram lá: cumplicidade nos risos e olhares, atenção quase exclusiva, uma certa frieza que denotava timidez, reserva em falar de coisas muito pessoais ou mesmo de outros caras, o que indicava que a relação de “amiguinho” ainda não se concretizara, entre outros indícios que, na nossa cegueira irremediável que só a paixão consegue causar, davam como certo que ela estava a fim de mim. Tinha que estar!!!! A própria ordem planetária, o ciclo das marés, a aurora, tudo só poderia funcionar se ela fosse minha e eu, dela!! Não, você não entende, não pode entender. Você não presenciou, não sentiu, não soube que aconteceu. ELA...ERA...MINHA!!! Mas então por que não foi?

Quando a água fria do chuveiro bateu nas costas, foi um choque bem-vindo. A cabeça começava a desanuviar. O estômago ainda se recusava a sair da cama. “Red eyes and tears no more for you, my love, I fear...”, ao olhar-me no espelho e contemplar a cara de junkie em abstinência que o banho frio não pôde apagar. E eu que fiz tanto por ela. Não exatamente por ela, mas pra conquistá-la. Dentro de toda a sua modernidade visual e estética, eu fui o primeiro dela em um monte de coisas tipicamente românticas e caretas. Flores, cartinha, jantar, cinema, pode citar e eu marco com um “x” na extensa lista. Humilhação, submissão, sofrimento, choradeira? Pode abrir a Caixa de Pandora, também listei os demônios todos. Shame on me, me expus e me fudi.

Não quero um Manual de Instruções para as mulheres, consigo conviver com o misterioso e o inexplicável e acho tal característica necessária até o limite entre o charmoso e o irritante. Ok, queria saber onde fica a tecla MUTE. Quanto à tecla SAP, tudo bem, nem eu mesmo me entendo, às vezes. Para cada tentativa de decifrar o que a mulher quer dizer ou está sentindo, há a contrapartida dela se descabelando ao tentar adivinhar se nós vamos ligar no dia seguinte ou até quarta-feira e, se não ligarmos, o que causou tal atitude: a roncada que ela deu quando riu, a bunda meio caída ou não ter transado na primeira noite. Ambos os lados estão armados até os dentes de conjecturas, incertezas e de retórica. Algumas têm também unhas bem afiadas.

Havia chegado mais cedo, o bar meio vazio, nem sinal dela. A primeira de muitas cervejas em mãos, dei início ao que meus amigos chamam de “patrulha”, perscrutar o recinto em busca de alvos e lugares estratégicos. Nos primeiros 20 minutos dentro de um ambiente de casa noturna, o homem é sempre o conquistador, o canalha, o irresistível. É uma verdadeira arte manter essa aparência durante o restante da noite. Nunca fui capaz disso. Jogar conversa fora com os amigos é uma boa e agradável alternativa.

- Queria que todas as mulheres fossem bissexuais – confessei.

- De preferência, na sua frente, né? – afirmou a Clarah.

- Não necessariamente. Pode ser também por cima ou por baixo de mim.

O relógio foi correndo e, entre incursões na pista de dança e mais álcool, me ocorreram frases como “quem não tem gata, caça com cão” e “em fim de festa, guardanapo é bolo”. Mau sinal de que meu escopo já estava se aproximando da política do Decoro Zero. Foi quando entrou Letícia. De repente,...

(CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO)

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Essa notícia me deixou realmente triste. Eu adoro aquele lugar. Freqüento desde que abriu e não tem um fim-de-semana em que eu vá ao Rio e não apareça por lá pra ouvir meu camarada Edinho , a cujas festas vou desde a época da finada Dr. Smith, há mais de 10 anos, e o Wilson Power.

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Já é notório entre meus amigos de infância e vizinhança meu gosto por “bandas que ninguém conhece”. Nunca tentei argumentar que SÓ ELES não as conheciam, que não tinha culpa se não gostavam de rock alternativo, não freqüentavam a Bunker ou outras casas de rock, nem liam revistas estrangeiras ou mesmo a Rock Press . Deixei, como sempre foi, e tenho vários outros amigos que possuem o mesmo conhecimento musical do que eu. Ou quase. Porque eu estou prestes a falar de uma banda que, salvo alguns, ninguém conhece: O Cave In .

Vindos da cidadezinha de Methuen, ao lado de Boston, esses caras começaram, ainda na adolescência, como uma banda de thrash metal e hardcore. Ouçam as primeiras músicas deles e vão levar um susto. É berradeira, esporro e barulho, com o mínimo de melodia. Bom, todo mundo tem que crescer e o Cave In amadureceu e mudou radicalmente seu som, com o álbum Jupiter, em 2000. Com influências de rock progressivo e punk melódico, eles se transformaram, na única descrição possível de sonoridade, numa banda de emocore esquisita. Em 2001, ouvi-os pela primeira vez e adorei, principalmente faixas como “Brain Candle”. Era justamente o diferencial das guitarras à la Radiohead misturadas ao pop de um Jimmy Eat World , por exemplo, que os tornava atraentes pra quem ouve milhares de bandas emo iguais. No ano passado, lançaram um EP, Tides of Tomorrow, mais calminho, mostrando o quão versáteis podem ser. Tive a felicidade de poder assisti-los no Reading Festival, em agosto. Uma pena que o show foi curto e no palco menor, mas foi muito bom e pude vê-los bem de perto.

Por que estou falando deles agora? Porque o álbum novo deles, Antenna, apesar de ter seu lançamento previsto para Março/2003, já está tocando todo dia no meu CD Player há duas semanas, baixado do Soulseek . Meu veredito? O melhor álbum de 2003 até agora. E olha que o Massive Attack novo tá de fuder. E eu já ouvi o do Zwan, o novo do Placebo, o da Cat Power, do Asian Dub Foundation e do Cursive, que também nem saíram ainda ou acabaram de sair (o do Zwan tá em primeiro lugar da Billboard).

Com uma pegada mais comercial (não confunda com fácil, porque comercial, a princípio, qualquer música é), que lembra Foo Fighters e Rival Schools (nas faixas mais “power pop”) ou mesmo Incubus (nas mais viajantes), duvido que eles não estourem, pelo menos lá fora. É impossível escutar “Inspire” e “Anchor” e não querer bater com a cabeça na parede de tão perfeitas. Do lado mais melódico, a bucólica “Beautiful Son” e a pinkfloydiana “Seafrost”. Todas as músicas são gemas por si só, um álbum que prova que as modinhas (no caso, o movimento emo) podem imperar, mas a maturidade só é alcançada por poucos. Nem precisa dizer, ouçam já!!!!!!!!!!!




terça-feira, fevereiro 04, 2003

Alguém aí viu O Chamado? Seguiu minha dica?

Olha o que o Muito Indie fez com a mi...quer dizer, a foto do Chacal:

(voz bizarra) : Seven Days...

segunda-feira, fevereiro 03, 2003

[Smeagol mode ON]

Aproveitando que o Byron tá fora, vou postar o link da matéria que o Igor fez pra Fun House de Sampa. Entre outras coisas, foi dar moral praquele tal de Carioca. Humpf, ninguém merece!!

[Smeagol mode OFF]

Cara, isso é muito Beavis e Butthead, mas não tem como permanecer sério na primeira olhada.

E eu não consigo parar de baixar funks toscos desde aquele medley ao vivo do Serginho e da Tati.
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